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Almodóvar's 'Natal Amargo' Explores Artistic Limits and Self-Reflection
Kultur
G122.05.2026Kultur4 dk okumaBrazil

Almodóvar's 'Natal Amargo' Explores Artistic Limits and Self-Reflection

Auf einen Blick

  • Pedro Almodóvar's 24th film, 'Natal Amargo', returns to Spanish after 'The Room Next Door'.
  • Premiering at Cannes, it delves into the filmmaker's career and personal life, exploring the creative process and the ethical boundaries of art.

KI-generierte Zusammenfassung

Warum es wichtig ist

Pedro Almodóvar's 24th film, 'Natal Amargo', marks his return to Spanish language cinema after 'The Room Next Door'. The film premiered at the Cannes Film Festival and explores themes of artistic creation, self-reflection, and the ethical dilemmas faced by artists.

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Cena de "Natal Amargo", novo filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que reflete sobre o fazer artístico e os limites da criação. — Foto: Divulgação.

Em seu 24º longa-metragem, "Natal Amargo", o diretor espanhol de 76 anos faz o seu regresso ao castelhano após dois anos do lançamento de “O Quarto ao Lado”, filme falado em inglês com Julianne Moore e Tilda Swinton.

"Natal Amargo" fez a sua estreia internacional na seleção oficial do 79º Festival de Cannes, na última terça-feira (19). O filme chega aos cinemas brasileiros em 28 de maio.

Ao voltar à sua língua nativa e à Espanha — cenário de toda a sua filmografia —, o cineasta coloca suas memórias e a própria carreira no divã, em uma espécie de inflexão autobiográfica.

A promessa e a premissa que cercavam o projeto eram grandes: este seria o filme em que ele seria mais cruel consigo mesmo, segundo entrevistas. Uma obra em que o diretor estava disposto a entrar em um tribunal contra si próprio. A ideia era essa, o resultado...no mucho.

Filme dentro do filme

O longa acompanha a história de dois cineastas obcecados por trabalho: Elsa (vivida por Bárbara Lennie) e Raúl (interpretado por Leonardo Sbaraglia), que pode ser "lido" como um alter ego de Almodóvar.

Elsa é uma diretora que, por não ter alcançado sucesso nas telas, acabou enveredando para o mercado publicitário. Perdeu a mãe há cerca de um ano e tenta elaborar o luto em meio a crises de enxaqueca, de ansiedade, uma briga com uma amiga (Victoria Luengo) e o namoro com um bombeiro-stripper (Bonifácio, interpretado por Patrick Criado).

Raúl, por outro lado, é um realizador de prestígio que se encontra num limbo criativo. Ele tenta dar vida a um novo roteiro "inspirado" nas histórias e nos amores da sua assistente, Mônica (Aitana Sánchez-Gijón), enquanto deixa a vida pessoal completamente de lado.

Essa metalinguagem sobre o fazer artístico não é novidade em sua filmografia. Almodóvar já a explorou antes em obras como "A Lei do Desejo" (1987), "Má Educação" (2004) e "Dor e Glória" (2019), que também traziam cineastas como os grandes protagonistas de suas próprias dores.

A grande brincadeira desta vez é que estamos diante de criador e criatura, tudo de uma vez. A jornada de Elsa é a própria ficção sendo moldada pela mente de Raúl, em uma dinâmica que nos coloca assistindo a um filme dentro de outro.

E é aí onde o negócio aperta: as duas narrativas vão correndo em paralelo, saltando entre 2004 e 2026, transformando um personagem em outro, às vezes até um personagem em dois. Tudo de maneira bastante “truncada”.

O espectador precisa fazer esforço para não se perder e conseguir entender, nesse grande jogo de espelhos, quem é quem. Que ou quais personagens estão inspirando quem. E mais: o quanto do próprio Almodóvar está ali.

"Natal Amargo", novo filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, chega aos cinemas brasileiros em 28 de maio. — Foto: Divulgação

Irônico e bonito de ver

O filme entrega exatamente o que se espera de um “almodrama” (termo usado pelo escritor cubano Guillermo Cabrera Infante para descrever um melodrama de Almodovar) em termos de estética: enquadramentos belíssimos, direção de arte primorosa.

Como espectador, você está sempre numa ânsia de ver o próximo cenário. Hipnotizado pelas garrafas azuis, pelas poltronas amarelas, pelos casacos vermelhos. Tudo está no lugar. Nada sobra.

O diretor também mostrou que não perdeu a mão para dosar o drama com pitadas de humor aqui e ali. Como quando a assistente e fiel escudeira Mônica joga uma provocação a Raúl (ou seria ao próprio Almodóvar?): “Sai de casa um pouco! Você já fez seus melhores filmes, pode viver somente do seu prestígio agora”.

E ainda dá outras piscadelas para o espectador, mais adiante: “Por que não cede e faz filme para streaming? A Netflix é doida por você há anos”. Raúl não dá o braço a torcer e nega.

Corajoso ao tentar ser melhor do que já foi

Ao longo de toda a trama, Almodóvar coloca na boca dos seus personagens reflexões com as quais ele próprio tem se deparado ao longo da sua trajetória: o medo da decadência, a falta de criatividade, a dificuldade de encontrar novas histórias, o desafio de ser melhor do que já se foi um dia.

O filme também levanta uma outra questão, interessantíssima: até que ponto um artista tem o direito de usar a vida alheia para fabricar suas obras?

Na sinopse oficial da trama, o protagonista é descrito como alguém "capaz de vender a alma ao diabo desde que continue a ver a linha vertical, o cursor piscante do computador, vivo, que o levará a escrever uma história que nem ele mesmo conhece e pela qual está disposto a tudo".

Diante de todos esses embates, a vida real parece sempre desmontar o controle do cineasta.

E há de se reconhecer: Almodóvar é ousado ao propor esse tipo de reflexão sobre o que fez de si mesmo ao longo de sua vida, jogando luz sobre o tipo de arte que produziu e, principalmente, qual foi o custo humano dessa criação.

Pôster em português de "Natal Amargo", novo filme de Almodóvar. — Foto: Divulgação

Honesto, pero no mucho

Ele derrapa, no entanto, ao não ir até as últimas consequências. A sensação que fica é a de que o diretor espanhol, ainda assim, escolheu a dedo os melhores recortes e os questionamentos para os quais ele já teria respostas confortáveis para dar.

Não se trata de cobrar que o cineasta faça uma sessão pública de terapia ou se autoflagele na frente da tela, mas veja: a expectativa foi criada por ele mesmo.

Os cineastas (Raúl, Elsa e o próprio diretor espanhol) admitem, de fato, estar penando para encontrar uma nova história que lhes devolva o tesão e o prazer de filmar.

Mas os três estão colocados na trama como pessoas que estão escrevendo não porque sabem o que querem dizer, mas sim, porque precisam descobrir.

Ao se esquivar do mergulho profundo que ele mesmo propôs, o diretor entrega um exercício de metalinguagem que carece de mais honestidade. Não tem como não notar.

Cartela resenha crítica g1 — Foto: Arte/g1

Ops!

Offene Fragen

  • To what extent does 'Natal Amargo' truly push Almodóvar's self-critical boundaries?
  • How will audiences react to the complex narrative structure and 'film within a film' concept?
  • What is the ultimate message Almodóvar intends to convey about the cost of artistic creation?
  • Will the film's metalinguistic approach resonate with a wider audience beyond cinephiles?

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This article was originally published by G1.

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