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Canal da Morte: o depósito que acumula cadáveres a céu aberto e reflete a violência no Equador
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Canal da Morte: o depósito que acumula cadáveres a céu aberto e reflete a violência no Equador

Auf einen Blick

  • O Canal da Morte em Guayaquil, Equador, tornou-se um depósito de cadáveres a céu aberto, refletindo a crescente violência do crime organizado.
  • O local, um canal de irrigação de 45 km, é usado para desova de corpos desde a pandemia.
  • Mais de 100 corpos foram retirados desde 2023, e o país registrou uma média de um homicídio por hora em 2025.

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Warum es wichtig ist

O Canal da Morte em Guayaquil, Equador, um canal de irrigação de 45 km, tornou-se um local de desova de corpos, refletindo a escalada da violência do crime organizado no país. A situação se agravou desde a pandemia, com autoridades retirando mais de 100 corpos desde 2023.

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Canal da Morte: o depósito que acumula cadáveres a céu aberto e reflete a violência no Equador

Estrutura com 45 km de extensão fica no distrito mais violento de Guayaquil. País registrou um homicídio por hora em 2025, segundo dados do governo.

Por France Presse

O Canal da Morte, em Guayaquil, Equador, virou depósito de cadáveres a céu aberto. O local reflete a violência do crime organizado no país.

Com 45 quilômetros de extensão, o canal de irrigação passou a ser usado para desova de corpos após a pandemia. Georgina Bermeo foi uma das vítimas.

Desde 2023, a polícia forense retirou mais de 100 corpos do local. No ano de 2025, o Equador registrou média de 1 homicídio por hora.

A violência persiste em Guayaquil sob o governo de Daniel Noboa. A cidade registrou mais de 900 homicídios entre janeiro e maio.

Moradora do bairro de Nueva Prosperina no Canal da Morte, Equador — Foto: Marcos Pin/AFP

Georgina Bermeo estava caída de bruços, com as roupas sujas e cercada por ervas daninhas quando os parentes encontraram o corpo dela, em maio, no depósito de cadáveres a céu aberto no noroeste de Guayaquil.

O canal, com mais de 45 quilômetros de extensão, corta Nueva Prosperina, considerado o distrito mais violento da principal cidade portuária do Equador.

Construído há mais de uma década para irrigação agrícola, o local passou a ser usado para desovar corpos após a pandemia, segundo moradores, e ficou tomado por água contaminada.

Uma estrada de terra acompanha o canal, em meio a lixo, cães magros e urubus. O local não tem iluminação pública nem câmeras de segurança. Segundo moradores, homens armados em motocicletas controlam o acesso.

Georgina, de 38 anos, e o marido, José Cedeño, de 43, foram assaltados e depois baleados. O corpo dele também foi jogado no canal.

"Nosso único pecado é sermos negros", disse à AFP a irmã de Georgina, que pediu para não ser identificada por medo de grupos criminosos.

A mulher afirmou que não denunciou o crime porque, segundo ela, "a polícia está nas mãos dos criminosos".

Em 2025, o Equador registrou uma média de um homicídio por hora, segundo dados oficiais.

'A morte nos visita'

"Vivemos com medo, com as portas trancadas, e não há como abri-las porque a morte nos visita", disse Juan Ordóñez, líder comunitário que mora na região há 40 anos e já viu corpos amontoados nas comportas no fim do canal.

Desde 2023, a polícia forense retirou mais de 100 corpos do canal. Algumas vítimas estavam dentro de sacos. Outras, nuas. Em novembro, agentes encontraram uma vala com nove cabeças, braços e torsos.

"É um lugar para jogar corpos. Eles os executam ali ou mais acima, e são levados pela correnteza", afirmou o tenente Christian Echeverría, da unidade que investiga mortes violentas.

O policial disse ter perdido a conta de quantos corpos foram recolhidos no canal durante os três anos em que trabalhou em Guayaquil, porto estratégico usado por organizações criminosas para enviar cocaína aos Estados Unidos e à Europa.

Em relatório divulgado em março, o Comitê das Nações Unidas para o Combate aos Desaparecimentos Forçados (CED) informou ter recebido denúncias de pelo menos 51 casos de desaparecimentos supostamente cometidos por agentes do Estado desde 2024.

As denúncias de abusos cometidos por policiais e militares aumentaram durante a estratégia de combate ao crime organizado do presidente Daniel Noboa, apoiada pelos Estados Unidos.

No poder desde 2023, Noboa governa sob um estado de exceção quase permanente. Ainda assim, a violência persiste no país e em Guayaquil, cidade de quase 3 milhões de habitantes que registrou mais de 900 homicídios entre janeiro e maio, segundo dados oficiais.

Offene Fragen

  • Quantos corpos ainda serão encontrados no canal?
  • Qual a extensão real do controle do crime organizado sobre a polícia?
  • Quais medidas eficazes o governo tomará para reverter a situação?

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This article was originally published by G1.

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