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Cânions Paulistas: um tesouro natural e histórico no Sudoeste Paulista
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Cânions Paulistas: um tesouro natural e histórico no Sudoeste Paulista

Auf einen Blick

  • Região no Sudoeste Paulista, com 7 municípios, abriga cânions, cachoeiras e rica história.
  • A associação Cânions Paulistas atua na preservação e valorização do legado natural e cultural.

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Warum es wichtig ist

O Sudoeste Paulista abriga os cânions, uma região com paisagens exuberantes, cachoeiras, rios e paredões, além de um rico patrimônio histórico e cultural. A associação Cânions Paulistas atua desde 2022 na preservação e valorização desse legado.

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O Sudoeste Paulista abriga uma preciosidade da natureza: os cânions. Formada pelos municípios de Bom Sucesso de Itararé, Itaberá, Itapeva, Itararé, Nova Campina, Ribeirão Branco e Taquarivaí, a região reune paisagens exuberantes, com cachoeiras, rios, fendas e paredões.

Além das belezas naturais, o território é um rico patrimônio histórico e cultural, marcado por construções antigas, artesanato, tradições e costumes que preservam a identidade local.

Desde 2022, a associação Cânions Paulistas desenvolve ações para preservar e valorizar esse legado. Entre as iniciativas estão a restauração de imóveis históricos, a criação de espaços culturais, o planejamento participativo em áreas turísticas e comunidades tradicionais, além da realização de feiras, exposições e publicações dedicadas às memórias e identidades locais.

Ao g1, a geóloga Victoria Gomes, de Itapeva, explica as rochas se originaram a partir do acúmulo de sedimentos, partículas resultantes da degradação de outras rochas, que, ao longo de milhões de anos, foram depositados em camadas em uma antiga bacia sedimentar.

"A rocha, o termo que descreve ela é arenito. A gente tem rochas areníticas que são compostas por sedimentos, que são partículas de outras rochas que foram degradadas e foram acumuladas em uma bacia. Então essas rochas formam essa bacia. Elas têm entre 410 e 390 milhões de anos", aponta.

Paredões dos cânions podem ser vistos dos mirantes na região de Itararé (SP) — Foto: Associação Cânions Paulistas/Divulgação

Com o passar do tempo, essas formações afloraram à superfície e passaram a ser esculpidas pela ação da natureza.

"Os rios, os ventos e o intemperismo foram moldando essas rochas até chegarmos às paisagens que vemos hoje", explica a geóloga.

A formação é popularmente conhecida como Escarpa Devoniana, em referência ao período geológico Devoniano, quando essas rochas foram formadas. Segundo Victoria, embora o termo seja amplamente utilizado, ele não é tecnicamente preciso, já que "escarpa" se refere ao relevo, enquanto "devoniana" indica a idade das rochas.

"Escarpa se diz ao termo geomorfológico, quer dizer que é a formação em si. E devoniana é a idade dessas rochas. Então, a escarpa não necessariamente é devoniana, mas é como ela é conhecida hoje. E essas rochas começam aqui em Itapeva, mas se estendem até o Paraná. São cerca de 260 quilômetros de extensão", detalha.

Os cânions paulistas — Foto: Globo Repórter/ Reprodução

A engenheira agrônoma e ambientalista Regina Celia Negrão Machado explicou ao g1 que uma das principais características da região é a transição entre dois importantes biomas brasileiros: o Cerrado e a Mata Atlântica. Segundo a especialista, as diferenças de altitude e o relevo do município formam um gradiente ambiental que favorece a ocorrência de uma rica biodiversidade.

"As formações dos cânions promovem diferentes altitudes. A gente sai de Itararé, que está a cerca de 700 metros acima do nível do mar, e chega a áreas com 1.300 metros de altitude. Isso gera uma enorme diversidade, tanto na formação dos solos quanto da vegetação. Temos desde solos muito rasos, ou quase inexistentes, no alto dos paredões, até solos mais profundos na região norte do município."

Cânion Pirituba é um dos mais famosos da região, situado a cerca de 40 km da área urbana de Itapeva, na divisa com Bom Sucesso de Itararé — Foto: Associação Cânions Paulistas/Divulgação

Nesse gradiente de altitude, se formou uma infinidade de vegetações distintas. Há remanescentes tanto de Mata Atlântica quanto de Cerrado, em diferentes formações.

"O Cerrado vai desde o cerradão fechado, com árvores tortuosas e casca grossa, até os campos. Nas áreas mais altas, na beira dos paredões, encontramos formações quase rupestres e uma vegetação conhecida como Campos Gerais do Paraná. Itararé, por estar mais ao norte, ainda preserva remanescentes desse tipo de vegetação. Nesses ambientes também existem plantas endêmicas, que só ocorrem aqui e em nenhum outro lugar do mundo", afirmou a especialista.

Além da diversidade de flora, a região também abriga espécies de animais. Segundo a ambientalista, a expansão da silvicultura tem reduzido o habitat de animais de grande porte e representa um desafio para a conservação dos remanescentes naturais.

"Encontramos muitos mamíferos de grande porte, como o lobo-guará, tamanduá e a onça, além de toda a fauna menor que serve de alimento para esses animais. Mas eles estão ficando cada vez mais confinados porque o território vem sendo ocupado, principalmente, pela silvicultura de pinus", explicou a especialista.

Há remanescentes tanto de Mata Atlântica quanto de Cerrado, em diferentes formações, na região dos cânions paulistas — Foto: Associação Cânions Paulistas/Divulgação

Achados arqueológicos

Além da importância geológica e paisagística, a área também possui relevância arqueológica, abrigando vestígios da ocupação humana pré-histórica, conforme relata Victoria.

"Existiram muitos povos originários que passaram por essa região, que deixaram grutas. A gente tem registros de pontas de flechas, de diferentes materiais, além de pinturas rupestres. Todos esses atributos eles não são divulgados, não são conhecidos. Ninguém conseguiu falar de uma forma que as pessoas entendam o que é isso, qual o significado dessa riqueza tão grande."

Para a Regina, ambietalista, o desconhecimento não é algo totalmente negativo, pois permite que os locais estejam preservados.

"Muita gente vai no intuito de depredar, vai no intuito de levar para casa, e a gente ainda não conseguiu conscientizar a população da importância da preservação desses ambientes. Algumas grutas, alguns esconderijos, são mais visitados, são mais conhecidos, à medida que eles vão sendo divulgados, principalmente na internet", analisa.

Outro fator apontado pelas especialistas que é muitos destes ambientes testão dentro de propriedades particulares, como fazendas, sítios ou indústrias. No entanto, a Casa da Cultura de Itapeva abriga alguns dos artefatos achados na região, como pontas de flechas, vasos de cerâmica e outros registros.

Cânions Paulistas se estendem por 260 quilômetros na região do sudoeste de SP até o Paraná — Foto: Associação Cânions Paulistas/Divulgação

Atrativos turísticos

Para Regina, a região dos cânions paulistas é privilegiada pela riqueza de seus recursos naturais e pelo potencial turístico. Além das formações rochosas, o território é cortado por rios preservados e reúne diversas cachoeiras que atraem visitantes, especialmente durante o verão.

"Somos privilegiados porque o nosso território é recortado por muitos rios, lindos, diferentes e ainda preservados e limpos. Isso também é um atrativo importante, principalmente no verão, quando muita gente vem conhecer e visitar as cachoeiras, não só de Itararé, mas de toda a região", afirmou a especialista.

Região dos cânions também oferece cachoeiras e rios — Foto: Associação Cânions Paulistas/Divulgação

No entanto, turistar em ambientes como a região dos cânions paulistas exige responsabilidade e respeito às regras de preservação ambiental. Estar acompanhado de guias também é importante, já que estes ambientes possuem fendas e outras características que podem resultar em acidentes.

"Todos os locais, além de alguns serem propriedades particulares, então, você estando com guia, tem uma segurança pra estar nessas propriedades. E são locais com risco, são cânions, são rios, tem muita peçonha. A gente também tem muita pessoa que trabalha com abelha, inclusive de forma irregular. Então, são muitas caixas de abelha às vezes escondidas nos locais. Pode ter muita fenda, você pode estar passando num lugar e sumir lá no meio da fenda", ressalta a turismóloga Michelle Schroder.

"É importante contar com guias de turismo, que orientam os visitantes sobre a preservação ambiental. Também é fundamental planejar a visita e contratar empresas locais para esse tipo de atividade, sempre respeitando as normas dos proprietários das áreas", explicou.

Segundo ela, a região oferece atrações para diferentes perfis de turistas. Além do ecoturismo, é possível praticar esportes de aventura, como aquatrek, boia cross e rapel, aproveitando os rios e paredões naturais da região.

"Temos, além do ecoturismo, atividades como aquatrek, boia cross e rapel. Também temos uma história muito rica, marcada pela Revolução Constitucionalista de 1932, além do turismo rural, que valoriza a cultura local. Na região dos Cânions Paulistas existem dois quilombos que também preservam essa história e tradição", afirmou.

A diversidade de atrações faz com que a região receba visitantes com interesses variados ao longo do ano.

"Recebemos desde turistas que vêm para pedalar nas trilhas até aqueles interessados nas cachoeiras, na história dos quilombos e na cultura local. No inverno, o montanhismo também é muito forte. São vários perfis de turistas que recebemos na região", concluiu.

Turistas em cima de pedra nos cânions na região de Bom Sucesso de Itararé (SP) — Foto: Associação Cânions Paulistas/Divulgação

A vista e o caminhar

Você já imaginou como é caminhar sobre um cânion e observar de perto uma formação construída ao longo de milhões de anos? A geóloga Victoria explica essa experiência por dois pontos de vista: o de quem visita o local e o de quem analisa a paisagem pela ciência.

"Você entra num lugar, você encontra as pedras, assim, você anda no nível das pedras e há um relevo, a gente chama de relevo ruiniforme, como se formassem ruínas. E tem morrinhos, são diferentes feições que a gente vê ali e a amplitude do cânion é muito grande. Então você vê como a natureza é gigantesca e belíssima, e aí você se sente bem pequenininho, perto de todas essa belezas", descreve.

Do ponto de vista geológico, a paisagem revela a história da formação das rochas ao longo de milhões de anos.

"Tecnicamente falando, quando a gente está no cânion, a gente encontra esses arenitos que formam, são várias camadas. É como se ele fosse um 'bolo' de diferentes camadas que são empilhadas ao longo dos milhões de anos, e aí a gente encontra essas camadas de diferentes cores. Essas cores, elas refletem, se tem ferro, se tem potássio na composição dessas rochas", complementa.

Cânions Paulistas se estendem por 260 quilômetros na região do sudoeste de SP até o Paraná — Foto: Associação Cânions Paulistas/Divulgação

Tema de documentário

"Em cada episódio, a gente entrevistou três personagens que representavam um pouco a cultura local. E o que a gente tentou mostrar é como a relação entre paisagem e homem está muito implicada. As ceramistas, elas estão trabalhando com o barro e elas falam que elas são o barro. Entrevistamos dois arqueólogos. E esse documentário começa com um mateiro, que podemos também chamar de trilheiro, que é um guia muito importante, que conta a história desses caminhos que se percorriam para chegar de uma cidade para a outra. Hoje, são nossas trilhas turísticas", detalha Carolina.

A série documental completa pode ser conferida na internet.

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Offene Fragen

  • Quais são os planos futuros para o desenvolvimento turístico sustentável da região?
  • Como a expansão da silvicultura impacta a longo prazo a biodiversidade local?
  • Quais medidas estão sendo tomadas para divulgar e proteger os achados arqueológicos?

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This article was originally published by G1.

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