Crea aponta escavação fora das normas em obra que matou empresário e três pedreiros soterrados no ES
Auf einen Blick
- O Crea-ES concluiu que a obra em Cariacica, ES, onde o empresário Vanderson Santana André e três pedreiros morreram soterrados, foi executada com escavação fora das normas técnicas e sem responsável técnico.
- A obra, embargada há um ano, foi retomada irregularmente.
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Quatro pessoas morreram soterradas em uma obra de ampliação de uma distribuidora de bebidas em Cariacica, ES, após um barranco ceder. A obra foi considerada irregular e fora das normas técnicas pelo Crea-ES.
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) apontou que a escavação da obra onde morreram soterrados o empresário Vanderson Santana André, de 35 anos, e os pedreiros Ronival Moreira de Jesus, Ruan Moreira da Luz e Valdomiro Moreira de Jesus era executada fora das normas técnicas. Imagens mostram o momento do deslizamento.
Os quatro morreram na tarde de sexta-feira (31), após um barranco ceder durante a ampliação de uma distribuidora de bebidas em Nova Rosa da Penha II, em Cariacica, na Grande Vitória. O dono da obra era o empresário que também morreu no local. A família dele não quis falar com a reportagem.
Após vistoria realizada neste sábado (1º), técnicos do Crea-ES concluíram que o terreno havia sido escavado com um corte praticamente vertical, situação considerada incompatível com as normas de segurança para esse tipo de obra.
Segundo o engenheiro fiscal do Crea-ES, Giuliano Battisti, cortes para aterros, taludes ou construção de muros de arrimo precisam obedecer a inclinações previstas em normas técnicas.
"Um corte feito totalmente reto, com 90º , coloca totalmente em risco tanto os imóveis acima quanto quem está trabalhando abaixo. Esse tipo de intervenção segue normas que determinam as inclinações dos cortes. O que vimos foi um corte de 90º, totalmente fora das normas de segurança e das normas técnicas", afirmou.
Além das irregularidades na escavação, o Crea-ES alertou que o terreno permanece instável e que as condições climáticas podem aumentar o risco de novos deslizamentos.
Durante a fiscalização, o Crea-ES também identificou indícios de que a obra era executada sem responsável técnico.
De acordo com Battisti, existia um projeto inicial para a construção do muro de arrimo, mas ele não teve continuidade. A partir disso, segundo o engenheiro, a obra teria avançado sem acompanhamento técnico.
"Existiu um projeto no início, mas ele não foi aceito da maneira como foi proposto pelos contratantes. O profissional não deu continuidade ao projeto e o trabalho foi desenvolvido sem responsabilidade técnica, nem de execução nem de projeto. Até o momento, essa é a informação que conseguimos levantar. Pelas informações apuradas, o objetivo era aproveitar melhor o terreno", explicou.
A Defesa Civil Municipal informou que a obra havia sido embargada cerca de um ano antes do acidente, com determinação de paralisação imediata dos serviços.
Em nota, a Prefeitura de Cariacica afirmou que não houve falha na fiscalização e que o responsável retomou a obra de forma irregular cerca de uma semana antes do desabamento.
Com o deslizamento, a Defesa Civil interditou três imóveis por tempo indeterminado: a distribuidora onde a obra era realizada, um galpão vizinho e um prédio de dois andares construído acima do barranco.
Sete pessoas de uma mesma família tiveram que deixar o imóvel e estão hospedadas na casa de parentes.
Segundo Battisti, a atuação inicial do Crea-ES é orientar os moradores afetados e acompanhar as medidas necessárias para garantir a segurança da área.
O engenheiro explicou que o prédio não foi condenado, mas somente poderá ser reocupado após a estabilização do terreno e a emissão dos laudos técnicos.
"Os fatores climáticos, não só a chuva, mas também o sol, o vento e essa variação impactam na estabilidade. Por isso, precisa ser feito um trabalho de engenharia para estabilização. Só depois da intervenção e com os laudos dos profissionais e dos órgãos competentes é que o imóvel poderá voltar a ser ocupado", disse.
A Polícia Civil informou que as circunstâncias do acidente são investigadas pela Delegacia Especializada de Acidentes de Trabalho (Deat).
A Polícia Científica informou que foi acionada às 16h16 de sexta-feira (31) para atender à ocorrência. Os corpos das quatro vítimas foram encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML), em Vitória, e posteriormente liberados para os familiares.
O empresário Vanderson Santana André era proprietário da distribuidora onde acontecia a obra. Também morreram os pedreiros Ronival Moreira de Jesus, o filho dele, Ruan Moreira da Luz, e o tio da família, Valdomiro Moreira de Jesus, que trabalhavam juntos na construção.
Os quatro foram sepultados na tarde de sábado (2).
O empresário Vanderson Santana André era dono da distribuidora onde a obra era realizada. Horas antes do acidente, ele publicou nas redes sociais vídeos mostrando a rotina da empresa e o andamento da ampliação do estabelecimento.
Também morreram os pedreiros Ronival Moreira de Jesus, o filho dele, Ruan Moreira da Luz, e o tio da família, Valdomiro Moreira de Jesus, que trabalhavam juntos na construção. Os três moravam em Nova Rosa da Penha II e eram conhecidos na comunidade.
Worauf zu achten ist
KI-Ausblick — Möglichkeiten, keine Fakten
A Polícia Civil continuará investigando as circunstâncias do acidente.
Sehr wahrscheinlich · Innerhalb von Monaten
Offene Fragen
- Quem é o responsável pela retomada irregular da obra?
- Quais serão as consequências legais para os envolvidos?
- Quando o terreno será estabilizado para o retorno dos moradores?







