Economista Eduardo Giannetti analisa fim da hiperglobalização e oportunidades para o Brasil
Em entrevista à TV Brasil, especialista em economia discute guerra tarifária, ascensão da extrema direita e mudanças climáticas como crise civilizatória
Auf einen Blick
- O escritor e economist Eduardo Giannetti avalia em entrevista à TV Brasil que a desestabilização de rotas comerciais como o Estreito de Ormuz e a guerra tarifária dos EUA sinalizam o fim da hiperglobalização.
- O especialista analisa que a financeirização cresceu de 1 dólar por dólar de PIB para 9 a 12 dólares, e que a entrada de trabalhadores asiáticos no mercado global devastou a classe trabalhadora ocidental, contribuindo para a ascensão da extrema direita.
- O Brasil, segundo ele, tem oportunidade histórica de se reposicionar com seus recursos naturais, biodiversidade e minerais críticos.
KI-generierte Zusammenfassung
Warum es wichtig ist
A entrevista aborda transformações profundas na economia global, desde a crise de 2008 e a pandemia de Covid-19, que aceleraram o fim da hiperglobalização. O período foi marcado por intensa financeirização e pela entrada de centenas de milhões de trabalhadores asiáticos na economia mundial, transformando completamente a dinâmica de produção e trabalho.
A desestabilização de rotas comerciais como Estreito de Ormuz e a guerra tarifária promovida pelos Estados Unidos são sinais de uma ordem econômica que chega ao fim, na avaliação do escritor e economista Eduardo Giannetti. Em entrevista à TV Brasil que será exibida no Repórter Brasil, edição das 19h, na segunda (27) e na terça (28), o especialista aborda diversos temas que fazem parte de um cenário internacional marcado por crises e guerras.
"As consultorias internacionais mostram que, para 180 produtos críticos das cadeias globais de produção, há dois ou três fornecedores no mundo. Se você olhar, Taiwan responde por 90% da produção dos chips mais avançados. Então, a partir dessa constatação, há uma busca por diversificação e segurança", resume o economista. "Não é mais a lógica fria de hiperglobalização, que era custo de produção mais baixo, escala, eficiência e concentração num único fornecedor. Mudou".
Eduardo Giannetti relaciona o fim da hiperglobalização a fatos históricos como a crise financeira de 2008 e a Covid. E ressalta a financeirização do período. "Quando nós entramos na hiperglobalização, havia mais ou menos 1 dólar de ativo financeiro para 1 dólar de PIB. Hoje nós estamos com 9 a 12 dólares de ativo financeiro para 1 dólar de PIB", compara. Giannetti acrescenta que só a valorização das ações na bolsa americana, de 2022 a 2026, é algo em torno de 2 trilhões de dólares. E metade desse valor está em 10 empresas ligadas à tecnologia da informação e inteligência artificial.
Para o economist, no entanto, o dado mais importante do período econômico que chega ao fim talvez seja a entrada no mercado de trabalho e consumo de centenas de milhares de trabalhadores asiáticos de áreas rurais de países como China, Índia, Vietnã e Indonésia. Antes totalmente excluídos da economia mundial, com a hiperglobalização, em pouco tempo, eles se urbanizaram e encontraram empregos. "Isso, para a classe trabalhadora ocidental, foi devastador, porque o poder de negociação, de afirmação de direitos e interesses ficou seriamente tolhido pelo fato de que, se começou a dar problema em Detroit, fecha Detroit e abre Xangai".
Com a China respondendo por um terço da produção industrial do mundo, ele também destaca a melhoria da vida de sua população: "São centenas de milhões de seres humanos que saíram da miséria e entraram no mundo moderno. Agora, isso gerou uma tremenda instabilidade social e política."
A ascensão da extrema direita, acredita, seria em grande medida o ressentimento da classe trabalhadora e da classe média ocidental com essa perda de segurança e de poder de barganha. "Não é só isso, mas isso é um fator de primeira ordem. O que é muito curioso é que essa ascensão da direita raivosa, populista, nacionalista, não é um fenômeno isolado. É como nos anos 30 do Século 20. Ela acontece em muitos países ao mesmo tempo", analisa.
Com o fim da hiperglobalização, o país tem a oportunidade histórica de se repensar e se reposicionar economicamente, acredita o economista. "Agora, o mundo vai buscar segurança, diversificação, e nós temos uma dotação de recursos naturais e de amenidades ambientais e de energia, de matérias primas e de minerais, que o mundo vai precisar dramaticamente. A gente tem que saber usar esse ativo a nosso favor."
O economist sublinha a biodiversidade como um dos trunfos do Brasil, que conta com grande potencial para atender à demanda crescente por alimentos, minerais críticos e terras raras. "O que a gente tem que saber é aproveitar essas vantagens comparativas, industrializando-as para não virar exportador de bens primários 'in natura', que é um caminho muito limitado, muito curto. O fato de haver potências disputando entre si o acesso a isso que nós temos nos ajuda demais, porque nós podemos negociar termos melhores", pontua.
Além do fim da hiperglobalização, Giannetti também destaca que a humanidade atravessa uma crise civilizatória. Para ele, as mudanças climáticas são a maior ameaça à espécie humana no Século 21, que vem acompanhada de negacionismo. "É muito confortável você fingir que o problema não existe. Só que os governos podem ignorar a questão climática o quanto eles quiserem, mas a questão climática não vai ignorá-los e não vai nos ignorar. A realidade da mudança climática hoje é incontornável pela frequência de eventos climáticos extremos."
Trata-se de uma questão a ser resolvida de dois modos, acredita o economista: pela via preventiva, de modo a minimizar os custos que de qualquer modo serão altos, ou pela "via dolorosa, que é o agravamento da situação a tal ponto, que se torne imperativo algum tipo de ação. E ai o custo será muito mais alto do que precisaria ter sido", conjectura.
Worauf zu achten ist
KI-Ausblick — Möglichkeiten, keine Fakten
O mundo buscará segurança e diversificação de fornecedores, beneficiando países com recursos naturais como o Brasil
Sehr wahrscheinlich · Innerhalb von Monaten
A competição entre potências pelo acesso a recursos naturais brasileiros permitirá melhores termos de negociação
Wahrscheinlich · Innerhalb von Monaten
Os custos das mudanças climáticas serão muito mais altos se não houver ação preventiva
Sehr wahrscheinlich · Innerhalb von Jahren
Offene Fragen
- Quais políticas específicas o Brasil deveria implementar para industrializar seus recursos naturais?
- Como exatamente o governo brasileiro pretende negociar com as potências disputando recursos?
- Quais setores específicos teriam maior capacidade de atração de investimentos pós-hiperglobalização?
