Estudo da WWF Brasil: exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode gerar perda de R$ 47 bilhões
Pesquisa compara rota de combustíveis fósseis com eletrificação e biocombustíveis usando metodologia de custo-benefício recomendada pelo TCU
Auf einen Blick
- Estudo da WWF Brasil revela que escolher a exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode custar ao Brasil R$ 47 bilhões em receita e benefícios perdidos em comparação com investimentos em energia renovável e biocombustíveis.
- A análise de 40 anos mostra que a rota petrolífera geraria perda líquida de R$ 22 bilhões ao considerar externalidades como emissões de 446 milhões de toneladas de CO₂.
- Já a eletrificação traria retorno positivo de R$ 25 bilhões e biocombustíveis seriam R$ 29,3 bilhões mais baratos que combustíveis fósseis.
KI-generierte Zusammenfassung
Warum es wichtig ist
A Margem Equatorial, especialmente a bacia da Foz do Amazonas, e a nova fronteira de exploracao de petroleo e gas no Brasil, com potencial estimado de 30 bilhoes de barris. A Petrobras considera a producao essencial para evitar importacoes de petroleo apos 2030.
Ao optar pela exploracao de petroleo na Foz do Amazonas, o Brasil podera abrir mao de R$ 47 bilhoes em receita e beneficios que poderiam ser gerados na escolha por energia renovavel e biocombustiveis, diz estudo inéditas da WWF Brasil, lancado nesta quinta-feira (23). O montante soma as perdas de R$ 22,2 bilhoes estimadas para o investimento em combustiveis fosseis na Margem Equatorial aos R$ 24,8 bilhoes que o pais deixaria de lucrar pela ausencia de investimentos na rede de eletrificacao.
Perdas e ganhos
Para entender o que o pais pode ganhar e perder ao investir em uma nova fronteira petrolifera em um contexto de transicao energetica acelerada e riscos crescentes, o estudo promovido pelo WWF-Brasil usou como metodologia a Analise Socioeconomica de Custo-Beneficio (ACB). E a mesma medicao recomendada pelo Tribunal de Contas da Uniao para avaliacao de grandes investimentos publicos.
De acordo com Daniel Tha, consultor da WWF-Brasil, e um metodo bastante sistematico e comparativo com criterios objetivos, baseados em evidencias, transparentes e comparaveis, em uma perspectiva de longo prazo. "E uma analise que nao esta focada no lucro do investidor privado ou no imposto que o governo recolhe. Esta balizada no retorno para todos os atores da sociedade, incluindo governo, empresa e familias", explica.
Bacia do Foz do Amazonas
O estudo partiu de um cenario de desempenho produtivo da bacia do Foz do Amazonas, em um periodo de 40 anos, considerando os dez primeiros anos necessarios a exploracao para identificar e comprovar o petroleo, alem de desenvolver a nova frente de extracao do recurso.
Nos 30 anos seguintes, com o inicio da operacao, foram levantados investimentos compativeis com o mercado e o preco do petroleo no longo prazo, a partir de 2036, quando os barris estariam disponiveis no mercado. A reserva considerada seria de 900 milhoes de barris de petroleo, com a capacidade de explorar 120 mil barris ao dia a partir de 20 pocos exploratorios.
Partindo do ponto de vista exclusivamente financeiro, descontados os custos das operacoes, as empresas teriam lucro, a partir do valor de venda de US$ 39 por barril. Atualmente, o barril de petroleo esta em torno de US$ 100.
Segundo Daniel Tha, o lucro seria mais ou menos vantajoso conforme as acoes climaticas adotadas pelo pais. "As petroleiras dependem muito de um mundo sem acao climatica suficiente para terem lucro", diz.
Efeitos
O calculo inclui ainda o custo social do modelo adotado na Foz do Amazonas tendo como principal efeito colateral as emissoes de gases de efeito estufa, conforme criterios da Agencia Internacional de Energia. "Nos conseguimos, a partir do desenho desse modelo representativo, estimar emissoes de 446 milhoes de toneladas de CO2 equivalente. A maior parte na fase de consumo dos combustiveis", explica o consultor da WWF-Brasil.
O montante das emissoes, apenas considerando o custo social do carbono, pode variar de R$ 21 a R$ 42 bilhoes em prejuisos gerados a populacao.
Na pratica, ao considerar prejuisos como esses, os pesquisadores chegaram a conclusao de que o saldo liquido da nova frente petrolifera na Foz do Amazonas geraria perda de R$ 22,2 bilhoes em 40 anos. "A adicao dessas externalidades faz com que a somatoria dos custos de exploracao e producao mais as externalidades nao sejam superadas pelo volume de beneficios que e gerado", explica Daniel Tha.
Cenarios
A partir desse modelo, a rota do petroleo foi comparada a outros dois sistemas com os mesmos parametros de investimentos, quantidade de energia entregue, volume de combustivel e risco de mercado nos mesmos 40 anos.
O estudo adota como premissa que a demanda social e por energia, e nao pelo petroleo em si. Para viabilizar a comparacao entre diferentes fontes, a producao media anual de petroleo foi convertida em uma unidade de medida equivalente, totalizando 48,63 TWh/ano. Essa metrica serve como base para avaliar se alternativas, como a eletrificacao, podem entregar o mesmo servico energetico com custos e impactos reduzidos.
Para o cenario de eletrificacao foram considerados 50% de eolica em solo, 42% de solar fotovoltaica, 4% de biomassa -bagaco de cana - e 4% de biogas previstos no ultimo Plano Decenal de Expansao de Energia. "Desvendamos que essa rota de eletrificacao, que e imediata e nao precisa esperar os dez anos de exploracao da rota do petroleo, traria um retorno positivo para sociedade, ou seja mais beneficios que custos e externalidades, de quase R$ 25 bilhoes", afirma Daniel Tha.
Para o terceiro cenario que trabalha com os biocombustiveis, a gasolina foi comparada ao etanol, o diesel ao biodiesel, o combustivel de aviação ao SAF (sigla em ingles para combustivel sustentavel de aviação) e o gas de petroleo foi comparado ao biometano. Apesar de apresentarem custos mais altos em comparacao ao do petroleo, o prejuiso das externalidades (efeitos colaterais) foi menor, explicam os cientistas. Isso faz com que a soma desse cenario chegue a um custo 29,3 bilhoes menor do que o da rota de combustiveis fosseis.
Petrobras
A Margem Equatorial, especialmente a bacia da Foz do Amazonas, e a nova fronteira de exploracao de petroleo e gas no Brasil, com potencial estimado de 30 bilhoes de barris de petroleo. Localizada entre o Amapa e o Para, a regiao e sensivel, com vasta biodiversidade, proxima de rios importantes e da floresta.
Ao mesmo tempo, a area e considerada crucial para substituir o pre-sal pos-2030. Na avaliacao da Petrobras, a producao de oleo a partir da Margem Equatorial e uma decisao estrategica para que o pais nao tenha que importar petroleo no horizonte de dez anos.
Worauf zu achten ist
KI-Ausblick — Möglichkeiten, keine Fakten
Debate sobre exploracao petrolifera na Foz do Amazonas deve se intensificar no Congresso Nacional
Wahrscheinlich · Innerhalb von Monaten
Petrobras pode ser pressionada a revisar planos de investimento na Margem Equatorial
Möglich · Innerhalb von Monaten
Offene Fragen
- O governo federal adotara as recomendacoes do estudo?
- A Petrobras alterara seus planos de exploracao?
- Como ficara a questao da seguranca energetica nacional?





