EUA e Irã: A Guerra que Terminou sem Alcançar Objetivos Políticos
Auf einen Blick
- Os EUA apresentaram ao Irã exigências como o fim do enriquecimento de urânio e limites a mísseis.
- Apesar de vitórias táticas no campo de batalha, os objetivos políticos de EUA e Israel não foram alcançados, com o Irã mantendo seu regime e programa de mísseis.
KI-generierte Zusammenfassung
Warum es wichtig ist
Os EUA apresentaram ao Irã exigências de desnuclearização, limites a mísseis e corte de apoio a grupos terroristas. Israel buscava mudança de regime e eliminação de ameaças.
Os EUA apresentaram ao Irã três exigências principais: o fim de todo enriquecimento de urânio, com entrega dos 441 kg enriquecidos a 60%, limites rigorosos ao programa de mísseis balísticos e a interrupção completa do financiamento e apoio a grupos considerados terroristas pelos americanos, por Israel e por aliados europeus, como Hamas, Hezbollah e Houthis. O objetivo político dos Estados Unidos era limitar a capacidade do Irã de projetar poder, conforme declarado pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth.
A estratégia é a ponte entre o campo de batalha e o objetivo político. Aqui começa o problema. Na sequência do fechamento do Estreito de Ormuz, as alianças regionais dos EUA foram abaladas. Os aliados de Washington no Golfo Pérsico, que foram alvos de ataques iranianos com mísseis e drones, passaram a se deparar com a perspectiva de ter um vizinho com liderança ainda mais linha-dura e que mantém a capacidade de ameaçá-los com seu arsenal remanescente.
Os objetivos políticos dos EUA eram limitar a capacidade do Irã de projetar poder, por meio da desnuclearização permanente, eliminação do programa de mísseis e corte dos proxies regionais. Neste momento, o resultado é um memorando de entendimento que deixa para uma discussão posterior os temas espinhosos do programa nuclear iraniano e o financiamento a grupos considerados terroristas, mesmo oferecendo um alívio econômico ao regime que se desejava derrubar.
Quanto aos objetivos políticos de Israel: mudança de regime, destruição do programa nuclear e eliminação das ameaças existenciais. O resultado evidente é que regime iraniano não colapsou. Mesmo tendo apoio de apenas 15% da população e sendo abertamente opressivo contra os próprios cidadãos. O Irã rejeitou incluir seu programa de mísseis nas discussões. Não há como chamar isso de vitória política.
A cena mais reveladora é sintomática: Netanyahu estava reunido com o gabinete de segurança em um bunker, preparado para a possibilidade de mísseis balísticos iranianos atingirem o local, quando Trump ligou para informar que a guerra estava efetivamente encerrada. Quando Netanyahu finalmente se pronunciou sobre o memorando, já haviam se passado horas desde que outros políticos israelenses se manifestaram.
A partir dos critérios de Clausewitz, Estados Unidos e Israel saem perdendo politicamente. Venceram no campo de batalha, mas se a guerra terminar desta forma, ela não terá feito seus objetivos políticos serem alcançados. A guerra ainda pode continuar por sabotagem do Hezbollah e de Israel, é verdade. Mesmo o Irã e os Estados Unidos podem violar o que está sendo acordado. Mas se o encerramento proposto se concretizar, não há outra conclusão possível.
Há aqui o paradoxo clausewitziano: o Estado que foi militarmente derrotado (o Irã perdeu seu líder supremo, a Marinha de guerra e o que restava de sua Força Aérea, já depredada pelas sanções) saiu da guerra com o regime renovado, o programa de mísseis mantido e o apoio aos proxies, inclusive exigindo a cessação das hostilidades de Israel com o Hezbollah. A guerra como instrumento político funcionou melhor para o derrotado militarmente do que para os vencedores táticos.
Conforme mencionado acima, o Irã teve sua Marinha e sua Força Aérea fortemente alvejadas, mas mantém seu exército de mais de 610 mil militares na ativa e 350 mil reservistas. É um país montanhoso, com 92 milhões de habitantes. Além disso, possui de 2 mil a 6 mil minas navais, uma indústria própria de drones e até de dois terços de seu estoque de mísseis foi preservado, segundo relatórios da CIA. Para se obter os objetivos políticos traçados pelos atacantes para essa guerra, seria necessário ocupar o território iraniano. Seria uma guerra de ocupação, que provavelmente se estenderia por anos, que seria contrária a tudo que Trump criticou durante décadas nas guerras do Iraque e do Afeganistão e que Israel não teria condições de fazer sozinho, servindo apenas como apoio aos EUA. Trump também precisaria de autorização do Congresso, que dificilmente obteria, dada a impopularidade dessa guerra nos EUA, apoiada por apenas um quarto da população.
Quanto à esfera militar, a Marinha dos Estados Unidos não pode justificar que não esperava por um fechamento do Estreito de Ormuz, o principal centro de gravidade dessa guerra. Isso já ocorreu antes, durante a “Guerra dos Petroleiros”, quando foi necessária uma missão de 14 meses dos EUA, apoiados por França e Reino Unido, inserida na Operação Earnest Will (de julho de 1987 a setembro de 1988) para reabrir o Estreito.
O memorando parece ficar muito aquém em vários dos objetivos que estão na origem do conflito, o que deixa o próprio presidente Trump vulnerável a críticas dentro do Partido Republicano (que já ocorrem), e os EUA numa situação estratégica pior do que a de antes da guerra.
O arcabouço de Clausewitz nos conduz a algumas das lições mais antigas e mais obstinadamente ignoradas na história militar: quando a política não governa a estratégia do início ao fim. Quando os objetivos políticos são declarados sem que a vontade de os sustentar até o fim seja equivalente, quando dois aliados entram em uma guerra com fins distintos, sem resolver essa divergência antes de disparar o primeiro projétil, a vitória tática pode se dissolver e deixar de conduzir aos objetivos estratégicos e políticos.
Worauf zu achten ist
KI-Ausblick — Möglichkeiten, keine Fakten
Guerra pode continuar por sabotagem entre Hezbollah e Israel.
Möglich · Innerhalb von Monaten
EUA e Irã podem violar os acordos.
Möglich · Innerhalb von Monaten
Offene Fragen
- O Irã cumprirá o acordo?
- Haverá novas hostilidades?
- Qual o futuro das alianças regionais?






