Grupo de corrida transforma vidas em Paraisópolis e combate racismo no esporte
Auf einen Blick
- Luigi Santos Silva e Luis Gustavo lideram o 011 Corre, grupo de corrida em Paraisópolis, São Paulo, que transformou suas vidas e a de cerca de 500 moradores.
- A iniciativa promove disciplina, autoestima e saúde, mas enfrenta desafios como o custo do esporte e o racismo enfrentado por corredores negros.
KI-generierte Zusammenfassung
Warum es wichtig ist
O 011 Corre, fundado por Luigi Santos Silva e Luis Gustavo em Paraisópolis, São Paulo, visa incentivar a corrida na comunidade, transformando vidas através da disciplina, foco e autoestima.
A corrida mudou a vida de Luigi Santos Silva, de 23 anos, analista de suporte em TI, e de Luis Gustavo, de 25 anos, cozinheiro e fotógrafo. Na adolescência, os dois dizem que viviam "sem direção". Hoje, lideram o 011 Corre, grupo que reúne moradores de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, em torno da prática esportiva.
Criado em janeiro deste ano, o movimento nasceu com um objetivo: incentivar outras pessoas da comunidade a correr. Poucos meses depois, a iniciativa reúne cerca de 500 participantes cadastrados, com 100 a 150 pessoas em cada treino oficial.
"O que no início parecia apenas uma atividade física rapidamente se tornou algo muito maior. A corrida nos trouxe disciplina, foco, propósito, autoestima e uma nova forma de enxergar a vida", afirma Luigi.
Das redes sociais para as ruas
Antes mesmo da criação do grupo, Luigi e Gustavo já compartilhavam nas redes sociais os treinos que faziam juntos.
Com o tempo, moradores começaram a perguntar como eles haviam iniciado na corrida, como conseguiram mudar de vida e de que forma poderiam começar também. Foi quando perceberam que a própria trajetória poderia inspirar outras pessoas.
"Muitas pessoas passaram a nos enxergar como referência. Elas pediam ajuda, orientação e companhia para dar os primeiros passos. Entendemos que nossa história não era só nossa."
A ideia do grupo surgiu após a publicação de um story convidando moradores de Paraisópolis para uma corrida coletiva. Os organizadores abriram uma enquete para medir o interesse. Desde então, o crescimento foi espontâneo. "O retorno nos surpreendeu. Recebemos muito mais respostas do que imaginávamos."
Segundo os organizadores, grande parte dos participantes nunca havia integrado um grupo de corrida. Hoje, o 011 Corre reúne desde adolescentes a partir de 16 anos até adultos com mais de 40 anos.
"Tem gente que chega dizendo que nunca conseguiu correr 1 km. Quando percebe, já está correndo 5 km com a gente", diz Luigi.
Para os organizadores, correr vai muito além do exercício físico. A prática tem ajudado moradores a criar rotina, fortalecer a autoestima, cuidar da saúde mental e construir uma rede de apoio dentro da comunidade.
Luigi afirma que muitos moradores da periferia deixam de praticar esportes não por falta de vontade, mas por ausência de oportunidades.
"Muitas vezes faltam incentivo, espaços seguros e referências. Quando ninguém parecido com você ocupa determinado espaço, é natural pensar que aquele lugar não é para você. A principal barreira é acreditar que a corrida não pertence à periferia."
Além da questão financeira, ele cita a insegurança, a falta de tempo e o medo de começar sozinho como obstáculos frequentes.
Racismo durante a corrida
Para Mike Johnnatan, de 30 anos, analista e desenvolvedor de sistemas, morador de Paraisópolis e corredor há dois anos, o esporte representa qualidade de vida e superação.
Ao completar 30 anos, ele estabeleceu uma meta simbólica. "Decidi correr 30 quilômetros. Foi uma promessa para mim e uma das maiores realizações que tive na corrida."
Apesar da paixão pelo esporte, Mike afirma enfrentar situações de racismo durante os treinos. Segundo ele, já foi abordado diversas vezes pela polícia durante corridas, enquanto corredores brancos que estavam próximos não eram parados.
"Existe esse imaginário racista de que pessoas negras não podem correr, se não é criminoso."
Durante as abordagens, ele conta que frequentemente precisa mostrar o relógio esportivo para comprovar que estava treinando.
O custo para começar
Outro desafio apontado pelos corredores é o investimento necessário para iniciar no esporte. Mike afirma que possui tênis, roupas adequadas, relógio esportivo, boné e acessórios, mas lembra que montar um kit completo pesa no orçamento. "O básico já é caro. Imagine ter tudo..."
Quanto custa um kit básico para corrida?
👟 Tênis de corrida: a partir de R$ 250
👕 Camiseta dry fit + short: a partir de R$ 170
🧦 Meia esportiva: a partir de R$ 20
💧 Garrafa ou squeeze: a partir de R$ 15
🧴 Protetor solar: a partir de R$ 60
Total estimado: R$ 515
🛍️ Itens adicionais
⌚ Relógio esportivo: a partir de R$ 300
📱 Pochete ou cinto de corrida: a partir de R$ 40
🧢 Boné ou viseira: a partir de R$ 60
🕶️ Óculos esportivos: a partir de R$ 130
Total dos itens adicionais: R$ 530
💳 Kit completo (básico + adicionais): aproximadamente R$ 1.045.
SERVIÇO:
Corra com o 011 Corre
📍Ponto de encontro: AMA Paraisópolis | Rua Silveira Sampaio, 160 – Jardim Morumbi, Paraisópolis, Zona Sul
📅 Treino oficial: todas as segundas-feiras
🕗 Horário: 20h
Além dos treinos oficiais, o grupo também promove outras atividades:
Clandestinos: corridas organizadas espontaneamente pelos integrantes durante a semana, por meio do grupo de mensagens.
011 Corre por Elas: realizado no terceiro domingo de cada mês, é um treino exclusivo para mulheres, conduzido pelas integrantes da equipe feminina. Os homens participam apenas como apoio e segurança. O encontro também conta com fitdance, sorteios e outras ativações.
Offene Fragen
- Como o grupo planeja superar as barreiras financeiras para novos participantes?
- Quais ações o 011 Corre toma para combater o racismo enfrentado pelos corredores?
- Há planos para expandir o grupo para outras comunidades?


