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Matão (SP) se prepara para receber mais de 50 mil visitantes para a festa de Corpus Christi
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Matão (SP) se prepara para receber mais de 50 mil visitantes para a festa de Corpus Christi

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Os tradicionais tapetes de Corpus Christi voltam a colorir as ruas do Centro de Matão (SP) nesta quinta-feira (4).

A celebração, uma das mais conhecidas do país, espera atrair mais de 50 mil visitantes e reúne missas, apresentações culturais, shows musicais e a tradicional procissão (veja a programação).

A confecção dos tapetes começa ainda de madrugada, por volta das 3h, e reúne grupos de voluntários ao longo de 12 quarteirões no entorno da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus. Ao todo, cerca de 1.200 metros de ruas serão decorados com dolomita colorida e outras técnicas artísticas.

Após a última missa do dia, marcada para as 15h, fiéis, sacerdotes e representantes das paróquias participam da procissão que percorre os tapetes em um momento de oração e reflexão. Neste ano, o tema da festa é "Eucaristia: a morada de Deus entre nós!".

Centenas de voluntários ajudam na montagem dos tradicionais tapetes de Corpus Christi em Matão — Foto: Fabio Rodrigues/g1

O que significa Corpus Christi?

Celebrada pela Igreja Católica desde 1264, a festa de Corpus Christi acontece cerca de 60 dias após a Páscoa e tem como principal objetivo celebrar a Eucaristia, um dos pilares da fé católica.

Segundo o padre João Innocêncio da Costa, da Igreja Matriz Senhor Bom Jesus, a data representa a presença de Cristo na vida dos fiéis.

"É a expressão máxima da nossa fé e da vida fundamentada em Jesus Cristo ressuscitado, vencedor da morte e do pecado", afirmou.

Centenas de voluntários ajudam na montagem dos tradicionais tapetes de Corpus Christi em Matão — Foto: Fabio Rodrigues/g1

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Como surgiram os tapetes em Matão

Centenas de voluntários ajudam na montagem dos tradicionais tapetes de Corpus Christi em Matão — Foto: Fabio Rodrigues/g1

A tradição de enfeitar as ruas para a passagem da procissão tem origem em Portugal e chegou a Matão em 1948.

De acordo com o coordenador artístico dos Tapetes de Corpus Christi, Élio Floriano, tudo começou quando famílias que moravam ao redor da paróquia, junto com o padre da cidade, decidiram decorar o trajeto da procissão.

Nos primeiros anos, os tapetes eram confeccionados com flores de mangueira, bico-de-papagaio e primavera. Com o tempo, os moradores passaram a utilizar materiais encontrados na própria região, como bagaço de cana, palha de arroz, serragem, sal, açúcar, casca de ovo e tampinhas de garrafa.

Do vidro à dolomita

Centenas de voluntários ajudam na montagem dos tradicionais tapetes de Corpus Christi em Matão — Foto: Fabio Rodrigues/g1

No fim da década de 1950, o vidro moído passou a ser o principal material utilizado na produção dos tapetes.

Segundo Floriano, a descoberta aconteceu de forma acidental, mas rapidamente conquistou os participantes por oferecer vantagens importantes. Além de mais brilhante, o material era mais pesado e resistente ao vento, ajudando a preservar os desenhos durante a procissão.

A fama dos tapetes ganhou impulso em 1961, quando a revista “O Cruzeiro” publicou uma reportagem sobre a celebração. A divulgação ajudou a transformar Matão em uma referência nacional nas comemorações de Corpus Christi.

Com o crescimento do evento, a prefeitura passou a auxiliar na produção dos materiais e na estrutura necessária para a realização da festa, em parceria com a comunidade católica.

Desde 2007, o vidro foi substituído pela dolomita, um tipo de calcário em pó utilizado na composição dos desenhos. A areia também é bastante empregada pelos artistas para criar efeitos e combinações de cores.

Arte que ajuda a contar histórias

Procissão de Corpus Christi em Matão — Foto: Fabio Rodrigues/g1

Além da participação dos moradores, os artistas têm papel fundamental na construção dos tapetes.

São eles os responsáveis pelos grandes painéis que retratam passagens bíblicas e símbolos ligados à Eucaristia. Segundo Élio Floriano, os primeiros desenhos eram predominantemente geométricos e feitos pelos próprios moradores.

Os quadros artísticos começaram a ganhar destaque em 1958. O primeiro deles foi criado pelo artista Victório D'Agostino, que produziu a obra ao lado das filhas.

Atualmente, cada trecho da decoração combina o trabalho da comunidade com a criação artística, formando um grande percurso de fé e expressão cultural.

Uma tradição que atravessa gerações

Centenas de voluntários ajudam na montagem dos tradicionais tapetes de Corpus Christi em Matão — Foto: Fabio Rodrigues/g1

Para Élio Floriano, o Corpus Christi é uma das manifestações mais importantes da cidade por unir religião, arte e participação popular.

A celebração mantém viva uma tradição centenária da Igreja Católica, na qual o Santíssimo Sacramento deixa o interior do templo e percorre as ruas da cidade em um gesto público de adoração e devoção.

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This article was originally published by G1.

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