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Surucucu-pico-de-jaca filhotes nascem em cativeiro em SP após décadas de tentativas
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Surucucu-pico-de-jaca filhotes nascem em cativeiro em SP após décadas de tentativas

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Frevioca foi um dos cinco filhotes de Lachesis rhombeata nascido no Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan — Foto: Divulgação / Butantan

O nascimento de seis filhotes de surucucu-pico-de-jaca (Lachesis rhombeata), ocorrido entre o fim de 2026 e o início deste ano, é resultado de uma parceria o Laboratório Interdisciplinar de Anfíbios e Répteis (L.I.A.R.) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH)., que enviaram os pais da ninhada para o centro de pesquisa paulista.

O sucesso reprodutivo garante avanços na conservação da espécie, ameaçada de extinção, e na produção de soro contra o veneno do animal.

Veja mais:

Sucesso na parceria

Entre 2022 e 2023, as instituições nordestinas encaminharam ao Instituto Butantan três casais jovens de serpentes surucucu-pico-de-jaca (Lachesis rhombeata). Nativa da Mata Atlântica, a espécie é classificada como vulnerável e sofre ameaça de extinção devido à destruição de seu habitat. Ao lado da Lachesis muta, que ocorre na Floresta Amazônica, ela é considerada a maior serpente peçonhenta das Américas.

Quatro ovos da surucucu Olinda foram incubados artificialmente no laboratório — Foto: Instituto Butantan

A fêmea Olinda e o macho Sapoti acasalaram em junho do ano passado, em São Paulo. O cruzamento ocorreu depois de os pesquisadores deixarem o casal separado por três meses no biotério. Como resultado, entre o fim de 2026 e o início deste ano, seis filhotes nasceram no Instituto.

A médica veterinária e pesquisadora científica Kathleen Grego, do Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan, lidera o projeto de reprodução. Ela destaca a importância do nascimento:

"O sucesso na reprodução em cativeiro abre portas para estratégias de repovoamento e manejo genético. Por ser uma serpente peçonhenta, o desenvolvimento e manutenção de populações saudáveis em cativeiro são estratégicos também para a pesquisa científica e a produção de soro antilaquético-botrópico, usado para tratar acidentes com o veneno do animal", explica.

Veja o que é destaque no g1:

A estratégia de separar os pais no biotério por 90 dias surtiu efeito. Para comprovar que o sucesso do pareamento não foi apenas uma coincidência, a equipe vai manter o mesmo protocolo no período reprodutivo de 2026.

Olinda se mantém próxima dos ovos, mesmo quando alguns já se romperam — Foto: Instituto Butantan

Desafios de décadas

O Laboratório de Herpetologia do Butantan tenta a reprodução da espécie há décadas. Na época das primeiras investidas, a equipe esbarrava em entraves como o baixo número de indivíduos, plantéis formados apenas por machos ou só por fêmeas, além da idade avançada das serpentes.

Desde 2015, os pesquisadores já registravam comportamentos reprodutivos da surucucu-pico-de-jaca, mas sem sucesso.

Frevioca é uma homenagem ao caminhão decorado que transportava a orquestra de frevo pelas ruas de Pernambuco no carnaval — Foto: Instituto Butantan

"O maior desafio sempre foi lidar com a quantidade limitada de animais no plantel. Como essas serpentes, Lachesis rhombeata e Lachesis muta, são originárias principalmente do Nordeste e do Norte do Brasil, trazê-las para o Instituto Butantan sempre foi uma tarefa complicada. Normalmente, tínhamos apenas dois ou três exemplares ao mesmo tempo, e em algumas ocasiões, todos eram machos ou todas eram fêmeas. Houve um período em que passamos mais de cinco anos com apenas dois machos no plantel, aguardando a chegada de uma fêmea", argumenta a Dra. Kathleen Grego.

Outro obstáculo era oferecer condições ambientais semelhantes às do Nordeste. A solução para adequar a umidade e a temperatura foi a instalação de climatizadores e aquecedores no biotério.

Nomes e cuidados especiais

Os filhotes receberam nomes que fazem referência ao estado de Pernambuco — origem dos pais — e ao filme brasileiro indicado ao Oscar, "O Agente Secreto". Quatro deles se chamam Sebastiana, Pitomba, Frevioca e Suassuna.

Já os nomes Grego e Timão homenageiam a pesquisadora Kathleen Grego, que cuida do gênero Lachesis no Butantan, e o antigo diretor Wilson Fernandes, que iniciou as tentativas de reprodução nos anos 1990. Dos seis filhotes nascidos, apenas Timão não sobreviveu e acabou morrendo.

A filhote de surucucu recebeu o nome de Sebastiana em homenagem à personagem de O Agente Secreto — Foto: Instituto Butantan

As serpentes levam cerca de três anos para se tornarem adultas e continuarão no plantel do Laboratório de Herpetologia.

"Será feito um diário para cada um dos filhotes com todos os detalhes do seu crescimento. Eles são pesados e medidos todos os meses, o peso e a quantidade de roedores ingeridos quinzenalmente são anotados. Será feita uma pesquisa de ontogenia com o veneno, ou seja, verificaremos se o veneno dos filhotes é igual ao dos adultos. Todas as trocas de pele (ecdise) são anotadas; monitoramos diariamente a temperatura e umidade da sala em que estão sendo mantidos e realizaremos exames de sangue a cada seis meses dos filhotes", conclui a pesquisadora.

O êxito da reprodução após décadas só foi possível graças à parceria entre as instituições. É esse trabalho conjunto que garante hoje a preservação da espécie e a segurança da população por meio da produção de soro pelo Instituto Butantan.

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This article was originally published by G1.

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