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Equador aprofunda militarização e parcerias com EUA em meio a estado de exceção e denúncias de autoritarismo
In Entwicklung
Politik·2 g önceKI-Zusammenfassung

Equador aprofunda militarização e parcerias com EUA em meio a estado de exceção e denúncias de autoritarismo

O Equador intensifica a militarização da segurança pública e parcerias com os EUA, concedendo imunidade penal em meio a um estado de exceção. A oposição denuncia perseguição, enquanto movimentos sociais buscam a revogação do mandato do presidente Daniel Noboa, em um contexto de crescente violência e autoritarismo.

A
Agência Brasil Internacional
Árbitro-assistente de vídeo da Copa do Mundo inocentado pela Fifa após gesto de 'OK invertido'
In Entwicklung
Sport·16.06.2026KI-Zusammenfassung

Árbitro-assistente de vídeo da Copa do Mundo inocentado pela Fifa após gesto de 'OK invertido'

O árbitro-assistente de vídeo Shaun Evans foi inocentado pela Fifa após fazer um gesto de 'OK invertido' durante a Copa do Mundo. Evans alegou que o movimento foi involuntário e subconsciente, negando qualquer intenção de comunicar uma mensagem de supremacia branca. A Fifa confirmou que não encontrou evidências de violações do código disciplinar.

G
G1
41 milhões de colombianos vão às urnas para escolher o presidente de 2026 a 2030; Cepeda, Valencia e Espriella aparecem como favoritos
In Entwicklung
Politik·30.05.2026KI-Zusammenfassung

41 milhões de colombianos vão às urnas para escolher o presidente de 2026 a 2030; Cepeda, Valencia e Espriella aparecem como favoritos

Às vésperas da eleição, as pesquisas indicam Iván Cepeda como favorito ao segundo turno, com Paloma Valencia e Abelardo de La Espriella como principais adversários. A votação pode redefinir o alinhamento da Colômbia com os EUA e manter ou ampliar a distância em relação às políticas de paz do governo atual.

A
Agência Brasil Internacional
Welt
06.05.2026

Conheça países da América Latina que reduziram as jornadas de trabalho

A proposta de redução da jornada de trabalho e fim da escala 6x 1 pode fazer o Brasil se juntar à Colômbia, ao Chile e ao México na lista dos países da América Latina que, na última década, reduziram o tempo dedicado ao trabalho. Com exceção da Argentina, governada por Javier Milei, que recentemente permitiu jornadas de até 12 horas diárias de trabalho, países importantes da região vêm reduzindo as jornadas a favor dos trabalhadores.  Notícias relacionadas:Governo lança campanha nacional pelo fim da escala de trabalho 6x1.Ato em São Bernardo mobiliza sindicatos e pede fim da escala 6x1.Comissão Especial da PEC da redução da jornada será instalada amanhã.Na Colômbia, a redução da jornada de 48 para 42 horas semanais foi promulgada em julho de 2021 pelo presidente Iván Duque, um governo de direita. O projeto foi apresentado pelo então senador - e ex-presidente do país - Álvaro Uribe, uma das figuras mais proeminentes da direita latino-americana. A lei prevê a redução gradual da jornada sem redução de salário. A primeira redução foi em 2023, quando caiu para 47 horas semanais. Apenas agora, em julho de 2026, é que a jornada semanal de trabalho na Colômbia deve chegar as 42 horas semanais, cinco anos após a promulgação da lei. O professor de direito e relações internacionais da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o colombiano Sebastián Granda Henao, explica que a direita colombiana tentava dar uma resposta à revolta social que estourou no país em 2019, com protestos em massa. “Foi um processo, de certa maneira, para apaziguar os ânimos, sendo uma resposta à revolta social de 2019, aos anseios populares, evitando uma reforma maior”, explicou. Presidente da Colômbia, Iván Duque - Divulgação/Presidência da Colômbia Henao lembrou ainda que a redução da jornada para 42 horas contou com aval do empresariado, apesar de ter recebido algumas críticas, passando no congresso colombiano sem grandes reações. “Justamente porque foi proposta pela direita, acabou que não houve tanta oposição. Mas eu digo que essa reforma é conservadora. Era também para acompanhar as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, completa. A OIT recomenda a redução das jornadas para 40 horas semanais e tempo máximo de trabalho de até 48 horas na semana, desde que mediante pagamento de horas-extras. O professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), José Dari Krein, destaca que a Colômbia era um ponto “fora da curva” por ainda permitir jornadas de 48 horas semanais. No Brasil, a redução da jornada de 48 para 44 horas foi realizada em 1988, durante a Constituinte, mais de 30 anos antes da Colômbia. “Era um contexto em que a direita estava muito fragilizada politicamente. Foi uma forma de buscar apoio na sociedade com a discussão do processo eleitoral já iniciado, com possibilidade mesmo do [esquerdista Gustavo] Petro ganhar a eleição, pois ele já era favorito nas pesquisas eleitorais”, explica Krein. Em abril de 2021, meses antes da promulgação da nova lei, outra onda de manifestações, ainda mais intensa que a primeira mobilizou a Colômbia, abalando as estruturas políticas do país. Para analistas, foram esses protestos que permitiram a chegada do primeiro governo de esquerda da história colombiana, com Gustavo Petro. Eleito em junho de 2022, Petro ainda aprovou uma reforma trabalhista em junho 2025, com novos direitos, como pagamento de adicional noturno a partir das 19h, e não das 21h, como era antes. Foi instituído ainda pagamento de hora extra, valendo até 100% do valor da hora normal, para trabalho em domingos e feriados e limitação de 8 horas de trabalho por dia.  México   A presidente do México, Claudia Sheinbaum - REUTERS/Henry Romero/Proibida reprodução No México, a redução da jornada de trabalho das atuais 48 horas semanais para 40 horas foi promulgada em março deste ano, em um contexto bastante diferente da Colômbia, por meio do popular governo da esquerdista Claudia Sheinbaum. Ela sucedeu Andrés Manuel López Obrador (2018-2024), também do partido Morena, que rompeu um ciclo de décadas de governos de direitas no México. O professor de ciência política da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Daniel Enrico Martuscelli, especialista em política mexicana, explica que o Morena herda uma crise de representação dos partidos de direita. “Esses governos de esquerda se constituíram como governos de reformas. Atualmente, Sheinbaum tem entre 70% e 80% de aprovação, e sua coalizão tem dois terços do Parlamento, com o Morena com maioria simples. Isso dá uma grande capacidade para realizar reformas no México”, explica. A redução da jornada começa a ser aplicada, sem redução de salário, em janeiro de 2027, de forma gradual, até chegar às 40 horas semanais em 2030. Martuscelli acrescentou que a popularidade do governo permitiu avançar na reforma com uma limitada reação dos setores empresariais, que criticaram a redução da jornada semanal. “A extrema-direita e a direita tradicional ocupam um papel muito residual na política mexicana, com dificuldade de se apresentar como uma força significativa, se comparado ao Brasil. Portanto, qualquer enfrentamento às iniciativas do governo tem alguma dificuldade”, avalia o especialista da UFU. Chile   Protestos no Chile de 2019, Plaza Baquedano, Santiago, Chile. Foto: Carlos Figueroa/ Wikipédia No Chile, a redução da jornada de trabalho foi levada a cabo pelo governo de centro-esquerda de Gabriel Boric. Sancionada em abril de 2023, a lei prevê a redução gradual da jornada das atuais 45 horas para 40 horas semanais, sem redução de salário. Em 2024, a jornada foi para 44 horas. Em abril de 2026, baixou para 42, devendo chegar às 40 horas somente em 2028.  O professor da Unicamp José Dari Krein, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (CESIT), destacou que, assim como na Colômbia, a redução da jornada de trabalho no Chile é um dos efeitos da revolta social chilena que estourou em 2019. “O ponto de virada é o ‘estalido’ social de 2019, que foi um momento de grande mobilização na sociedade chilena, especialmente da juventude, com uma crítica bastante intensa ao projeto neoliberal chileno”, explica. O especialista acrescentou que a eleição do Boric, em dezembro de 2021, foi um resultado dessa revolta social que sacudiu o país dois anos antes. “Ela passou no Congresso por causa da coalizão mais progressista, assim como tinha grande adesão popular e teve pressão dos movimentos sociais e sindicais”, afirma. José Dari Krein diz ainda que houve certa pressão do empresariado contra a medida, com discurso de que isso inviabilizaria a economia do país. Ao mesmo tempo, o projeto acolheu demandas do setor produtivo, como a flexibilidade para distribuição das horas de trabalho ao longo dos dias. “Os setores empresariais, como em qualquer lugar, se mobilizaram contra, sempre fazendo contas de que isso traria custos. O discurso é muito parecido sempre em todos os contextos e lugares”, concluiu. No Brasil, a redução da jornada atual de 44 horas para 40 ou 36 horas semanais, com o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6x1), sofre oposição de setores empresariais, com pesquisas divergindo sobre os efeitos da mudança no Produto Interno Bruto (PIB) e inflação.   

A
Agência Brasil Internacional
Lula fala para milhares na Espanha e pede coerência dos progressistas
Welt
19.04.2026

Lula fala para milhares na Espanha e pede coerência dos progressistas

Em viagem à Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na tarde deste sábado (18), na cidade de Barcelona, na Espanha, da primeira edição do evento Mobilização Progressista Global (MPG). O encontro reúne ativistas e organizações de esquerda de diferentes partes do mundo com o objetivo de defender a democracia com justiça social e combater o avanço da forças autoritárias de extrema-direita. Discursando em um centro de eventos para mais de 5 mil pessoas, incluindo outros chefes de Estado, Lula abriu sua fala dizendo que as pessoas não devem sentir vergonha em se apresentarem como progressistas ou de esquerda no mundo atual. Notícias relacionadas:Papa: estou na África para encorajar católicos, não debater com Trump.Pobres não podem pagar por irresponsabilidade das guerras, diz Lula.Brasil e Espanha assinam acordos sobre big techs e tecnologia digital."Ninguém precisa ter medo, no mundo democrático, de ser o que é, de falar o que precisa falar, desde que se respeite as regras do jogo democrático estabelecidas pela própria sociedade". Ao destacar os avanços que o campo progressista conseguiu alcançar para grupos sociais como trabalhadores, mulheres, população negra e comunidade LGBTQIA+, o presidente ponderou que a esquerda não conseguiu superar o pensamento econômico dominante, abrindo caminho para forças reacionárias ganharem espaço na sociedade. "O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. Ainda sim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende agora que o outro lado se apresente agora como antissistema", afirmou Lula. O primeiro mandamento dos progressistas tem que ser a coerência, reforçou o presidente brasileiro. "Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança do povo, mesmo que boa parte da população não se veja como progressista. Ela quer o que nós propomos. Ela quer comer bem, morar bem, escolas de qualidade, hospitais de qualidade, uma política climática séria e responsável, uma política de meio ambiente à altura. Ela quer um mundo limpo e saudável, um trabalho digno, com jornada de trabalho equilibrada, um salário que permite uma vida confortável", continuou. Segundo Lula, a extrema-direita soube capitalizar o mal-estar das promessas não cumpridas do neoliberalismo.  "Canalizou a frustração das pessoas inventando mentiras e mais mentiras, falando das mulheres, dos negros, da população LGBTQIA+, dos imigrantes, ou seja, todas as pessoas mais necessitadas, que passaram a ser vítimas do discurso de ódio", completou. Mais cedo, ainda em Barcelona, o presidente participou, ao lado de outros líderes internacionais, da quarta edição do Fórum Democracia Sempre. O evento é uma iniciativa lançada em 2024 envolvendo os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. Em Barcelona, a reunião, organizada pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, também contou com as participações dos presidentes Yamandú Orsi (Uruguai), Gustavo Petro (Colômbia), Ciyril Ramaphosa (África do Sul), Claudia Sheinbaum (México) e do ex-presidente do Chile Gabriel Boric. À plateia formada por ativistas do campo progressista, Lula disse que é preciso apontar o dedo para os verdadeiros culpados pela crise socioeconômica atual, que são os poucos bilionários que concentram a maior parte da riqueza mundial. "Eles querem que as pessoas acreditem que qualquer um pode chegar lá. Alimentam a falácia da meritocracia, mas chutam a escada para que outros não tenham a mesma oportunidade de subir. Pagam menos impostos ou nada, exploram o trabalhador, destroem a natureza, manipulam os algoritmos. A desigualdade não é um fato, é uma escolha política. O que faz de nós progressistas, é escolher a igualdade. Nosso lema deve ser sempre estar ao lado do povo". "Senhores da guerra" Lula voltou a chamar os líderes de países que ocupam assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas de "senhores da guerra" e criticou os bilhões de dólares gastos em armas, que poderiam acabar com a fome, resolver o problema energético e o acesso à saúde a toda a população do planeta. "O Sul Global paga a conta de guerras que não provocou e de mudanças climáticas que não causou. É tratado como quintal das grandes potências, sufocado por tarifas abusivas e dívidas impagáveis. Volta a ser visto como mero fornecedor de matérias-primas. Ser progressista na arena internacional é defender um multilateralismo reformado, defender que a paz faça prevalência sobre a força, é combate a fome e proteger o meio ambiente, é restituir a credibilidade da ONU, que foi corroída pela irresponsabilidade dos membros permanentes", disse. Em outro trecho de seu discurso, Lula afirmou que a ameaça da extrema-direita não é apenas retórica, ela é real. "No Brasil, ela [extrema-direita] planejou um golpe de Estado. Orquestrou uma trama que previa tanques na rua e assassinatos do presidente eleito, do vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral. O papa Leão XIV disse que a democracia corre o risco de se tornar uma máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas. Nosso papel é desmascarar essas forças, desmascarar aqueles que dizem estar do lado do povo, mas governam para os mais ricos". O presidente brasileiro ainda observou que a democracia não é um destino em si, mas precisa ser reafirmada diariamente, melhorando de verdade a vida das pessoas, para não perder credibilidade. "Não é democracia quando um pai não sabe de onde tirar seu próximo de comida. Não há democracia quando um neto perde seu avô na fila de um hospital. Não há democracia quando uma mãe passa horas em um ônibus lotado e não consegue dar um beijo de boa noite nos seus filhos. Não há democracia quando alguém é discriminado pela cor de sua pele, quando uma mulher morre apenas pelo fato de ser mulher. Temos que substituir o desalento pelo sonho, o ódio pela esperança", afirmou. Agenda na Europa Após o compromisso na Espanha, Lula embarca para a Alemanha neste domingo (19), onde participará da Hannover Messe – a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo - que nesta edição homenageia o Brasil. Ainda na Alemanha, o presidente brasileiro terá uma reunião com o chanceler Friedrich Merz. A viagem se encerrará dia 21, com uma rápida visita de Estado a Portugal. Em Lisboa, Lula se encontra com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro.

A
Agência Brasil Internacional
Peru: ultraconservador e esquerda disputam voto a voto para 2º turno
Welt
19.04.2026

Peru: ultraconservador e esquerda disputam voto a voto para 2º turno

A eleição presidencial do Peru segue indefinida após cinco dias da contabilização de votos. O pleito do último domingo (17) juntou 35 candidatos presidenciais tentando ser o 9º presidente peruano em apenas dez anos, em um período de grande turbulência política no país vizinho.  A direitista Keiko Fujimori, com 17% dos votos, garantiu matematicamente um lugar no segundo turno, marcado para o dia 7 de junho. Porém, o adversário de Keiko segue completamente indefinido com os segundo e terceiro colocados separados por menos de 3 mil votos. Notícias relacionadas:Israel atacou 129 unidades de saúde no Líbano em 45 dias de guerra.Irã e Hezbollah atribuem cessar-fogo à união do Eixo da Resistência.Trump anuncia cessar-fogo entre Israel e Líbano por dez dias.O esquerdista Roberto Sanchéz Palomino, aliado do ex-presidente destituído Pedro Castillo, segue com 12% dos votos, enquanto o ultraconservador Rafael Aliaga, apontado como admirador do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, vem, em seguida, com 11,9% dos votos válidos. Até o início da tarde desta sexta-feira, o Peru tinha contabilizado 93,3% das urnas. As atualizações podem ser acompanhadas pela internet; Quarto país mais populoso da América do Sul, com cerca de 34 milhões de habitantes, o Peru tem uma fronteira de 2,9 mil quilômetros com o Brasil, a segunda maior depois da Bolívia. O professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Menon, avalia que essa eleição tem repercussões na disputa comercial travada entre China e EUA na América Latina. “Roberto Sánchez se opõem vertiginosamente à plataforma encampada por Keiko Fujimori, que pretende se realinhar com os EUA. Ela já fez acenos a Donald Trump no sentido de recrudescer a política migratória e estancar a influência chinesa que se dá, sobretudo, via Porto de Chancay”, avalia. Fujimori Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000, Keiko lidera a disputa com 2,6 milhões de votos entre 27 milhões de eleitores. Essa já é a quarta eleição presidencial de Keiko, que perdeu no segundo turno nas últimas três eleições, de 2011, 2016 e 2021. Keiko lidera a disputa com 2,6 milhões de votos entre 27 milhões de eleitores - REUTERS/Angela Ponce/ Proibido reprodução As seguidas derrotas da Keiko sugerem que ela não tem conseguido ultrapassar um teto de votos devido a resistência à herança da politica do pai dela, condenado por violações de direitos humanos. O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em política na América Latina, destaca que Keiko traz a herança do pai. “Fujimori lembra no Peru da guerra contra o Sendero Luminoso, a reedição desse discurso antiterrorista, mas que, nas províncias, é associado às elites, ao neoliberalismo”, destacou. Esquerda O candidato Roberto Sánchez têm, até o momento, 1,890 milhão de votos computados. Ele é aliado do ex-presidente Pedro Castillo, deposto e preso por suposta tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima do poderoso parlamento peruano por representar o voto da população rural. Roberto Sánchez é aliado do ex-presidente Pedro Castillo, deposto e preso por suposta tentativa de golpe de Estado - REUTERS/Angela Ponce - Proibido reprodução O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em política na América Latina, afirma que o Sánchez tem um perfil nacionalista-popular. “É um nacionalismo popular que reivindica a cor da pele, o chapéu, que são símbolos importantes de um setor político que vem chegando aos poucos, mas com muita resistência por parte das elites. Ele busca dar uma resposta às maiorias que trabalham na terra, do interior, e tem prometido algumas reformas”, comentou. Entre as propostas de governo, estão a nacionalização de recursos naturais; uma nova constituinte para refundar os poderes institucionais do Peru e mais direitos trabalhistas. Sanchéz foi ministro do Comércio Exterior e Turismo do governo de Pedro Castillo, em 2021. Psicólogo de formação, ele é um deputado peruano do partido Juntos Pelo Peru e foi um dos entusiastas da criação do Porto de Chacay, construído com muitos investimentos chineses para escoar a produção para a Ásia. Apesar dessa ligação com a população rural, Sanchéz é um político que vem desse jogo partidário do congresso peruano, alerta Schavelzon. "Sanchéz vem dos jogos partidários, da velha política do Congresso, que acena para o povo, mas muitas vezes acaba sendo mais próximo das elites, talvez novas elites que se reposicionam. A gente viu isso em vários lugares da América Latina”, pondera. Aliaga Sánchez disputa o segundo lugar no segundo turno com o autointitulado ultraconservador Rafael López Aliaga, que pode ser visto como do campo da extrema-direita, segundo o professor Menon. “Se o Peru tiver uma eleição em 2º turno entre Keiko Fujimori e Rafael Aliaga, quem sai fortalecido é o campo da extrema-direita. Haverá um realinhamento em direção à Casa Branca, a despeito dessa interdependência entre Peru e China do ponto de vista das relações comerciais”, acrescenta Schavelzon, que também professor da Universidade Católica de Brasília (UCB). Ultraconservador Rafael López Aliaga, que pode ser visto como do campo da extrema-direita- REUTERS/Manuel Orbegozo/ Proibido reprodução Ex-prefeito de Lima, capital do país, Aliaga costuma ser comparado com Donald Trump ou o presidente argentino Javier Milei, ao combinar discurso ultraconservador com defesa radical do livre mercado. Denúncias de fraude O ultraconservador do partido Revolução Popular está com 1,877 milhão de votos. Ele aparecia em segundo colocado no início da apuração. Porém, quando começaram a ser computados os votos das zonas rurais, Aliaga foi ultrapassado pelo esquerdista Sanchéz. Com a mudança de cenário, o candidato da ultradireita passou a denunciar uma suposta fraude eleitoral, sem apresentar provas. A denúncia de fraude foi criticada pelo adversário. “Fazemos um chamado firme ao nosso povo para manter a calma, a vigilância democrática e a confianças nos canais institucionais, esperando com responsabilidade os resultados oficiais”, afirmou nota do partido de Sanchéz, Juntos Pelo Peru. Em comunicado preliminar, a Missão da União Europeia para fiscalizar as eleições peruanas não apresentou indícios de fraude, apesar do atraso em 13 locais de votação em Lima, que atrasaram o voto de 55 mil pessoas.  Governabilidade Com nove presidentes em dez anos, o Peru tem sido marcado por renúncias e destituições. O professor Gustavo Menon avalia que, independentemente de quem vença, a governabilidade não estará garantida.   “Independentemente quem seja o novo presidente eleito, a vida com o parlamento peruano não será fácil frente a essa pulverização dos partidos e do sistema eleitoral. Para formar uma base de governo, o presidente eleito terá que fazer uma série de concessões”, pontua. Menon ressalta que, apesar de o Peru ser um regime presidencialista, “é o parlamento, em grande medida, quem toca as agendas de governo”. Crise política Na última eleição, em 2021, o candidato Pedro Castillo venceu a Keiko Fujimori no segundo turno. A eleição de um professor rural de centro-esquerda foi considerada uma surpresa por não figurar entre os mais bem colocados nas pesquisas de opinião na época. Porém, Castillo acabou afastado e preso após tentar dissolver o Parlamento, tendo sido condenado, em novembro de 2025, a mais de 11 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Para alguns, Castillo foi vítima de um golpe do Parlamento peruano.  Assumiu no lugar a vice Dina Boluarte, que reprimiu com violência as manifestações contra a destituição de Castillo, com um saldo de 49 pessoas mortas, segundo cálculo da Anistia Internacional.  Com baixíssima aprovação popular, Boluarte acabou destituída pelo Congresso no dia 10 de outubro de 2025. No lugar, assumiu o presidente do Parlamento no Peru, José Jerí, em uma gestão que não durou muito. Em 17 de fevereiro do mesmo ano, o Congresso destituiu Jerí, vindo a assumir o cargo interinamente José María Balcázar Zelada por eleição indireta do poderoso Parlamento peruano, apontado como o poder de fato no país andino. 

A
Agência Brasil Internacional