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A devoção ao menino Pedro, assassinado em 1885 e transformado em santo popular
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A devoção ao menino Pedro, assassinado em 1885 e transformado em santo popular

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A devoção está ligada à história de Pedro, um menino de cerca de 9 anos, filho de pessoas escravizadas, que teria sido assassinado em 1885 durante uma viagem entre fazendas da região.

Esta reportagem faz parte da série 'Histórias Escondidas', uma produção especial da EPTV, afiliada da TV Globo, para celebrar os 170 anos de Ribeirão Preto, comemorados em 19 de junho. Curiosidades, personagens marcantes e fatos que pouca gente conhece ajudam a entender a trajetória de uma das cidades mais importantes do estado de São Paulo.

Segundo o artigo “A Cruz do Pedro: memórias sobre o menino que virou festa”, da pesquisadora Sandra Molina, Pedro vivia na Fazenda Santana, em Bonfim Paulista, e auxiliava o escravizado Teodoro, responsável por conduzir um carro de boi até a Fazenda Boa Vista, propriedade que pertencia, na época, ao coronel Joaquim da Cunha Diniz Junqueira.

De acordo com os relatos de moradores da região, quando os dois passavam por uma área conhecida como Mata do Quinzinho, o menino teria lembrado que havia esquecido a marmita que estava sob sua responsabilidade.

Ao perceber a ausência da comida, Teodoro teria estrangulado a criança. Em seguida, o corpo foi pendurado em uma árvore para simular um suicídio.

Ao retornar à fazenda, o homem teria contado que Pedro havia tirado a própria vida. A versão, porém, não convenceu a mãe do garoto, Constância, que também era escravizada.

Segundo os registros históricos, ela fez uma oração pedindo que Deus castigasse o responsável pela morte do filho. A tradição popular afirma que, algum tempo depois, Teodoro teria sofrido uma paralisia nos braços, passando a depender da ajuda de outras pessoas para se alimentar, e assim permaneceu até a morte.

Com o passar dos anos, uma cruz foi instalada no local onde o menino teria sido encontrado morto. Histórias de graças alcançadas começaram a atrair visitantes, transformando o espaço em um ponto de peregrinação religiosa.

De acordo com o estudo de Sandra Molina, a devoção ao chamado “menino Pedro” cresceu ao longo do início do século 20. A cruz deu lugar a uma capela, e a crença de que o garoto realizava milagres passou a reunir moradores de diversas cidades da região.

A tradição permanece viva até hoje. Segundo registros históricos, pelo menos desde 1938 fiéis participam de uma caminhada durante a madrugada do dia 29 de junho até a Capela da Cruz do Pedro.

A crença popular diz que o menino, que iluminava o caminho dos carros de boi quando era vivo, continua iluminando os caminhos daqueles que recorrem a ele em oração.

This article was originally published by G1.

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