Analfabetismo no Brasil atinge menor taxa histórica, mas desigualdades persistem
Pesquisa do IBGE revela queda para 4,9% em 2025, mas aponta disparidades regionais, etárias e raciais significativas.
En resumen
- O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de analfabetismo da história, com 4,9% da população com 15 anos ou mais.
- No entanto, persistem fortes desigualdades regionais, etárias e raciais, com o Nordeste e idosos concentrando os maiores índices.
Resumen generado por IA
Por qué importa
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) Educação é uma pesquisa do IBGE que monitora indicadores educacionais no Brasil. A taxa de analfabetismo mede a proporção de pessoas que não sabem ler e escrever.
A taxa de analfabetismo no Brasil atingiu seu menor patamar histórico em 2025, com 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais sem saber ler e escrever, o que representa 4,9% da população nessa faixa etária. Este é o primeiro ano em que o índice fica abaixo de 5%, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) Educação, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em comparação com 2024, houve uma redução de cerca de 592 mil pessoas analfabetas. A série histórica da pesquisa, iniciada em 2016, mostrava uma taxa de 6,7% naquele ano. Em 2024, o índice era de 5,3%.
Apesar da queda geral, o analfabetismo no Brasil ainda é marcado por fortes desigualdades. A região Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos do país, com 4,8 milhões de pessoas, o que equivale a 57,4% do total nacional. A taxa de analfabetismo nordestina é de 10,6%, mais que o dobro da média brasileira. A região Norte também apresenta um índice acima da média nacional, com 5,7%. As menores taxas foram registradas nas regiões Sul (2,4%) e Sudeste (2,3%), enquanto o Centro-Oeste apresentou 3,3%.
A pesquisa do IBGE destaca que o analfabetismo continua mais concentrado entre os idosos. Em 2025, pessoas com 60 anos ou mais representavam 58% de todos os analfabetos, totalizando 4,8 milhões de idosos que não conseguiam ler ou escrever um bilhete simples. Nesse grupo, a taxa de analfabetismo foi de 13,8%, consideravelmente maior que a taxa de 2,6% observada entre pessoas de 15 a 59 anos. Essa disparidade, segundo o IBGE, reflete o maior acesso à educação pelas gerações mais jovens, mas também a necessidade de políticas voltadas à alfabetização de adultos e idosos.
Uma mudança inédita foi observada entre os idosos: pela primeira vez, a taxa de analfabetismo de mulheres com 60 anos ou mais (13,7%) ficou ligeiramente abaixo da dos homens (14,1%).
As desigualdades raciais também se mantêm expressivas. Entre pessoas de 15 anos ou mais, 2,8% dos brancos eram analfabetos em 2025, contra 6,5% dos pretos ou pardos. Na população com 60 anos ou mais, a diferença é ainda mais acentuada: a taxa foi de 7,3% entre brancos e de 20,6% entre pretos ou pardos, quase o triplo.
**Escolaridade sobe, mas desigualdades seguem**
A PNAD também aponta um avanço no nível de escolaridade da população adulta. Pela primeira vez, mais da metade das pessoas pretas ou pardas com 25 anos ou mais concluíram pelo menos o ensino médio, atingindo 51,3% em 2025. Entre as pessoas brancas, essa proporção foi de 64,9%. No total da população com 25 anos ou mais, 57,4% haviam concluído o ensino médio, um aumento significativo em relação aos 46% registrados em 2016. O percentual de pessoas com ensino superior completo também cresceu, chegando a 21,4% em 2025.
Outros dados relevantes da pesquisa incluem:
* A média de anos de estudo da população com 25 anos ou mais atingiu 10,2 anos em 2025, contra 9,1 anos em 2016. * As mulheres continuam com escolaridade média superior à dos homens: 10,4 anos contra 10 anos. * Pessoas brancas possuem, em média, 11,1 anos de estudo, enquanto pessoas pretas ou pardas têm 9,5 anos. * A frequência de crianças de 0 a 3 anos em escolas ou creches foi de 41,7%, abaixo da meta de 50% do Plano Nacional de Educação (PNE) para 2024. * No Norte, 35,2% dos bebês de 0 a 1 ano e 44,5% das crianças de 2 a 3 anos estavam fora da creche por falta de vagas ou unidade, ou por não aceitação da matrícula devido à idade. * Entre crianças de 6 a 14 anos, a proporção na etapa ideal do ensino fundamental foi de 96,1%, atingindo a meta do PNE, mas sem retornar aos níveis pré-pandemia. * No ensino médio, a frequência líquida foi menor entre homens de 15 a 17 anos (77,4%) do que entre mulheres (84%). Foi também menor entre pretos ou pardos (77,8%) do que entre brancos (84,9%). * O abandono escolar concentrou-se a partir dos 16 anos: 18,5% abandonaram aos 16, 20% aos 17 e 17,6% aos 18 anos. * Um em cada quatro jovens de 14 a 29 anos que não concluíram o ensino médio declarou não ter interesse em estudar. * Entre as mulheres, os principais motivos para abandonar os estudos foram trabalho (26,2%) e gravidez (24,7%).
**Jovens fora da rotina de estudo e trabalho**
A pesquisa também indicou uma queda no grupo de jovens que não trabalhavam, não estudavam e não faziam curso de qualificação profissional. Em 2025, 17,5% dos 46,6 milhões de brasileiros de 15 a 29 anos se encontravam nessa condição, uma redução em relação aos 22,4% de 2019. Em números absolutos, esse total caiu de 11 milhões em 2019 para 8,2 milhões em 2025. Comparado a 2024 (8,6 milhões), a queda foi de 4,8%.
No entanto, a desigualdade de gênero persiste neste grupo. Entre as mulheres jovens, 22,8% não estavam ocupadas, nem estudavam ou se qualificavam, enquanto entre os homens o percentual foi de 12,4%.
Qué observar
Perspectiva de IA — posibilidades, no hechos
A taxa de analfabetismo continuará a diminuir nos próximos anos, impulsionada pelo maior acesso à educação pelas gerações mais novas.
Probable · Medio plazo
As desigualdades regionais e raciais no analfabetismo persistirão como um desafio significativo, exigindo políticas públicas focalizadas.
Muy probable · Largo plazo
Haverá um aumento na demanda por programas de alfabetização de adultos e idosos, especialmente nas regiões com maiores índices de analfabetismo.
Probable · Medio plazo
Preguntas abiertas
- Quais são as causas específicas das desigualdades regionais, etárias e raciais no analfabetismo?
- Quais políticas públicas estão sendo implementadas para combater o analfabetismo de adultos e idosos?
- Qual o impacto exato da pandemia na taxa de analfabetismo antes de 2025?
- Quais as razões específicas para o abandono escolar a partir dos 16 anos?





