Artesão transforma fruto coité em luminárias e supera depressão
En resumen
Artesão Enauro Rocha, de Alagoas, cria luminárias a partir do fruto coité, resgatando um utensílio esquecido e encontrando na arte uma forma de superar a depressão após um acidente.
Resumen generado por IA
Por qué importa
O coité, fruto tradicionalmente usado como utensílio doméstico, andava esquecido nas últimas décadas. Artesão de Alagoas o transforma em luminárias, resgatando sua utilidade e ajudando na preservação da espécie.
Um fruto que já fez parte da rotina das famílias do interior ganhou uma nova utilidade nas mãos do artesão Enauro Rocha. Natural de Atalaia e morador de Maceió, ele transforma o coité, também conhecido como cuieira, cabaça ou cuité, em luminárias artesanais.
O trabalho, além de se tornar fonte de renda, foi fundamental para ajudá-lo a superar a depressão após um acidente que comprometeu suas capacidades motoras e cognitivas.
O que é o coité: fruto tradicionalmente usado como utensílio doméstico, mas que andava esquecido nas últimas décadas.
Processo de criação: as peças começam a ser produzidas meses antes. É preciso esperar cerca de três meses para o fruto secar completamente. Depois, a polpa é retirada e a casca é lixada, perfurada e recebe acabamento até virar luminária.
Preservação: para evitar a extinção da árvore em Alagoas, o artesão distribui mudas e compra os frutos de outros produtores locais.
De utensílio doméstico a arte
Arvore do coité, rara em Alagoas. — Foto: Reprodução/ Tv Asa Branca Alagoas
Antes de trabalhar com o coité, Enauro utilizava o coco como matéria-prima. A mudança aconteceu após ele receber o fruto de presente de uma tia.
"Antigamente, o coité era usado como utensílio doméstico. Servia como escorredor de arroz, cuia para banho e pãozeira. Mas, com o advento do plástico e do alumínio, ficou esquecido", contou em entrevista à TV Asa Branca Alagoas.
Segundo ele, o desmatamento fez com que a árvore quase entrasse em extinção no estado. Para incentivar a preservação da espécie, ele passou a distribuir mudas e a comprar os frutos produzidos por outras pessoas.
"Eu presenteei muitas pessoas com o pé do coité e, hoje, passou a ser fonte de renda, porque eu compro delas os coités", afirmou.
Acidente e superação da depressão
O artesão Enauro Rocha, de Alagoas, superou a depressão ao transformar o fruto coité em luminárias artesanais após sofrer um grave acidente. — Foto: Reprodução/ Tv Asa Branca Alagoas
As conquistas com a arte vieram após um período difícil. Depois de sofrer um acidente, Enauro precisou interromper as atividades por orientação médica, mas o afastamento acabou afetando sua saúde mental.
"Quando eu me acidentei, o médico falou para eu passar um ano sem trabalhar para me recuperar. Quando deu cinco meses, comecei a entrar em depressão porque não trabalhava. Comecei a sentir falta das minhas mãos para trabalhar", contou.
Mesmo enfrentando limitações físicas, ele decidiu voltar ao ateliê e retomar a produção.
"Não sabia usar o celular, não sabia usar uma máquina, as pessoas me ajudavam. Os desenhos saíam tortos, mas consegui dar a volta por cima. Não fiquei 100%, mas melhorei bastante. Tem uns problemas de memória, mas em relação à arte, ela permanece presente."
Inspiração materna
Luminária feita de coité por artesão alagoano. — Foto: Reprodução/ Tv Asa Branca Alagoas
Autodidata, Enauro diz que a inspiração para o trabalho manual veio da mãe, que fazia bordados e outros trabalhos manuais.
"A minha fonte de inspiração foi ela. Eu via ela fazendo trabalhos minuciosos, muito pequenininhos, e aquilo me chamou muita atenção. Tentei segui-la mais ou menos no que ela fazia", relembrou.
A dedicação levou o artesão a participar de feiras pelo país. Depois de exposições em São Paulo, ele afirma que já conheceu grande parte do Brasil por meio do trabalho e se prepara para novos eventos.
"Participei de feiras em São Paulo. Depois vieram outras feiras e já conheço uma grande parte do Brasil. Este ano vou para o Rio de Janeiro", disse.
Preguntas abiertas
- Qual o volume de produção atual das luminárias?
- Quais os planos futuros para expansão do negócio?






