Bonito CineSur encerra com emoção e celebração ao cinema latino-americano
Festival Sul-Americano de Bonito premiou produções locais e internacionais, destacando o diretor colombiano Alejandro Calderón e homenageando Vincent Carelli.
En resumen
- O Bonito CineSur – Festival Sul-Americano de Bonito – encerrou sua quarta edição com a premiação de filmes e uma homenagem ao indigenista Vincent Carelli.
- O diretor colombiano Alejandro Calderón foi o maior vencedor, e produções de Mato Grosso do Sul, "Natasha" e "Higa Ke – Olho por Olho", também foram reconhecidas.
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Por qué importa
O Bonito CineSur – Festival Sul-Americano de Bonito – encerrou sua quarta edição, celebrando o cinema latino-americano com premiações e homenagens. A cerimônia destacou produções de Mato Grosso do Sul e o trabalho de cineastas da Colômbia, Equador, Peru e Paraguai.
Com apresentação dos atores Paulo Betti e Valentina Herszage, estrela do filme vencedor do Oscar Ainda Estou Aqui, o Bonito CineSur – Festival Sul-Americano de Bonito – chegou ao fim na noite deste sábado (1º). A cerimônia de encerramento foi marcada por emoção, representatividade e celebrações ao cinema latino-americano. Confira a lista completa dos vencedores o final da reportagem.
O destaque da noite foi o diretor colombiano Alejandro Calderón, que conquistou três prêmios no festival. Mato Grosso do Sul também teve forte representação, com duas obras premiadas que abordam, cada uma à sua maneira, temas ligados à resistência.
De um lado, Higa Ke – Olho por Olho, documentário que retrata a trajetória do fotógrafo Roberto Higa, considerado uma memória viva de Mato Grosso do Sul por registrar, por meio de suas lentes, a história e a identidade do estado. Do outro, Natasha, produção que nasceu como série e foi adaptada para um road movie queer estrelado por drag queens, abordando temas como amor, amizade e pertencimento.
Natasha foi eleito pelo júri oficial como o melhor filme da Mostra Sul-Mato-Grossense. Para o diretor Tiago Rotta, o prêmio simboliza a conclusão de um ciclo importante e o reconhecimento de uma história que representa diferentes pessoas e realidades.
Segundo ele, o filme amplia a visibilidade de personagens e narrativas que ainda ocupam pouco espaço, reforçando a diversidade cultural e humana de Mato Grosso do Sul.
O diretor também defendeu que indígenas, pessoas LGBTQIA+, pessoas trans e outros grupos continuem conquistando protagonismo no audiovisual.
"É um sentimento de missão cumprida, de finalização de um ciclo muito importante, e de ver uma história potente, como a Natasha, que representa tantas pessoas, ter visibilidade, ter o seu espaço e o seu momento", afirmou.
Na mesma categoria, o público escolheu Higa Ke – Olho por Olho como o melhor filme sul-mato-grossense. O diretor Conrado Koel destacou que a obra também revisita a formação histórica do estado.
"Esse é um filme que fala da formação de Mato Grosso do Sul a partir das memórias do Roberto Higa, um personagem que considero um dos grandes símbolos do nosso estado”, diz.
Colombiano leva três troféus para casa
O cineasta colombiano Alejandro Calderón foi o maior vencedor da noite. Ele conquistou o prêmio de Melhor Curta-Metragem Ambiental, com Hipopótamos: El Arca de Escobar, além dos prêmios de Melhor Longa-Metragem Ambiental, pelo júri oficial e pelo júri popular, com Páramos II: El Origen.
Surpreso com o resultado, o diretor disse que jamais imaginou conquistar três troféus em uma única edição.
"Nunca esperei isso na minha vida. Faço cinema documental há muitos anos e sei como é difícil chegar a um festival, quanto mais ganhar um prêmio. Ganhar três vezes é algo que talvez nunca aconteça novamente. Ainda estou tentando entender o que aconteceu", disse ao g1.
Homenagem a Vincent Carelli
Outro momento marcante da cerimônia foi a entrega do Troféu Pantanal ao documentarista e indigenista Vincent Carelli, homenageado pelo conjunto da obra. Referência na produção audiovisual voltada aos povos indígenas, Carelli aproveitou o momento para reforçar sua preocupação com a situação enfrentada pelas comunidades originárias, especialmente em Mato Grosso do Sul.
"Eu costumo dizer que a região dos Guarani-Kaiowá é a nossa Faixa de Gaza. Lamentavelmente, vivemos um genocídio que já dura mais de 40 anos. E parece que a humanidade caminha rumo à barbárie."
Encantados com Bonito
As duas grandes estrelas da cerimônia também fizeram questão de elogiar o festival. Em sua primeira participação no Bonito CineSur, Valentina Herszage afirmou ter ficado encantada com a cidade e com a organização do evento.
"Fiquei muito encantada com toda a estrutura do festival. Principalmente pelas pessoas que fazem esse evento acontecer. A produção, a equipe, a comida... Tudo é feito com muito amor e paixão. Estou totalmente hipnotizada."
Já Paulo Betti destacou que o cenário natural de Bonito torna a experiência ainda mais especial.
"É realmente uma energia muito boa. O fato de acontecer neste lugar torna tudo ainda mais especial. Você acaba assistindo a filmes que talvez não veria em outros lugares, e isso também fortalece o turismo. Vim para a Flib e agora já quero voltar."
Após nove dias de debates, oficinas, exibições e intercâmbio cultural, o Bonito CineSur encerrou sua quarta edição reforçando a vocação de Bonito não apenas como um dos principais destinos de ecoturismo do país, mas também como um importante palco para a arte, a cultura e o cinema sul-americano.
Confira todos os vencedores do 4º Bonito CineSur
Mostra Filme Sul-Mato-Grossense – Júri Popular
Vencedor: Higa Ke – Olho por Olho (Conrado Koel e Débora Bah)
Mostra Filme Sul-Mato-Grossense – Júri Oficial
Vencedor: Natasha (Ana Ostapenko, Willerson Amorim, Tiago Rotta e Rafael Rotta)
Filme Ambiental – Curta-Metragem – Júri Popular
Buen Vivir – Ñutse Canseye (Equador) – Zoe Nathalie Kugler
Filme Ambiental – Curta-Metragem – Júri Oficial
Hipopótamos: El Arca de Escobar (Colômbia) – Alejandro Calderón
Filme Ambiental – Longa-Metragem – Júri Popular
Páramos II: El Origen (Colômbia) – Alejandro Calderón
Filme Ambiental – Longa-Metragem – Júri Oficial
Páramos II: El Origen (Colômbia) – Alejandro Calderón
Mostra Sul-Americana – Curta-Metragem – Júri Popular
A Vida de Jerônimo Dentro e Fora de Casa – Andrews Nascimento
Mostra Sul-Americana – Curta-Metragem – Júri Oficial
Sukua (Colômbia)
Mostra Sul-Americana – Longa-Metragem – Júri Popular
Naira (Peru) – Gabriela Quiroz
Mostra Sul-Americana – Longa-Metragem – Júri Oficial
Quién Mató a Narciso (Paraguai) – Marcelo Martinessi







