Consultorias e Conab projetam safra recorde de café no Brasil, mas negócios travam por preço
En resumen
- Consultorias e a estatal Conab projetam uma safra recorde de café no Brasil, superando 70 milhões de sacas.
- No entanto, negócios de exportação estão travados devido a um grande descompasso entre o que os compradores internacionais querem pagar e o que os cafeicultores pedem.
Resumen generado por IA
Por qué importa
Consultorias e a estatal Conab projetam uma safra recorde de café no Brasil, superando 70 milhões de sacas. No entanto, representantes de cooperativas indicam que os negócios de exportação estão travados devido a um descompasso entre os preços oferecidos pelos compradores internacionais e os valores pedidos pelos cafeicultores.
Consultorias projetam que o Brasil deverá colher mais de 70 milhões de sacas de 60 kg neste ano, enquanto a estatal Conab também vê um recorde produtivo — Foto: Crédito: Divulgação.
Representantes de cooperativas do sul de Minas e do Cerrado afirmam ainda que, em meio a expectativas de uma grande safra no país -- maior exportador global --, há uma diferença grande entre o que os compradores internacionais querem pagar e o que pedem os cafeicultores, travando os negócios.
Consultorias projetam que o Brasil deverá colher mais de 70 milhões de sacas de 60 kg neste ano, enquanto a estatal Conab também vê um recorde produtivo, ainda que considere uma máxima histórica em patamar mais baixo.
Até 2026, 2020 era visto como o ano com maior produção. Mas, enquanto o produto da safra atual não estiver no armazém, cooperativas não pensam assim.
"O melhor ano para nós foi 2020 e não vemos este ano superar 2020 de forma nenhuma. Acreditamos mais ele ser perto de 2024 ou 2023, que foram anos bons", disse Jacques Miari, presidente da Cocatrel, com sede em Três Pontas, no sul de Minas Gerais, principal região do arábica no Brasil.
"2020 foi o ano fabuloso, em que tudo aconteceu de bom. Condição climática, trato de lavoura, bianualidade positiva, tudo aconteceu em 2020", disse à Reuters o representante da Cocatrel, uma das maiores cooperativas de café do Brasil, durante o Seminário Internacional do Café, em Santos.
Joaquim Frezza, gestor comercial da Coocacer, com sede em Araguari, no Cerrado Mineiro, disse que o início da colheita confirma a expectativa de boa produção, mas não deve superar 2020. "Acho que vai equiparar", declarou.
Luiz Fernando dos Reis, superintendente comercial da Cooxupé, maior cooperativa e exportadora de café do Brasil, disse que há projeções de recorde para a produção brasileira somando-se os volumes de grãos arábica e de robusta.
"No arábica, só no arábica, a gente não está vendo um número de produção maior do que 2020 ainda", disse Reis.
Enquanto a safra ainda está no início, ele disse que a Cooxupé está mantendo suas previsões de recebimento e exportação.
A Cooxupé projeta exportações de 4,4 milhões de sacas de café em 2026, o que seria uma queda de 500 mil sacas em relação ao ano passado, já que os embarques mais fortes esperados para o segundo semestre não seriam suficientes para compensar a queda registrada na primeira parte do ano, quando os estoques estavam baixos.
O recebimento de café esperado pela Cooxupé está em 6,8 milhões de sacas, o que seria um aumento de cerca de 800 mil sacas ante 2025.
"A gente pode sim, de repente, ter condições de receber um pouco mais de café. Mas nós não mudamos ainda...", disse o superintendente, lembrando que a Cooxupé já recebeu 8 milhões de sacas em 2020.
Negócios travados?
"Mesmo não sendo recorde no arábica, é uma safra muito boa. O que está acontecendo hoje é que os negócios ainda não estão prontos. O comprador ainda está esperando, aguardando a entrada desse fluxo comercial", disse Reis.
Ele comentou que o produtor está "muito devagar nas vendas ainda", após ter vendido o café a valores mais altos.
Para representantes da Cocatrel, há atualmente um descompasso no preço de exportação e no valor que o produtor está querendo no seu café.
"Hoje o mercado está muito travado no caso de exportações. Nós estamos trabalhando mais no mercado interno, as exportações hoje não estão fazendo muito sentido", disse Miari, presidente da cooperativa de Três Pontas.
Chico Pereira, gerente de comercialização da Cocatrel, disse que a cooperativa recebeu no evento em Santos comerciantes que negociam milhões de sacas, mas os negócios ainda estão em compasso de espera.
Os diferenciais de preços em relação à cotação da bolsa de Nova York estão muito distantes entre compradores e vendedores, confirmou Pereira.
"No preço que eu estou pagando ao produtor hoje tenho que vender a mais de 60 (centavos de dólar por libra-peso). Aí você vê a oferta: mais 5, mais 10. Então dá uma diferença de 50 centavos", disse ele.
Pereira comentou que, nessa situação, o mercado está parado. "Não tem como performar, não tem como exportar agora... O 'bid' que eu recebo de fora eu não consigo comprar e exportar com a margenzinha que eu preciso."
Apesar da grande colheita esperada, essa disputa seguirá, disse Pereira, em momento em que muitos produtores conseguem segurar vendas após se capitalizarem com preços recordes em anos recentes.
Qué observar
Perspectiva de IA — posibilidades, no hechos
Os negócios de exportação de café permanecerão travados no curto prazo devido à divergência de preços.
Probable · En semanas
O mercado interno de café no Brasil poderá ter um aumento de demanda e preços mais estáveis.
Posible · Corto plazo
A safra de café brasileira de 2026 não superará a produção recorde de 2020 em termos de volume de arábica.
Probable
Preguntas abiertas
- Quando o impasse de preços será resolvido?
- Qual o impacto final da safra recorde na economia brasileira e nos mercados globais de café?
- Os produtores conseguirão manter a estratégia de segurar vendas por quanto tempo?
- O mercado interno absorverá o volume de café não exportado?






