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Cubanos cruzam fronteira do Brasil com a Guiana fugindo de crise em Cuba
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G127.06.2026Mundo6 dk okumaBrazil

Cubanos cruzam fronteira do Brasil com a Guiana fugindo de crise em Cuba

En resumen

  • Cubanos buscam refúgio no Brasil fugindo da crise econômica e energética em Cuba.
  • Migrantes são explorados por coiotes, pagando valores exorbitantes por rotas clandestinas, sem saber que podem solicitar refúgio gratuitamente no Brasil.

Resumen generado por IA

Por qué importa

Cubanos enfrentam crise econômica e energética em seu país, levando muitos a buscar uma vida melhor em outros lugares. A rota pela Guiana e Brasil é explorada por coiotes que se aproveitam da desinformação dos migrantes.

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"Você passa até 36 horas sem energia para ter apenas duas horas de luz". A declaração do cubano Eliezer Pantoja, de 23 anos, que vive em Roraima há 4 meses, explica porque é cada vez maior o número de cubanos que cruzam a fronteira do Brasil com a Guiana em busca de uma vida melhor. A ilha no Caribe, de onde eles vêm, enfrenta há décadas uma crise econômica e energética.

Antes de chegar aqui, no entanto, a jornada dos cubanos é marcada por medo, fome, abandono e, principalmente, exploração financeira. Embalados por uma mistura de esperança e desinformação, os migrantes são enganados por coiotes e gastam, muitas vezes, dinheiro de uma vida inteira para cruzar a fronteira.

🛂 Há rotas e mecanismos legais para que estrangeiros entrem em território brasileiro e solicitem, gratuitamente, refúgio. O desconhecimento desta informação é eixo central de um esquema que lucra às custas de fake news.

A principal rota clandestina explorada pelos coiotes é que separa Lethem, na Guiana, de Bonfim, em Roraima - de Cuba a Guiana, os migrantes viajam de avião. As duas cidades na fronteira são separadas pelo Rio Tacutu, que é cruzado durante as noites e madrugadas a bordo de botes.

Ávila Basulto, Evelio Vázquez, Thomas Joel e Eliezer Pantoja, cubanos que vivem em Roraima — Foto: Arquivo

Um dos aliciados foi Evelio Vázquez, de 45 anos, um cubano que criou informalmente uma associação para apoiar os conterrâneos que chegam a Boa Vista, em Roraima.

Evelio lembra como chegou ao 'serviço' dos coites para adentrar o Brasil e como o sistema lucra com o desespero e a necessidade das pessoas.

Nós não procuramos os coiotes. Eles nos encontram. Dizem que o cubano não pode entrar legalmente no Brasil, que será preso ou deportado. Como chegamos sem conhecer a legislação, acreditamos nessas informações", disse.

E foi ele quem classificou a jornada na companhia dos coiotes como 'a pior experiência vida'. Evelio fez o percurso acompanhado do filho mais velho, que é epiléptico e precisa se alimentar a cada quatro horas, além dos dois filhos menores, que têm autismo, e a esposa. "Meu filho foi colocado em outro veículo. Aquilo foi desesperador".

O recém-chegado ao Brasil, Ávila Basulto, de 28 anos foi resgatado no começo deste mês em uma ação da Polícia Rodoviária Federal para coibir a ação dos coites. Ele foi um dos 189 cubanos resgatados entre 8 e 11 de junho.

O jovem disse que deixou o país de origem porque, segundo ele, lá 'não há liberdade'. Como muitos outros migrantes, chegou a Roraima apenas com uma mala pequena e teve que pagar US$ 300 (cerca de R$ 1,5 mil) para sair de Lethem e chegar a Boa Vista, mas foi abandonado na estrada.

"Depois que cruzamos o rio, os responsáveis pela viagem nos dividiram em pequenos grupos e nos colocaram em táxis. Os motoristas fugiam da polícia e, em determinado momento, nos abandonaram", relatou.

Basulto conta que não sabia que poderia solicitar refúgio gratuitamente à Polícia Federal, sem precisar recorrer aos coiotes.

"Tivemos que caminhar cerca de 15 ou 20 quilômetros. Foi muito difícil. Estou muito cansado", disse.

O mecânico cubano Thomas Joel Franco explicou que passou cinco dias praticamente sem comer nem dormir durante a viagem entre a Guiana e o Brasil.

"Tomava muito pouca água e comia bolacha para conseguir seguir caminhando, passando por poças d'água, rios e todo tipo de lugar", disse.

Quando são resgatados pela PRF, muitos migrantes apresentam sinais de desnutrição, desidratação, doenças respiratórias e forte abalo físico e emocional - alguns após semanas de viagem.

Rio Tacutu divide Lethen, na Guiana, e Bonfim, em Roraima. — Foto: Vinícius Assis/Rede Amazônica

Apesar dos riscos, incluindo o de morrer na arriscada travessia, todas as narrativas encontradas pelo g1 têm um ponto em comum: a dificuldade de viver em Cuba.

O médico Rodolfo Canet, de 28 anos, disse que a remuneração que recebia lá não era suficiente para garantir o básico.

"Meu salário como médico equivalia ao preço de um litro de gasolina", relatou. Hoje, ele vive na cidade de Curitiba e trabalha como repositor em uma loja de variedades.

💵 Como é a viagem e como os cubanos financiam

Segundo relatos de migrantes ao g1, os coiotes cobram em dólar e os preços variam de acordo com o percurso. Para arcar com os custos, há quem venda bens acumulados ao longo da vida por valores muito abaixo do mercado.

Veja a rota percorrida pelos cubanos rumo ao Brasil — Foto: Arte/g1

Os pais do cubano Evelio, por exemplo, venderam a casa da família por apenas 5% do valor real do imóvel para financiar a viagem.

"Meu pai e minha mãe eram profissionais e o único patrimônio que tinham era essa casa. Eles venderam tudo para que eu pudesse vir para o Brasil, contou.

A passagem aérea de Havana para Georgetown, na Guiana, custa cerca de US$ 1,5 mil (R$ 7,6 mil) para adultos e US$ 1,1 mil (R$ 5,6 mil) para crianças. A aquisição deve ser feita pela 'agência' dos coiotes.

A partir da chegada à Guiana, os coiotes passam a cobrar pelos deslocamentos. Entre Georgetown e Lethem, os cubanos pagam entre US$ 350 (R$ 1,7 mil) e US$ 500 (R$ 2,5 mil) por pessoa. Para os guianeses, porém, o mesmo trajeto custa cerca de US$ 80 (R$ 400).

O g1 esteve em Lethem e apurou que o transporte até Bonfim custa cerca de R$ 100 para brasileiros. Os cubanos, no entanto, relataram pagar até US$ 450 (R$ 2,2 mil) pelo mesmo serviço.

Há ainda os chamados "pacotes completos", oferecidos pelos coiotes para organizar toda a viagem a partir da Guiana. Nesses casos, os valores variam entre US$ 2,8 mil (R$ 14,2 mil) e US$ 10 mil (R$ 50,8 mil), incluindo o transporte até Boa Vista, outras capitais brasileiras, como Florianópolis e Curitiba, e até destinos em países vizinhos, como o Uruguai.

Passaportes dos cubanos que estavam com os coiotes' e foram resgatados pela polícia neste mês em Roraima — Foto: PRF/Divulgação

Quem pode migrar❓

Para sair de Cuba, onde o controle dos cidadãos é mais rígido, os cidadãos precisam comprovar às autoridades locais que retornarão ao país. Normalmente, essa exigência é cumprida com a apresentação de uma passagem aérea de volta durante o embarque. Na chegada à Guiana, eles podem permanecer legalmente por até 30 dias como turistas.

Essa rota de migração ao Brasil não costuma despertar suspeita porque é comum que cubanos viajem à Guiana, sobretudo para trabalhar, além de ser um dos poucos países da região que permite a entrada deles como turistas.

Atualmente, não há voos comerciais diretos entre Brasil e Cuba. Quem viaja entre os dois países precisa fazer pelo menos uma conexão e, o destino mais comum da conexão para quem quer procurar refúgio, é a Guiana.

Para vir ao Brasil legalmente, os cubanos devem solicitar um visto ainda em Cuba - ele é concedido, normalmente, para estadias de curta duração. No entanto, para quem foge do país em condições de vulnerabilidade e não consegue obter documentação regular, é possível solicitar refúgio gratuitamente à PF.

"Os migrantes [cubanos] são vítimas; não são considerados criminosos. Eles devem receber atendimento humanizado", defendeu o delegado da PF, Adolpho Pereira, que atua na Delegacia de Imigração em Roraima.

Infográfico mostra que cubanos assumiram protagonismo nos pedidos de refúgio no Brasil em 2025 — Foto: Arte/g1

Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

Ops!

Preguntas abiertas

  • Quantos cubanos já cruzaram a fronteira?
  • Quais as ações do governo para coibir coiotes?
  • Como o Brasil lida com o aumento de refugiados?

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This article was originally published by G1.

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