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Estudante de medicina denuncia ex-policial por ameaças xenofóbicas na UFRR
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G102.07.2026Política4 dk okumaBrazil

Estudante de medicina denuncia ex-policial por ameaças xenofóbicas na UFRR

En resumen

  • Um estudante venezuelano da UFRR denunciou ameaças e ofensas xenofóbicas de Antonio Hildemar Campos, 62, ex-policial.
  • Os incidentes ocorreram no campus e são investigados pela Polícia Civil e pela Ouvidoria da universidade.
  • Antonio nega as acusações.

Resumen generado por IA

Por qué importa

Um estudante venezuelano da UFRR denunciou ter sido vítima de ameaças e ofensas xenofóbicas por parte de outro aluno, Antonio Hildemar Campos. Os incidentes ocorreram dentro do campus e são investigados.

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Um estudante de 21 anos, do curso de medicina da Universidade Federal de Roraima (UFRR), denunciou ter sido vítima de ameaças e ofensas xenofóbicas feitas por Antonio Hildemar Campos, de 62 anos, também aluno da instituição. Os episódios ocorreram dentro do campus Paricarana, em Boa Vista. A Polícia Civil investiga.

O estudante, que é migrante venezuelano e preferiu não se identificar na reportagem, registrou três boletins de ocorrência contra Antonio no 2º Distrito Policial, por ameaça e outros conflitos. A denúncia também foi feita à Ouvidoria da Universidade, que abriu investigação interna.

Antonio é aluno do curso de Geografia, ex-policial civil e conhecido "Gavião". Ele nega as acusações (veja mais abaixo o posicionamento).

A Polícia Civil investiga as denúncias contra o suspeito e disse que ele também "é citado em outros registros por suposta prática do crime de ameaça, circunstância considerada nas investigações".

As ofensas e ameaças ocorrem entre setembro de 2025 e junho deste ano, segundo o estudante de medicina. Desde então, ele diz ser alvo de xenofobia e intimidações em diferentes ocasiões dentro da UFRR. "Estou sendo intimidado", resumiu.

Restaurante Universitário da Universidade Federal de Roraima (UFRR) — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

O jovem contou ao g1 que os episódios ocorreram no Restaurante Universitário. Segundo ele, o primeiro caso aconteceu em setembro do ano passado, enquanto jantava com uma colega.

Segundo o relato, Antonio, conhecido como "Gavião", chegou ao restaurante ouvindo música em volume alto e sentou perto de onde o jovem estava. Antonio é ex-policial civil.

Ao acreditar que o ex-policial também era venezuelano, o jovem pediu, em espanhol, que ele diminuísse o volume do som. Na ocasião, o suspeito gritou e respondeu que "no Brasil não faziam as coisas assim" e que, se ele não estivesse satisfeito, deveria "vazar".

"Fui pedir para ele, respeitosamente, se podia diminuir o volume da música, porque ele colocava a música estourando. Aí ele começou a ser xenofóbico comigo. Ficou falando: 'Ah, não, que no Brasil a gente não faz as coisas desse jeito', que se eu não gostava era para eu vazar", contou o jovem.

O episódio mais recente ocorreu em 19 de junho de 2026. De acordo com o jovem, o suspeito sentou na mesma mesa que o estudante e, ao perceber que o jovem tentava deixar o local, passou a intimidá-lo dizendo frases como "os incomodados se retirem" e "te vaza, veneca”— o termo é usado de forma pejorativa para se referir a venezuelanos.

O estudante disse que jogou um copo de água no rosto do ex-policial por se sentir intimidado. Segundo ele, o homem respondeu com ameaças, afirmando que "ainda vamos nos encontrar fora da faculdade" e que iria encontrá-lo.

Durante o jantar do mesmo dia, o homem voltou a abordá-lo na frente de funcionárias do restaurante e afirmou que "esse venezuelano saiu do país dele para fazer merda aqui" e que era "um sujeito de bem", conforme o relato.

O estudante afirmou que passou a temer pela própria segurança após as ameaças e por Antonio ser ex-policial civil e ter sido condenado por homicídio. Em 2009, ele foi condenado a 22 anos de prisão por matar da então esposa. Antonio chegou a ser preso e atualmente cumpre pena em regime aberto.

"Fico apreensivo no RU [Restaurante Universitário] e aí aparece um sujeito desse e fala que vai me encontrar fora da faculdade. O que eu penso? Que eu tô em perigo, né?", disse.

Em março de 2026, estudantes da UFRR fizeram um ato on-line de repúdio contra Antonio Hildemar. Eles se manifestaram contra à permanência dele na universidade e o acusaram de praticar repetidas situações de assédios dentro da instituição.

Investigado nega

Ao g1, Antonio Hildemar negou as acusações e disse que as denúncias feita pelo estudante de medicina são caluniosas. Ele também registrou um boletim de ocorrência por injúria real contra o aluno de medicina.

"No último dia 19 agora do mês que acabou, cheguei e quando fui almoçar, não nem me dirigi a esse rapaz. Não falo com esse rapaz. Ele jogou um copo com água na minha cara e simplesmente saiu. Então, o que tem que tá acontecendo? Esse rapaz tá usando de denúncias caluniosas", disse.

Ainda de acordo com o ex-policial, no mesmo dia do episódio da água ele reencontrou com o estudante e disse "que não precisava ficar com medo, porque, não tenho nenhuma intenção de fazer mal para ele".

Polícia investiga

Procurada, a Polícia Civil informou que os boletins de ocorrência são apurados pelo 2º Distrito Policial. A corporação afirmou que o suspeito também é citado em outros registros por suposta prática do crime de ameaça, circunstância considerada nas investigações, "sem prejuízo da observância do devido processo legal e da presunção de inocência".

Em nota, a Universidade Federal de Roraima informou que tomou conhecimento da denúncia por meio dos canais oficiais e que já adotou as providências cabíveis. Leia a íntegra da nota abaixo.

"O caso foi devidamente registrado pela Ouvidoria e segue em processo de investigação e apuração, em caráter sigiloso, assegurando às partes o direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme a legislação vigente", ressaltou.

LEIA TAMBÉM:

Nota da UFRR

A Universidade Federal de Roraima (UFRR) informa que tomou conhecimento da denúncia por meio de seus canais oficiais e que as providências cabíveis já foram adotadas, conforme previsto em seu Estatuto e Regimento.

O caso foi devidamente registrado pela Ouvidoria e segue em processo de investigação e apuração, em caráter sigiloso, assegurando às partes o direito à ampla defesa e ao contraditório, conforme a legislação vigente.

A UFRR reforça que dispõe de normas institucionais para prevenção e enfrentamento de situações de assédio, violência e discriminação, como a Resolução CUNI/UFRR nº 091/2023, além de canais oficiais para o registro de denúncias. Entre esses canais estão a Plataforma Fala.BR e a própria Ouvidoria. As manifestações, apresentadas por escrito ou verbalmente, são encaminhadas à Comissão Permanente de Acolhimento, Prevenção e Enfrentamento às Violências (CPAPEV/UFRR), responsável pelos devidos encaminhamentos e procedimentos.

Diante do exposto, a instituição repudia qualquer ato de racismo, discriminação ou outra forma de violência e reafirma seu compromisso com o respeito aos direitos humanos e com a promoção de um ambiente acadêmico seguro, inclusivo e livre de qualquer forma de intolerância.

Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

Ops!

Preguntas abiertas

  • Qual será o desfecho da investigação interna da UFRR?
  • Haverá sanções contra Antonio Hildemar?
  • Como a universidade lidará com casos futuros de xenofobia?

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This article was originally published by G1.

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