Newsgather
Back|EUA usam PIX como justificativa para tarifas; setor financeiro brasileiro discorda
EUA usam PIX como justificativa para tarifas; setor financeiro brasileiro discorda
MundoAI
G1·3 sa önce·🇧🇷Brazil·Mundo

EUA usam PIX como justificativa para tarifas; setor financeiro brasileiro discorda

3 dk okuma·%80 önem·623 kelime
#PIX#BancoCentraldoBrasil#tarifas#EstadosUnidos#pagamentosinstantâneos#inclusãofinanceira#fintechs#cartõesdecrédito
G
G1
Yayıncı
Tamaño de fuente

Uma das alegações dos Estados Unidos para as novas tarifas é o PIX, o sistema de pagamento criado pelo Banco Central do Brasil. O governo Trump afirma que o PIX prejudica a competição com empresas americanas. Especialistas e representantes do setor financeiro brasileiro discordam.

No sinal de trânsito, para a venda de biscoitos.

“Tudo PIX. Filmou no QR Code, pagou rapidinho”, diz o vendedor ambulante Eric Leonardo Gomes.

Para pagar a corrida de táxi.

“É uma média de 70% no PIX”, afirma o taxista Fidelcino Antunes Barroso.

Ou na loja de luminárias sofisticadas.

“O pessoal está optando mais por PIX. Nós damos desconto de 5%”, conta o balconista Jaime de Moraes Silva.

Os estudos para implantação do PIX começaram em 2018, no Banco Central. E o programa de pagamentos criado por técnicos foi instituído oficialmente pelo BC em novembro de 2020. Dados do Banco Central mostram que oito em cada dez brasileiros usam o PIX. São transferências instantâneas entre contas bancárias, pagamentos no comércio, de boletos em geral. Só em janeiro de 2026, o sistema registrou R$ 7 bilhões de transações. Em dezembro de 2025, mais de R$ 313 milhões em movimentações financeiras em um único dia.

Na terça-feira (2), o mercado foi surpreendido pelo anúncio do governo americano, que usou o PIX como parte da justificativa para a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A investigação do Escritório de Comércio dos Estados Unidos considerou que o BC atua como regulador e operador do sistema, e isso favoreceria o PIX e limitaria a atuação de grandes operadoras de cartão de crédito americanas e também de big techs, que têm suas carteiras digitais de pagamento. Há também um receio com o avanço do PIX internacional, que já é aceito de forma limitada em alguns países, como a Argentina.

Novas tarifas: EUA dizem que o PIX prejudica empresas americanas; setor financeiro, no Brasil, discorda — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Camila Villard Duran, especialista em sistema monetário internacional, ressalta que os Estados Unidos não têm o poder de interferir no funcionamento do PIX aqui no Brasil e que os argumentos americanos são frágeis.

“O PIX proporcionou maior inclusão financeira que nós tínhamos, inclusive, era uma taxa bastante elevada de desbancarizados. Na verdade, o PIX trouxe mais consumidores para essas entidades privadas. O acesso é possível a bancos tradicionais e também a fintechs, a entidades reguladas pelo Banco Central, que não se restringem somente a bancos ou que esse banco ou essa entidade seja controlada por capital brasileiro. Então, a acusação de prática discriminatória, ela não se sustenta”, afirma Camila Villard Duran, professora associada de direito da ESCA.

Números do Banco Central mostram que, no segundo semestre de 2025, a utilização do PIX teve um aumento de mais de 24% e, mesmo assim, o mercado de cartões de crédito manteve tendência de expansão.

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos disse que o "PIX é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e, consequentemente, da atividade econômica. Trata-se de um modelo aberto e não discriminatório, com participação de bancos, fintechs, instituições financeiras nacionais e estrangeiras".

A Confederação Nacional do Comércio diz que acredita em uma saída diplomática entre Brasil e Estados Unidos.

“Não interessa para o Brasil não contar com esse meio de pagamento, não interessa para o Brasil não contar com uma relação histórica com os Estados Unidos. Inclusive, em termos de saldo comercial, o saldo é favorável aos americanos. Portanto, a gente acredita que manter a boa relação histórica comercial com os Estados Unidos é algo fundamental. Beneficia a nossa economia e beneficia a economia americana também, porque a gente viu durante o tarifaço muitos setores da nossa economia ficaram preocupados. A taxação era até maior do que os 25% que estão sendo propostos agora", diz Fábio Bentes, economista-chefe da CNC.

LEIA TAMBÉM

This article was originally published by G1.

Related Stories