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Lilia Cabral protagoniza monólogo sobre Rita Lee em São Paulo
Cultura
G14/6/2026Cultura3 min de lecturaBrazil

Lilia Cabral protagoniza monólogo sobre Rita Lee em São Paulo

En resumen

  • Lilia Cabral estrela "Rita Lee – Balada da louca", monólogo teatral em São Paulo que adapta o livro "Outra autobiografia" da cantora, falecida em 2023.
  • A peça, que dura 70 minutos, retrata a luta de Rita Lee contra o câncer com leveza e mordacidade.

Resumen generado por IA

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♬ Rita Lee tinha 73 anos e 37 quilos em 9 de abril de 2021 quando recebeu o diagnóstico de câncer no pulmão e vivenciou situação em que “a gente se olha e não sabe se vai ou se fica”, como a artista já tinha resumido, há 50 anos, em verso da existencialista balada “Coisas da vida” (1976).

Rita Lee Jones (31 de dezembro de 1947 – 8 de maio de 2023) ficou durante mais dois anos no plano físico e, nesse tempo, escreveu um segundo livro de memórias, fazendo com verve a crônica dos dias de luta diante da morte anunciada pelos médicos, que lhe deram o prognóstico de mais alguns meses de vida no momento do diagnóstico.

Lançado em 22 de maio de 2023, já em caráter forçosamente póstumo, o livro “Outra autobiografia” deu sequência à narrativa de “Uma autobiografia” (2016) – um dos maiores best-sellers do mercado literário brasileiro nos últimos dez anos – e, três anos depois, se tornou a base do espetáculo teatral “Rita Lee – Balada da louca”, protagonizado por Lilia Cabral e estreado em 22 de maio de 2026 no Teatro Faap, na cidade de São Paulo (SP), onde ficará em cartaz até 9 de agosto.

Idealizado por Guilherme Samora, que adaptou o texto do livro para o palco, “Rita Lee – Balada da louca” não se enquadra na moldura do musical de teatro. É, antes, um monólogo pontuado por música.

Aliás, já na abertura da peça, Lilia Cabral dá voz (bem colocada, em tons baixos evocativos do canto de Rita Lee) ao sucesso “Nem luxo nem lixo” (1980), um dos muitos hits da parceria de Rita com Roberto de Carvalho, cujo piano é ouvido em off ao longo do espetáculo orquestrado sob direção musical de Dani Nega.

Embora costurada pela leveza e pela mordacidade típica da escrita de Rita, a narrativa do livro “Outra autobiografia” expõe sem pudor e sem autopiedade a progressiva decadência física da roqueira na medida em que foram aparecendo outros tumores pelo corpo da artista, inclusive na cabeça.

No palco, o texto ganha tons mais suaves, até porque “Balada da louca” constrói aura sagrada em torno de Santa Rita de Sampa, mas a essência do livro está lá.

Atriz excepcional, paulistana como Rita Lee, Lilia Cabral personifica a artista com naturalidade, em tons sempre serenos, indo do riso ao choro em menos de um minuto. Contudo, as lágrimas eventuais da atriz – símbolos dos momentos em que Rita se permitiu chorar diante da morte do corpo que já se insinuava inevitável – jamais pesam o clima.

Sem apelar para o sentimentalismo, traço inexistente na escrita da roqueira, o monólogo “Rita Lee – Balada da louca” evolui com permanente leveza ao longo de 70 minutos. A graciosidade da peça se estende à direção de Beatriz Barros, sensível, por exemplo, ao simbolizar no manejo do acordeom o movimento de abrir e fechar os pulmões.

O único estranhamento do texto é o momento em que, já perto do fim do monólogo, Lilia Cabral sai da personagem para ser ela mesma em depoimento confessional sobre a admiração que sempre nutriu por Rita Lee desde a adolescência. Mas Lilia Cabral logo volta a ser Rita Lee neste espetáculo simpático, de energia boa, que complementa o musical biográfico estrelado pela atriz Mel Lisboa.

E, no fim das contas, Lilia Cabral, uma das maiores atrizes do Brasil, devota de Santa Rita de Sampa, sempre vale o ingresso de qualquer espetáculo, inclusive desse monólogo arrematado com a marcha pop foliã “Dias melhores virão” (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1989), como se sinalizasse que, “depois da estrada, começa uma nova avenida”...

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This article was originally published by G1.

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