Policial penal investigado por agiotagem ameaçou professora em RR: 'Com polícia ninguém brinca'
Paulo dos Santos Silva emprestou R$ 5 mil a mulher e passou a enviar mensagens com intimidações para vítima e familiares após ela atrasar pagamentos. Ele intimidou a vítima pessoalmente e por telefone.
En resumen
- Um policial penal em Roraima, Paulo dos Santos Silva, é investigado por agiotagem, perseguição e ameaça contra uma professora.
- Ele cobrou R$ 25 mil por um empréstimo de R$ 5 mil, usando intimidações pessoais e por WhatsApp.
- A Justiça impôs medidas protetivas, mas a defesa nega as acusações.
Resumen generado por IA
Por qué importa
O policial penal Paulo dos Santos Silva é investigado por agiotagem, perseguição e ameaça contra uma professora em Boa Vista, após ela atrasar o pagamento de um empréstimo de R$ 5 mil com juros de 20% ao mês, que ele passou a cobrar como R$ 25 mil.
O policial Paulo dos Santos Silva é investigado por agiotagem, perseguição e ameaça contra uma professora em Boa Vista.
Ele ameaçou a vítima pessoalmente e por telefone com frases como "eu sou ruim, não tenho coração" e "com polícia ninguém brinca" segundo a investigação.
Vítima pegou R$ 5 mil emprestados com juros de 20% ao mês. Após o atraso, o policial passou a cobrar R$ 25 mil sob ameaças e intimidações.
A defesa do policial penal afirma que as acusações são falsas. Sejuc informou que foi notificada, mas que não há ordem para afastar o servidor.
Em nota, a defesa de Paulo dos Santos Silva informou que as acusações são falsas. Disse ainda que a própria vítima reconheceu a existência da dívida financeira em depoimento à polícia, e a denúncia seria uma tentativa de evitar o pagamento do empréstimo.
Segundo o pronunciamento, o servidor apresentou documentos à Justiça para comprovar a legalidade do acordo financeiro, afirmou que está à disposição para colaborar com as investigações e que adotará medidas judiciais contra as acusações.
O caso chegou à Justiça após a mulher atrasar o pagamento de um empréstimo com juros acima do permitido por lei. O g1 teve acesso à investigação da Polícia Civil. A professora pegou R$ 5 mil emprestados com o policial cerca de seis meses antes da denúncia. O acordo verbal previa juros de 20% ao mês.
As primeiras parcelas do empréstimo chegaram a ser pagas no prazo. No entanto, um imprevisto financeiro impediu a quitação de parte do valor em abril e foi nesse período que Paulo passou a cobrar taxas excessivas e alegar que ela devia R$ 25 mil para ele.
Intimidações no local de trabalho
Um dos episódios de intimidação mais grave ocorreu em maio. Paulo foi pessoalmente a um local de trabalho da mulher para cobrar a dívida. No local, ele disse que ela teria que pagar "de uma forma ou de outra" e afirmou: "Eu sou ruim. Não tenho coração. Você está tratando é com homem e não com moleque, e com polícia ninguém brinca".
Naquele momento, uma cliente que estava na loja foi embora assustada ao ouvir as ameaças, segundo o depoimento da vítima, que também é feirante.
Dias depois o policial ligou para a vítima. Segundo outro relato feito pela mulher ele começou a conversa com voz calma e pediu o dinheiro. Logo em seguida, mudou o tom e repetiu que "não tem coração", que a professora estava "brincando com a cara" dele e que "com polícia não se brinca".
O agente passou a ir aos locais de trabalho da professora constantemente. Em uma das ocasiões, o filho da servidora, um adolescente de 14 anos, presenciou os gritos do policial. O adolescente, que usava uniforme escolar, sentiu medo de que o investigado fosse procurá-lo na escola.
As mensagens com o tom de intimidação também ocorriam pelo WhatsApp. "Preciso falar com você agora, se vc não me atender eu vou lá na sua casa", escreveu o agente em uma das ocasiões.
A Polícia Civil informou que abriu inquérito para investigar o caso. O Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR) determinou, em julho, que o policial mantenha distância mínima de 300 metros da mulher e da família dela. O juiz também proibiu qualquer tipo de contato por parte do investigado.
A Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) confirmou que recebeu notificação judicial sobre as restrições impostas ao policial. Também declarou que não há ordem da Justiça para afastar o servidor do cargo ou abrir processo disciplinar.
A Corregedoria disse que acompanha o caso e aguarda o fim da apuração para tomar as medidas administrativas, caso a Justiça assim determine.
Ameaças por mensagem
As intimidações do agente ocorriam principalmente pelo aplicativo WhatsApp. Em uma das mensagens enviadas à vítima, o policial diz: "Não se queime comigo minha amiga. Eu não tenho coração, sempre te falei isso".
Para pressionar a servidora, o policial tentava impor medo e ameaçava invadir a privacidade da família. Em outro momento, ele escreveu: "Vc fez negócio foi com o HOMEM".
O inquérito detalha que o servidor fazia ligações em horários inoportunos, como às 4h. Ele também passou a procurar o marido e a irmã da vítima. Ao marido da servidora, o policial penal afirmou que já tinha a rotina dela "mapeada", e que localizaria a mulher em qualquer lugar.
A pressão fez com que a vítima desenvolvesse síndrome do pânico e precisasse de acompanhamento psicológico. O Ministério Público (MP) de Roraima apoiou o pedido de medidas protetivas de urgência, aceito pela Justiça.
O juiz negou a suspensão do porte de arma do agente em razão da profissão, mas alertou que o descumprimento das medidas restritivas pode resultar em punições mais graves. A Sejuc recebeu ofício sobre o caso para tomar providências.
Qué observar
Perspectiva de IA — posibilidades, no hechos
A Corregedoria tomará medidas administrativas após o fim da apuração.
Probable · En meses
Preguntas abiertas
- Qual será o resultado do inquérito da Polícia Civil?
- A Sejuc abrirá processo disciplinar contra o servidor?
- Quais serão as medidas administrativas da Corregedoria?







