Delegado de Roraima é alvo de representação do MP por misoginia institucionalizada
L'essentiel
- MP de Roraima pede afastamento de delegado por misoginia institucionalizada, citando casos contra agente, funcionárias de condomínio e esposa.
- Delegado responde a 47 processos desde 2005.
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Pourquoi c'est important
O Ministério Público de Roraima (MPRR) ajuizou uma representação contra um delegado da Polícia Civil, alegando conduta reiterada de ofensas, intimidações e uso da posição funcional contra mulheres, caracterizando misoginia institucionalizada.
Na ação, o MPRR cita que alguns dos episódios que envolvem o delegado revelam uma conduta reiterada de ofensas, intimidações e uso da posição funcional contra mulheres em diferentes contextos.
Segundo o MP, os casos não devem ser analisados como situações isoladas, mas como parte de um comportamento classificado como “misoginia institucionalizada”. A representação enumera situações sobre mulheres e cita uma agente da Polícia Civil, duas funcionárias de um condomínio e a própria esposa do delegado, que possui uma medida protetiva de urgência contra ele.
O g1 procurou o delegado sobre o assunto, mas não recebeu resposta até a última atualização da reportagem.
"Os fatos deixam de configurar episódios avulsos e passam a compor um quadro estrutural e reiterado de abuso de autoridade, misoginia institucionalizada e utilização do cargo e do aparato policial como instrumento de intimidação — quadro esse que, como se demonstrará, remonta há mais de duas décadas de procedimentos disciplinares e criminais sistematicamente neutralizados pela prescrição e pela decadência, sem jamais resultar em responsabilização efetiva", cita trecho do documento que o g1 teve acesso.
'Mandar prender essa vagabunda'
Um dos casos citados pelo MP ocorreu em julho de 2025, dentro da Delegacia-Geral da Polícia Civil. Conforme a ação, uma agente pediu que o delegado retirasse o carro particular de uma vaga destinada a viaturas. O documento afirma que ele questionou a abordagem da policial, que era recém-ingressa na instituição, e teria dito a outro servidor que iria "mandar prender essa vagabunda".
Essa reação, segundo o MP, demonstrara uma tentativa de desqualificar a servidora em razão da posição que ela ocupava dentro da corporação.
Outro episódio ocorreu em junho de 2026, em um condomínio de Boa Vista. Segundo a ação, duas funcionárias orientaram o delegado sobre regras internas do prédio relacionadas a uma mudança. O MP afirma que ele ofendeu as trabalhadoras com termos como “vagabunda” e “filha da puta”, além de ter tomado o telefone de uma delas quando ela tentava acionar o síndico.
Além disso, cita que o delegado dizia possuir fuzis no veículo, o que teria causado medo nas funcionárias. O documento destaca ainda que a postura dele teria mudado após o subsíndico se apresentar como general do Exército.
Delegado da Polícia Civil de Roraima, Alexandre Henrique de Matos Lima, é alvo de representação do Ministério Público. — Foto: Reprodução/Facebook
De acordo com o MP, essa diferença de comportamento reforça a tese de que a agressividade era direcionada principalmente a mulheres em posições consideradas inferiores na hierarquia profissional ou social.
"Essa repetição do mesmo padrão de deferência seletiva a homens hierarquicamente valorizados, em contraposição à agressividade sistemática contra mulheres em posição de trabalho subalterna", cita trecho da representação.
Além desses episódios, o Ministério Público cita um caso de violência doméstica envolvendo a esposa do delegado, que resultou na concessão de medida protetiva de urgência.
O órgão defendeu que a permanência do delegado no cargo representa risco às vítimas e testemunhas, considerando o histórico de procedimentos disciplinares e criminais atribuídos a ele desde 2005. Por isso, pediu à Justiça o afastamento das funções públicas, suspensão do porte de arma, recolhimento do armamento funcional e restrições de contato com as vítimas.
Procurada, a Polícia Civil de Roraima informou que o caso tramita em segredo de justiça e que "todas as medidas e determinações judiciais, no âmbito da Corporação, foram adotadas tempestivamente".
Procedimentos disciplinares
O documento afirma que o delegado responde ou respondeu a pelo menos 47 procedimentos disciplinares e criminais desde 2005. Entre eles estão processos administrativos, sindicâncias, termos circunstanciados e inquéritos. As apurações envolvem suspeitas de abuso de autoridade, ameaça e extorsão.
Um dos casos citados ocorreu em 2007, envolvendo suspeita de abuso de autoridade, ameaça e extorsão de R$ 10 mil para liberar um preso.
A representação também informa que ele respondeu a 11 termos circunstanciados, registrados em junho de 2013, por injúria e ameaça contra diferentes vítimas, entre elas o então delegado-geral adjunto.
Em 2015, o delegado também foi alvo de uma sindicância por suspeita de abuso de autoridade contra um migrante venezuelano em uma fazenda de Amajari, no Norte de Roraima. Segundo o documento, ele também teria se apresentado como corregedor de polícia.
Segundo o documento apresentado à Justiça, parte desses procedimentos terminou com arquivamento ou absolvição na esfera administrativa, o que reforça a reiteração de condutas ao longo de duas décadas.
"Essa ausência histórica de resposta cautelar, por si, contribuiu para consolidar no investigado a percepção de intangibilidade que permitiu a escalada ora relatada, migrando de um padrão de abuso de autoridade genérico para um padrão consolidado e recente de misoginia institucionalizada", disse o órgão.
Além do afastamento do delegado, o Ministério Público pediu a suspensão das funções públicas, do porte de arma e o recolhimento do armamento funcional, bloqueio de acesso aos sistemas da Polícia Civil, além da proibição de contato com as vítimas e de acesso às unidades policiais.
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Ops!
Questions ouvertes
- Qual será o desfecho da representação contra o delegado?
- Haverá outras vítimas que se manifestarão?
- Quais medidas a Polícia Civil tomará internamente?







