Deputados do Rio consideram suspender emendas de R$ 1,5 bilhão para 2026
L'essentiel
- Deputados estaduais do Rio de Janeiro cogitam suspender a execução de emendas parlamentares previstas para 2026, inicialmente estimadas em R$ 1,5 bilhão.
- A justificativa oficial é o equilíbrio das contas estaduais, que projetam um déficit de R$ 19 bilhões.
- Paralelamente, crescem investigações sobre o uso de emendas, incluindo as "emendas Pix", e o STF também apura esquemas de desvio de recursos.
Résumé généré par IA
Pourquoi c'est important
Deputados estaduais do Rio de Janeiro estavam discutindo o aumento das emendas parlamentares de R$ 200 milhões para R$ 1,5 bilhão a partir de 2027. No entanto, a proposta foi revista, e agora considera-se a suspensão das emendas de 2026 devido a preocupações fiscais e investigações em andamento.
Inicialmente, os deputados estaduais discutiam elevar o valor das emendas de cerca de R$ 200 milhões para R$ 1,5 bilhão a partir de 2027. Em maio, no entanto, a proposta já havia sido revista. Nesta semana, parlamentares passaram a admitir também a possibilidade de suspender a execução das emendas previstas para 2026.
Públicamente, a justificativa é a necessidade de contribuir para o equilíbrio das contas estaduais. O Rio de Janeiro projeta um déficit de R$ 19 bilhões no orçamento do próximo ano.
O movimento acontece no mesmo momento em que crescem as investigações sobre a aplicação das emendas parlamentares. O governo estadual abriu quase 100 processos administrativos para apurar a destinação desses recursos.
A apuração interna, revelada pela CBN, investiga a tentativa de transferir mais de R$ 14 milhões para municípios fluminenses por meio das chamadas emendas Pix.
Nessa modalidade, o dinheiro é enviado diretamente para as contas das prefeituras, sem a necessidade de convênios ou instrumentos mais detalhados de acompanhamento.
“Elas se configuram como uma espécie de doação para o município beneficiado e ele pode fazer praticamente o que quiser com esse recurso. Até 2024, sequer se sabia qual era a utilização, tanto no nível federal como nos estados e municípios que tinham essa modalidade”, afirmou Cristiano Pavini, coordenador de projetos da Transparência Brasil.
Nos bastidores da Alerj, o receio de novas investigações também é apontado como um dos fatores para a mudança de posição dos parlamentares.
Na terça-feira (9), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou a aplicação de multas a estados e municípios que não prestaram contas sobre recursos recebidos por meio de emendas Pix.
Outra frente de investigação sobre emendas parlamentares tramita no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. O caso levou à prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante), suspeito de envolvimento em um esquema de desvios de recursos destinados a reformas em escolas da rede estadual.
Documentos obtidos pela investigação indicam que uma emenda apresentada por Rangel tinha como destino uma empresa que, segundo a Polícia Federal, seria de fachada e utilizada para lavar dinheiro oriundo do esquema. A descoberta abriu uma nova linha de apuração.
Cada deputado tem direito a indicar R$ 3 milhões em emendas. Ao todo, foram apresentadas 1.182 propostas: 98 emendas Pix destinadas a prefeituras, 259 para organizações da sociedade civil, 51 para projetos específicos em municípios ou no estado, 209 para fundos, como os de saúde e segurança, e 565 para órgãos estaduais.
Segundo relatos de bastidores, outro fator que contribuiu para o enfraquecimento das emendas foi a perda de influência dos deputados sobre órgãos do Executivo.
Entre os mais de 3 mil servidores exonerados durante a gestão do secretário estadual de Governo, Ricardo Couto, estavam indicados políticos de parlamentares. Muitos ocupavam cargos estratégicos em áreas responsáveis pela execução dos recursos destinados pela Alerj.
À surveiller
Perspective IA — des possibilités, pas des certitudes
Suspensão das emendas parlamentares para 2026.
Probable · En quelques jours
Aumento das investigações sobre o uso de emendas parlamentares.
Très probable · En quelques semaines
Novas sanções ou multas aplicadas pelo STF a estados e municípios.
Possible · En quelques mois
Questions ouvertes
- Quais serão as consequências exatas da suspensão das emendas para os municípios e organizações beneficiadas?
- Haverá outras medidas de austeridade fiscal além da suspensão das emendas?
- Quais serão os desdobramentos das investigações do STF sobre o desvio de recursos?
- Qual o impacto da perda de influência dos deputados sobre órgãos do Executivo na governabilidade do estado?






