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Desenhos de mais de 260 anos são encontrados em porão de casa em Ouro Preto
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G123.05.2026Other4 dk okumaBrazil

Desenhos de mais de 260 anos são encontrados em porão de casa em Ouro Preto

L'essentiel

  • Um painel com 26 gravuras de mais de 260 anos, feito com grafite mineral e incisões, foi descoberto em um porão em Ouro Preto, MG.
  • As inscrições, registradas como sítio arqueológico "Inscrições Afrodiaspóricas", são consideradas de valor único e relevância nacional.

Résumé généré par IA

Pourquoi c'est important

Um painel com 26 gravuras, datadas entre a década de 1750 e a primeira metade do século 19, foi descoberto em um porão em Ouro Preto, Minas Gerais. Os desenhos, feitos com grafite mineral e incisões, retratam bichos, plantas, gente e formas geométricas, e foram registrados como sítio arqueológico "Inscrições Afrodiaspóricas".

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Essa história se passa no número 134 da Rua Conde de Bobadela, antiga Rua Direita, em um imóvel construído há mais de 260 anos.

🔎 Rua Direita é uma das principais de Ouro Preto, que no século 18 se tornou símbolo do ciclo do ouro no Brasil, período marcado pela exploração do trabalho de pessoas escravizadas.

Os pais do administrador Philipe Passos compraram a casa por volta de 1980, com a intenção de abrir um restaurante. Foi um funcionário que notou os desenhos, inscritos em um painel de argamassa sobre uma parede de pedras no porão, e alertou a família após o início das obras, em 2017.

"O desenho é para mim maior que a casa. É uma mensagem do passado para o futuro, que reforça o sentimento da brutalidade que foi e que é a escravização do homem pelo homem", disse Philipe.

Esta reportagem aborda os seguintes pontos:

Bichos, plantas e gente

Grafite mineral e incisões na parede

'Bem arqueológico de valor único'

Diretrizes para visitação e relevância nacional

Casarão na Rua Direita, em Ouro Preto, onde desenhos foram encontrados — Foto: Leonardo Klink/ Divulgação

Bichos, plantas e gente

O historiador e arqueólogo Leonardo Klink soube das gravuras pelas notícias de jornais da época e, há quatro anos, dedica-se a estudar o painel e o sobrado, tema do projeto de pesquisa do doutorado dele na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele usa uma abordagem não interventiva, destinada à preservação dos vestígios encontrados.

O pesquisador identificou 26 gravuras, algumas invisíveis a olho nu. Há, por exemplo, uma embarcação com três pessoas a bordo, uma máscara com feições humanas com uma espécie de barba, um felino, duas aves e plantas, além de formas geométricas (veja fotos ao final da reportagem).

Uma das figuras mais curiosas mistura traços de gente e de bicho: tem braços, pernas e tronco e, ao mesmo tempo, chifres e dentes pontudos. Há, ainda, um desenho arquitetônico com referências da África Ocidental.

"Tem um grupo de pessoas numa espécie de pátio, e pessoas usando um pilão, que era muito usado no ambiente doméstico. Mas, quando a gente vê o tipo de estrutura arquitetônica que rodeia essas pessoas, as torres, não era algo encontrado na América Portuguesa", explicou Klink.

Grafite mineral e incisões na parede

Segundo ele, as gravuras foram feitas por meio de grafite mineral e incisões na parede – com uso de pregos e cacos de vidro, por exemplo.

Não é possível saber exatamente quem desenhou nem quando, mas a pesquisa indica que várias mãos, possivelmente até de gerações diferentes, deixaram marcas no painel, entre a década de 1750 e a primeira metade do século 19.

"Essa pessoa possivelmente vivia em grupo, acabou capturada e escravizada, sobreviveu à insalubre rota do Atlântico, chegou aos portos brasileiros, foi levada ao interior de Minas Gerais, chegou a Vila Rica [atual Ouro Preto], foi adquirida e trazida para essa casa. Durante esse trajeto penoso, tortuoso, alguma coisa se preservou, que foi essa memória pré-escravização", afirmou.

O contexto em que esses desenhos foram feitos também é um mistério: apesar de haver relatos de que os porões dos sobrados eram usados como senzalas, essa é apenas uma das possibilidades.

"Até meados da década de 1970, esse porão era um lugar escuro, com piso de terra, sem energia elétrica, úmido. Tem essa conotação de cativeiro associada a senzala, mas também pode ter sido um espaço que era inacessível, e essas pessoas aproveitaram para fazer as inscrições remontando a memórias e lembranças de maneira segura", falou.

'Bem arqueológico de valor único'

O painel foi oficialmente registrado como sítio arqueológico e cadastrado no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG) do Iphan em 23 de março de 2026, com o nome "Inscrições Afrodiaspóricas".

O parecer técnico que recomendou o reconhecimento, assinado pelo arqueólogo Daniel Gabriel da Cruz, destaca o "valor único" do bem.

"Não foi localizada na bibliografia consultada vestígios de natureza semelhante", escreveu.

Diretrizes para visitação e relevância nacional

O Iphan disse, em nota, que "está direcionando esforços para o projeto de conservação do painel" e a elaboração de diretrizes para visitação.

"O sítio arqueológico 'Inscrições Afrodiaspóricas' constitui, até o momento, um bem de natureza singular e de fundamental importância para a história da diáspora africana no estado de Minas Gerais e no Brasil, bem como para o necessário exercício de reconstituição e valorização das trajetórias das pessoas submetidas ao regime de escravidão. É considerado de relevância nacional, com valor informativo e memorial excepcional", declarou o órgão.

O administrador Philipe Passos, que também é responsável pela restauração do imóvel, ainda não sabe qual será o destino final da casa, mas a ideia da família é que o porão seja destinado à contemplação do painel.

"Estamos aguardando os estudos e as determinações do Iphan quanto à preservação, conservação e exposição da descoberta. Quanto ao restante da casa, mas isso é só a minha opinião pessoal, também deverá seguir o caminho mostrado por aquele que fez os desenhos no porão. Um não a todas as formas de escravização", falou.

Desenhos encontrados em painel em porão de casa em Ouro Preto (2023) — Foto: Caroline Ferreira/ Divulgação

Desenhos encontrados em painel em porão de casa em Ouro Preto (2023) — Foto: Caroline Ferreira/ Divulgação

Desenhos encontrados em painel em porão de casa em Ouro Preto (2023) — Foto: Caroline Ferreira/ Divulgação

Desenhos encontrados em painel em porão de casa em Ouro Preto (2023) — Foto: Caroline Ferreira/ Divulgação

Desenhos encontrados em painel em porão de casa em Ouro Preto (2023) — Foto: Caroline Ferreira/ Divulgação

Desenhos encontrados em painel em porão de casa em Ouro Preto (2023) — Foto: Caroline Ferreira/ Divulgação

Desenhos encontrados em painel em porão de casa em Ouro Preto (2023) — Foto: Caroline Ferreira/ Divulgação

Desenhos encontrados em painel em porão de casa em Ouro Preto (2023) — Foto: Caroline Ferreira/ Divulgação

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Ops!

À surveiller

Perspective IA — des possibilités, pas des certitudes

  • Elaboração de diretrizes para visitação e conservação do painel pelo Iphan.

    Très probable · En quelques mois

  • Destinação do porão para contemplação do painel.

    Probable · Moyen terme

Questions ouvertes

  • Quem exatamente fez as gravuras?
  • Qual o significado exato de todas as figuras representadas?
  • Qual era a função original do porão onde os desenhos foram encontrados?
  • Como as memórias pré-escravização foram preservadas durante o trajeto até Ouro Preto?

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This article was originally published by G1.

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