El Niño deve se intensificar e reacende alerta de chuvas extremas no RS
L'essentiel
- Agência climática dos EUA prevê intensificação do El Niño no inverno de 2026-2027, com 63% de chance de se tornar muito forte.
- O fenômeno reacende alerta de chuvas extremas no Rio Grande do Sul, que ainda lida com as consequências da tragédia de 2024.
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Pourquoi c'est important
O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que altera padrões climáticos globais. A La Niña é sua fase oposta, com resfriamento das águas. No Brasil, El Niño tende a causar secas no Norte/Nordeste e chuvas intensas no Sul.
O boletim da agência norte-americana indicou 63% de probabilidade de o fenômeno se tornar muito forte, com potencial para figurar entre os maiores registrados desde 1950. No Rio Grande do Sul, a consolidação do cenário reacende o alerta para chuvas extremas.
"As condições do El Niño estão presentes e espera-se que se intensifiquem durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte", afirmou a agência climática dos EUA.
O desenvolvimento do fenômeno no primeiro semestre de 2026 já era esperado após meses de aquecimento gradual no Pacífico. Em maio, a chance apontada era de 82%.
O estado ainda lida com as consequências da tragédia climática de 2024, quando o sistema de proteção de Porto Alegre colapsou e o nível do Guaíba atingiu 5,37 metros. Naquele ano, a catástrofe resultou da combinação de um El Niño iniciado em 2023, frentes frias e o aquecimento do Oceano Atlântico. Mais de 180 pessoas morreram e quase 95% dos municípios gaúchos foram afetados.
O que é o fenômeno El Niño?
O El Niño e a La Niña são as duas fases do mesmo fenômeno climático, chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul).
🔥 O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre em intervalos irregulares, geralmente a cada 2 a 7 anos. Ele é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5ºC das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e a distribuição de calor e umidade ao redor do globo, impactando os padrões de clima em diversas partes do mundo.
❄️ A La Niña é o oposto: um resfriamento dessas mesmas águas, com efeitos igualmente significativos, mas em direção contrária, e tende a provocar estiagem no Sul.
Os efeitos do fenômeno El Niño — Foto: Arte/g1
Quais as consequências práticas para o RS?
No Brasil, os efeitos do El Niño são distintos: enquanto provoca secas nas regiões Norte e Nordeste, aumenta significativamente o volume e a frequência das chuvas na Região Sul.
A relação entre El Niño e eventos extremos no Sul do Brasil aparece em um estudo do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, publicado em 2025 na revista científica Communications Earth & Environment. A pesquisa analisou 45 anos de dados de vazão de rios em 788 estações de monitoramento da América do Sul e concluiu que o fenômeno aumenta a probabilidade de cheias na Bacia do Prata, região que abrange parte do território gaúcho.
A meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, avalia que o El Niño atual tem intensidade comparável à de 2023. Ela projeta que os efeitos locais comecem no inverno, mas ressalta que o período de maior risco é a primavera, estação que historicamente já concentra eventos de precipitação intensa na região Sul.
Para o pesquisador Rodrigo Paiva, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é difícil afirmar se haverá uma cheia igual à de 2024, mas o El Niño exige a aceleração de medidas preventivas.
Entre as melhorias citadas pelo especialista estão investimentos na Defesa Civil, em sistemas de previsão e na reconstrução de pontes e estradas. As novas estruturas foram projetadas de forma mais resiliente para suportar os impactos das mudanças climáticas.
Contudo, o pesquisador alerta que a principal vulnerabilidade persiste na capital. O sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre, formado pelo Muro da Mauá, diques e casas de bombas, foi severamente danificado e ainda não está totalmente recuperado.
Conforme Paiva, apresentações do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) mostram que apenas parte das falhas foi resolvida, enquanto a maioria segue em fase de projeto ou com obras em andamento. Caso ocorra uma cheia de grande magnitude, partes da cidade podem voltar a alagar.
O especialista do IPH conclui que a preparação precisa ser contínua, pois eventos extremos podem ocorrer em qualquer ano. Ele avalia que a memória recente da população sobre a tragédia auxilia na mitigação de danos, mas defende que as estratégias fiquem para a posteridade através de planos permanentes.
Mapa mostra mudanças recentes nos oceanos usadas para monitorar El Niño e La Niña. — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA
Chuva extrema no Rio Grande do Sul em 2024, provocada por sobreposição de eventos climáticos, incluindo El Niño — Foto: Renan Mattos/REUTERS via DW
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À surveiller
Perspective IA — des possibilités, pas des certitudes
El Niño se intensificará durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte.
Forte probabilité · En quelques mois
Aumento significativo do volume e frequência das chuvas na Região Sul do Brasil.
Très probable · En quelques mois
Risco de alagamentos em Porto Alegre caso ocorra uma cheia de grande magnitude.
Possible · En quelques mois
Questions ouvertes
- Qual a magnitude exata das chuvas esperadas para o Rio Grande do Sul?
- Quais serão os impactos econômicos e sociais das novas cheias?
- O sistema de proteção de Porto Alegre estará totalmente recuperado a tempo?
- Quais novas medidas preventivas serão implementadas além das citadas?






