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Justiça da Paraíba prorroga prisão de delegado e policiais em operação contra tráfico
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G101.07.2026Crime12 dk okumaBrazil

Justiça da Paraíba prorroga prisão de delegado e policiais em operação contra tráfico

L'essentiel

  • A Justiça da Paraíba prorrogou por 30 dias a prisão temporária de Braz Morroni, delegado, e de outros oito investigados na Operação Perfídus, que apura ligação com tráfico de drogas.
  • Pedidos de prisão domiciliar e desbloqueio de contas foram negados.

Résumé généré par IA

Pourquoi c'est important

A Operação Perfídus apura suspeita de ligação de policiais civis e um delegado com o tráfico de drogas, com indícios de desvio de drogas apreendidas e movimentação de R$ 10 milhões.

Taille de police

A Justiça da Paraíba prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária do delegado Braz Morroni, dos agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge, e outros sete investigados presos durante a Operação Perfídus, que apura suspeita de ligação dos suspeitos com o tráfico de drogas. A decisão aponta que o novo prazo é necessário para a conclusão das investigações em andamento.

De acordo com documento, ao qual o g1 teve acesso, a prorrogação, solicitada na segunda-feira (30), acontece porque o prazo inicial foi considerado insuficiente para a análise integral de celulares, computadores e outros materiais apreendidos.

Ainda na mesma decisão, a Justiça negou o pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa de Braz Morroni. Apesar do indeferimento, foi determinado que o investigado receba acompanhamento médico na unidade prisional.

A defesa de Braz Marroni afirma que a prisão configura constrangimento ilegal e que irá contestar a decisão por meio de habeas corpus. Segundo o advogado, não há individualização das condutas e o delegado está preso com base em áudios de terceiros, sem indícios concretos de participação ou conhecimento dos fatos, além de não ter sido analisado um pedido de conversão da prisão em domiciliar por motivo humanitário, já que ele está em tratamento de câncer.

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A Justiça também negou os pedidos de desbloqueio de contas bancárias feitos por Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como Bomba, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como Mão Branca, presos na mesma operação.

O despacho determina que a Polícia Civil conclua as perícias e apresente o relatório final do inquérito dentro do mesmo prazo de 30 dias, contado a partir da prorrogação das prisões temporárias.

O delegado e os demais investigados permanecem presos no Presídio Especial do Valentina, localizado em João Pessoa.

Defesas negam crimes

À época dos fatos, a defesa de Everton Aires afirmou que o devido processo legal está em curso e que o investigador não aceita as acusações. Já o advogado de Eduardo Jorge disse que não é crível que policiais negociem drogas de forma aberta e que pode haver um processo de desgaste de imagem.

O g1 não conseguiu novo contado com as defesas de 'Bomba' e 'Mão Branca'.

As investigações

Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início em fevereiro de 2025, após a denúncia de um traficante que relatou que drogas apreendidas teriam sido desviadas por agentes da corporação. Ao longo das apurações, os investigadores reuniram elementos que indicam que o esquema investigado teria movimentado cerca de R$ 10 milhões em vendas ao longo de quatro anos.

Dos nove mandados de prisão expedidos pela Justiça contra os suspeitos, oito foram cumpridos na operação Perfídus.

Operação Perfídius foi deflagrada na manhã desta terça-feira (2) — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Quem é quem no esquema

Braz Morroni - delegado da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT)

Delegado Braz Morroni está entre os presos da operação — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

No documento judicial, Braz Morroni é descrito como alguém que teria participação ativa no esquema. Segundo o documento, ele não apenas toleraria as ações dos subordinados da Polícia Civil, mas seria beneficiário direto dos lucros obtidos com a venda de drogas desviadas.

A investigação sustenta que Braz Morroni recebia repasses de dinheiro provenientes das negociações realizadas pelos investigadores, cobrava rapidez na recuperação de valores referentes a drogas vendidas a prazo e utilizava sua posição hierárquica para oferecer proteção institucional ao grupo.

A decisão cita transferências financeiras feitas por Everton Aires, um dos integrantes dessa organização criminosa, para contas ligadas ao delegado, além de conversas interceptadas que indicariam a reserva de uma parcela dos lucros para Braz em operações de tráfico e comércio ilícito de drogas.

Também é mencionado que, em dezembro de 2025, o delegado teria comparecido pessoalmente à delegacia para receber sua parte dos recursos arrecadados com o tráfico de drogas.

Por esses elementos, o magistrado que autorizou a prisão, entendeu haver indícios de participação direta do delegado na estrutura criminosa, determinando sua prisão temporária, afastamento do cargo, bloqueio de bens e suspensão do porte de armas.

Em audiência de custódia realizada pela Justiça após a prisão, foi mantida a prisão temporária de Braz Morroni, nesta terça-feira (2). Ele foi encaminhado para o Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.

Everton Rychelyson da Silva Aires - Operador do grupo e policial civil

Everton foi apontado como sendo um dos principais operadores do esquema criminoso. Ele é agente da Polícia Civil — Foto: TV Cabo Branco

O principal apontado como operador do grupo criminoso é o investigador da Polícia Civil, Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba".

Conforme a decisão judicial, ele seria o elo entre policiais e traficantes, responsável por guardar drogas desviadas, negociar carregamentos de cocaína e skunk, organizar a contabilidade clandestina, orientar integrantes do grupo sobre lavagem de dinheiro e até atuar em esquemas paralelos de importação irregular de mercadoricas e comercialização de anabolizantes.

O documento também menciona movimentações financeiras consideradas incompatíveis com sua renda e diversas transações com suspeitos ligados ao tráfico.

Em audiência de custódia realizada pela Justiça após a prisão, foi mantida a prisão temporária do suspeito, nesta terça-feira (2). Ele foi encaminhado para o Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.

Eduardo Jorge Ferreira - agente da Polícia Civil

Eduardo Jorge também foi apontado como integrante da organização criminosa — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Também conforme a decisão, outro personagem do esquema é o investigador Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca".

O documento judicial afirma que ele participava diretamente das ações de subtração de drogas, monitorava carregamentos de facções, manipulava rastreadores instalados em veículos e armazenava entorpecentes em sua residência.

O documento destaca ainda movimentações financeiras milionárias, relações comerciais consideradas suspeitas e mecanismos de ocultação patrimonial por meio de empresas e terceiros.

Em audiência de custódia realizada pela Justiça após a prisão, foi mantida a prisão temporária do suspeito, nesta terça-feira (2). Ele foi encaminhado para o Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.

João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth e Paulo Ricardo - integrantes do grupo criminoso

Outro apontado pela investigação é João Wicttor Alves de Lima, conhecido como "Vitor", que a Justiça coloca como responsável por armazenar, refinar e comercializar drogas fornecidas pelos policiais, além de realizar transferências financeiras para integrantes do esquema.

Brendo Roberth Fernandes Sobral, o "Breno", seria subordinado de João Wicttor e atuaria na guarda, refino e distribuição dos entorpecentes. Já Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como "Galinha", é apontado como informante dos policiais e distribuidor de drogas, fornecendo informações sobre depósitos de facções rivais em troca de parte das cargas desviadas, além de participar da movimentação financeira do grupo por meio de empresas próprias.

José Alexandrino de Lira Júnior - chefe de distribuição de carregamentos de drogas

Com atuação principalmente voltada para o Sertão da Paraíba, José Alexandrino de Lira Júnior, conhecido como "Júnior Lira", é descrito como líder da distribuição de grandes carregamentos de drogas na região etambém no Rio Grande do Norte, financiando remessas interestaduais e mantendo relações diretas com Everton, citado anteriormente.

Vanessa Dantas Fernandes - tesoureira do esquema

Esposa de Júnior Lira, Vanessa Dantas é apontada pela Justiça da Paraíba como a tesoureira do esquema no sertão paraibano, disponibilizando suas contas correntes para receber, fracionar e pulverizar os recursos do tráfico internacional e interestadual de drogas, enviando valores diretos aos policiais.

De acordo com a investigação, Vanessa apresentava volumosa rotina de depósitos fracionados em dinheiro em correspondentes lotéricos e terminais de autoatendimento, seguidos imediatamente por saques sistemáticos na boca do caixa e em caixas eletrônicos, de modo a viabilizar a evasão física dos ativos para fins de blindagem patrimonial.

Dankennedy Vieira - integrante de facção criminosa

A decisão também menciona Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como "Babau", integrante da facção criminosa Nova Okaida. Segundo a investigação, ele teria sido uma das vítimas do desvio de drogas praticado pelos policiais e foi quem divulgou imagens nas redes sociais que deram origem às apurações. Ele foi o único que não foi preso no cumprimento do mandado de prisão. Todos os outros citados anteriormente, foram presos.

Outros suspeitos

Três outras pessoas, que não foram alvos de mandados de prisão preventiva, foram citadas na decisão da Justiça como pessoas que mantinham relações financeiras suspeitas com integrantes do grupo criminoso. Elas foram citadas como:

Diego Ernesto Pereira Barros, ex-policial militar;

Fabiano de Matos Farias, o "Galego";

Jobson Rodrigo da Silva.

Os três, conforme a Justiça, foram alvo apenas de mandados de busca e apreensão em endereços citados pela Justiça. Fabiano de Matos, inclusive, está atualmente preso por outros crimes na Penitenciária de Segurança Máxima Criminalista Geraldo Beltrão, em João Pessoa.

O ex-policial militar, apesar de não ter sido alvo de prisão preventiva, acabou sendo preso em flagrante durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão, por obstrução de Justiça e posse ilegal de arma de fogo. Ele passou por audiência de custódia por esses crimes e foi posto em liberdade ainda nesta terça-feira (2).

Para a Rede Paraíba, a defesa do ex-policial militar disse que a prisão em flagrante foi "excessiva" e "desproporcional", além de achar que "não havia elementos concretos para a manutenção da prisão ou para a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva".

Em nota, a defesa do delegado Braz Morroni disseram que "é preciso rassaltar o direito constitucional à presunção de inocência" e que "irá analisar os autos visando a adoção das medidas pertinentes para restaurar a liberdade do delegado". Também afirmou que "no momento oportuno, irá provar sua inocência".

O g1 não conseguiu localizar a defesa dos outros citados.

Como funcionava o esquema

Segundo as investigações, a organização criminosa contaria com a participação de agentes públicos que utilizavam a estrutura do Estado para favorecer atividades criminosas. Entre os possíveis crimes, está o desvio de drogas para revenda.

Um dos agentes presos é Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba" ou "Bombado". De acordo com a Polícia Civil, ele é apontado como operador central da organização e fazia a ponte entre policiais e traficantes.

O segundo agente é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca". O investigador é apontado como participante direto de subtrações de drogas e teria monitorado carregamentos, utilizado rastreadores e escondido drogas em casa.

O delegado André Rabello acrescentou que as investigações levaram cerca de 15 meses e que drogas que seriam incineradas também foram desviadas.

"A gente se debruçou e se deparou com essa realidade, com nove alvos, nove traficantes, incluindo três policiais, retirando do meio criminoso entorpecentes e, em vez da entrada na polícia, voltando para outras organizações criminosas. E o que dava entrada na delegacia, quando ia ser incinerado, também havia o desfalque lá naquele momento de incinerar."

Além dos nove mandados de prisão, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.

Quem é o delegado preso

Braz Morroni de Paiva Júnior tem mais de 20 anos de atuação na Polícia Civil. Ele foi nomeado delegado de Polícia Civil na Paraíba em 12 de agosto de 2004, após ser aprovado em um concurso público.

O delegado atuou na delegacia de Cuité, na delegacia de Itabaiana, na 4ª delegacia distrital de Campina Grande e como plantonista na Segunda Delegacia Regional de Polícia Civil. Em 2017, Braz Morrone começou a atuar na Delegacia de Repressão a Entorpecentes e, em 2019, assumiu a DCCPAT.

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Questions ouvertes

  • Qual o desfecho das investigações?
  • Haverá novas prisões?
  • Como a Polícia Civil lidará com a imagem abalada?

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This article was originally published by G1.

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