Mais da metade dos registros de letalidade policial no Maranhão não informa raça ou cor das vítimas
L'essentiel
- Estudo "Pele Alvo" revela que 54,9% dos registros de letalidade policial no Maranhão omitem a raça das vítimas, dificultando a análise racial da violência.
- Nos últimos sete anos, 92,2% das vítimas identificadas eram negras, superando sua proporção na população.
- O estado registrou recorde de mortes em 2023, com 142 casos.
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Pourquoi c'est important
O estudo "Pele Alvo" da Rede de Observatórios da Segurança utiliza dados das secretarias de segurança pública estaduais obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) para analisar a letalidade policial. Os pesquisadores adotam o critério do IBGE para definir a população negra.
Mais da metade dos registros de letalidade policial no Maranhão não informa a raça ou a cor das vítimas, segundo o estudo "Pele Alvo", divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Rede de Observatórios da Segurança. O levantamento aponta que 54,9% das ocorrências não possuem essa informação, o que, segundo a pesquisa, dificulta a identificação do impacto racial da violência estatal no estado.
O estudo "Pele Alvo", da Rede de Observatórios da Segurança, toma como base dados das secretarias de segurança pública estaduais obtidos pela Lei de Acesso à Informação (LAI). As informações passam por validação, para identificar eventuais inconsistências. Os pesquisadores adotam o critério do IBGE para definir a população negra como o somatório de "pretos" e "pardos".
O levantamento ainda aponta que, nos últimos sete anos, o Maranhão registrou 628 mortes de pessoas negras provocadas por policiais, o equivalente a 92,2% das vítimas com raça identificada. O percentual é superior à participação da população negra no estado, que representa 79% dos habitantes.
O Maranhão também registrou, no último ano, o maior número de mortes provocadas por intervenções policiais de sua série histórica, segundo o estudo. Em 2023, foram registradas 142 mortes provocadas por policiais, um aumento de 86,8% em relação aos 76 casos contabilizados em 2022.
Segundo a Rede de Observatórios da Segurança, o crescimento está associado à interiorização de facções criminosas oriundas do Sudeste, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que passaram a disputar e controlar rotas de escoamento em parceria com grupos locais.
Questions ouvertes
- Qual o motivo da omissão de dados raciais nos registros?
- Que medidas serão tomadas para coletar dados raciais?
- Como o governo estadual responderá ao aumento de mortes?





