Mundo com metano e névoa pode mostrar o destino de Júpiter após a morte do nosso Sol; entenda
Planeta gigante orbita uma estrela morta e tem atmosfera mais quente do que o esperado. Descoberta pode explicar como esses mundos sobrevivem e mudam de órbita após o fim de suas estrelas.
L'essentiel
- O planeta gigante WD 1856 b, com metano e névoa na atmosfera, observado pelo James Webb, é mais quente que o esperado.
- A descoberta pode explicar o futuro de Júpiter após a morte do Sol, mostrando como planetas sobrevivem e mudam de órbita.
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Pourquoi c'est important
O planeta gigante WD 1856 b orbita uma anã branca e possui metano e névoa na atmosfera, sendo mais quente que o esperado. A descoberta pode ajudar a entender o futuro de Júpiter após a morte do Sol.
Mundo com metano e névoa pode mostrar o destino de Júpiter após a morte do nosso Sol; entenda
Planeta gigante orbita uma estrela morta e tem atmosfera mais quente do que o esperado. Descoberta pode explicar como esses mundos sobrevivem e mudam de órbita após o fim de suas estrelas.
Por Roberto Peixoto, g1
O planeta gigante WD 1856 b, que possui metano e névoa na atmosfera, pode ajudar cientistas a entender o futuro de Júpiter após a morte do Sol.
Um estudo publicado nesta quarta-feira (1) na revista "Nature" revelou que a atmosfera do planeta, observado pelo telescópio James Webb, é mais quente do que o esperado.
Cientistas identificaram metano e aerossóis na atmosfera do planeta. O processo pode ser semelhante ao que ocorre em Titã, uma das luas de Saturno.
A composição indica que o planeta sobreviveu distante e migrou para perto da anã branca. Esse processo de mudança orbital causou o reaquecimento de sua atmosfera.
Daqui a 5 bilhões de anos, o Sol virará uma anã branca. Júpiter e outros planetas distantes podem sobreviver, embora suas órbitas devam sofrer alterações.
Ilustração mostra o planeta gigante WD 1856 b orbitando uma estrela anã branca. — Foto: NASA, ESA, CSA e Ralf Crawford/STScI
Chamado WD 1856 b, ele orbita uma anã branca, o núcleo que restou de uma estrela após o fim de sua vida.
O sistema fica a cerca de 80 anos-luz da Terra, e o planeta tem massa provavelmente equivalente a sete vezes a de Júpiter.
Observações recentes do Telescópio Espacial James Webb mostraram que sua atmosfera é muito mais quente do que o esperado. O estudo foi publicado nesta quarta-feira (1) na revista científica “Nature”.
“Antes dessas observações do James Webb, não sabíamos nada sobre a composição e as nuvens de planetas próximos que orbitam anãs brancas”, afirmou ao g1 Ryan MacDonald, pesquisador da Universidade de St Andrews, no Reino Unido, e principal autor do trabalho.
“E este é apenas o primeiro passo, pois recentemente fizemos mais quatro medições do WD 1856 b com o James Webb para analisar com mais profundidade as propriedades da atmosfera do planeta.”
Ao analisar a luz da estrela que atravessou a atmosfera do planeta, os cientistas identificaram metano e aerossóis, pequenas partículas que formam uma espécie de névoa.
O processo pode ser semelhante ao observado em Titã, lua de Saturno conhecida por sua atmosfera espessa e alaranjada.
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A composição também indica que o planeta provavelmente não ficou mergulhado na estrela quando ela se expandiu e virou uma gigante vermelha.
A hipótese mais provável é que ele tenha sobrevivido longe dali e migrado para perto da anã branca bilhões de anos depois.
A temperatura da atmosfera varia entre cerca de 117°C e 139°C, muito acima dos aproximadamente -113°C esperados apenas pela energia recebida da estrela. Segundo os pesquisadores, essa diferença é um sinal de que o planeta foi reaquecido durante a mudança de órbita.
Ilustração do Sistema Solar — Foto: Agência Espacial Europeia/Silicon Worlds
“Nosso resultado mostra um caminho que os planetas podem seguir depois da morte de uma estrela, com sua órbita se deslocando para mais perto da anã branca”, disse MacDonald.
Daqui a cerca de 5 bilhões de anos, o Sol também deverá se transformar em uma gigante vermelha e, depois, em uma anã branca.
Júpiter e outros planetas mais distantes podem sobreviver, embora suas órbitas devam mudar.
Em um cenário extremo, interações gravitacionais poderiam empurrar Júpiter para mais perto do remanescente do Sol.
“Se Júpiter se aproximar suficientemente da anã branca, suas luas poderão até se aquecer e se tornar potencialmente habitáveis”, afirmou o pesquisador.
Isso não significa que esse será necessarily o destino de Júpiter. A descoberta mostra, porém, que planetas gigantes podem sobreviver à morte de suas estrelas e passar por mudanças profundas bilhões de anos depois.
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Mais medições de WD 1856 b com James Webb para analisar a atmosfera.
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Questions ouvertes
- Como exatamente a migração orbital reaqueceu a atmosfera?
- Quais outros planetas gigantes podem sobreviver à morte de suas estrelas?
- Qual a probabilidade de luas se tornarem habitáveis em cenários extremos?






