Operação Rejeito: PF indicia 34 por fraudes em licenças ambientais de mineração
L'essentiel
- A Polícia Federal indiciou 34 pessoas na Operação Rejeito por fraudes em licenças ambientais e exploração mineral irregular em Minas Gerais.
- O esquema bilionário, que movimentou mais de R$ 4 bilhões, envolvia corrupção e lavagem de dinheiro em áreas protegidas.
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A Polícia Federal investiga um esquema de fraudes em licenças ambientais e exploração mineral irregular em áreas protegidas de Minas Gerais, que teria movimentado bilhões de reais.
Operação Rejeito: PF indicia 34 investigados por fraudes em licenças ambientais de mineração
Investigação aponta organização criminosa que teria movimentado bilhões de reais com exploração ilegal de minério em áreas protegidas de Minas Gerais.
Por Fernando Zuba, Leonardo Milagres, g1 Minas — Belo Horizonte
A Polícia Federal indiciou 34 investigados por fraudes em licenças ambientais e exploração mineral irregular em MG, conforme inquérito acessado nesta sexta-feira (26).
A Operação Rejeito apura a atuação do grupo em áreas protegidas, como a Serra do Curral. Os crimes investigados incluem corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A organização usava influência política, propinas e 40 empresas para ocultar os valores. O esquema movimentou mais de R$ 4 bilhões em recursos.
Entre os indiciados estão empresários e funcionários de órgãos ambientais. O relatório foi enviado à Justiça Federal e o Ministério Público Federal avaliará se apresentará denúncia.
Operação Rejeito desvendou esquema bilionário que viabilizava projetos de mineração ilegais em áreas protegidas como a Serra do Curral. — Foto: Polícia Federal/Divulgação
O indiciamento faz parte da Operação Rejeito, que investiga um grupo acusado de atuar de forma organizada para viabilizar projetos de mineração em áreas protegidas, como a Serra do Curral, em Belo Horizonte, e a Serra do Botafogo, em Ouro Preto.
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O g1 obteve acesso ao inquérito da PF nesta sexta-feira (26). Segundo o documento, o esquema envolvia empresários do setor minerário e agentes públicos. Eles teriam cometido crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, fraude em processos administrativos e crimes ambientais.
As investigações começaram em 2023 e reuniram provas como mensagens, documentos, análises bancárias, perícias e auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU).
O relatório final da PF foi encaminhado à Justiça Federal em Belo Horizonte. Agora, caberá ao Ministério Público Federal avaliar se apresenta denúncia contra os investigados.
Veja, abaixo, detalhes sobre o inquérito:
Estrutura do esquema
De acordo com as investigações, o grupo tinha uma estrutura organizada e dividida em núcleos, com funções específicas. Havia lideranças responsáveis pelas decisões estratégicas, além de setores financeiro, operacional e de articulação com órgãos públicos.
Os investigadores apontam que a organização agia para obter licenças ambientais de forma irregular, acelerar processos e contornar exigências legais. Para isso, utilizava influência política, pagamento de propina e manipulação de documentos técnicos.
Ainda conforme a PF, mais de 40 empresas teriam sido criadas ou utilizadas para ocultar os verdadeiros beneficiários e dificultar o rastreamento do dinheiro.
Impacto ambiental e financeiro
De acordo com o inquérito, o grupo teria explorado ou tentado explorar mineração em locais tombados e protegidos por lei.
A PF estima que o esquema movimentou mais de R$ 4 bilhões e tinha potencial de gerar até R$ 8 bilhões em novos projetos.
Em alguns casos, as investigações apontam que atividades minerárias foram realizadas sem licença ou com base em documentos falsos. Também foram identificadas tentativas de alterar regras administrativas e até legislações para viabilizar os empreendimentos.
Casos investigados
Entre os projetos citados no relatório estão:
Projeto Taquaril, voltado à exploração na Serra do Curral;
Projeto Rancho do Boi, com suspeitas de fraude documental e irregularidades em licenciamento;
Mina Patrimônio, em Ouro Preto, onde houve início de atividades sem autorização completa e até destruição de cavidade natural;
UTM Fleurs Global, apontada como central para beneficiamento de minério de origem irregular.
As investigações indicam que esses projetos estavam interligados e faziam parte de uma estratégia para manter o fluxo de minério e ampliar os lucros do grupo. O g1 tenta contato com as empresas citadas para um posicionamento.
Indiciamentos
Os 34 investigados incluem empresários, operadores financeiros, consultores, funcionários públicos ou ex-servidores de órgãos ambientais. Entre eles, nomes ligados à Agência Nacional de Mineração (ANM), Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM), Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) e outras instituições.
Próximos passos
O relatório final da PF foi encaminhado à Justiça Federal em Belo Horizonte. Caberá ao Ministério Público Federal avaliar se apresenta denúncia contra os investigados.
A operação é considerada uma das mais complexas já realizadas no estado na área ambiental, tanto pela quantidade de envolvidos quanto pelo volume de recursos e pela extensão dos danos investigados.
Ops!
Questions ouvertes
- Quais serão as consequências legais para os indiciados?
- Haverá novas fases na Operação Rejeito?
- Qual o impacto exato no meio ambiente das áreas afetadas?






