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Papa Leão XIV pede perdão por papel de pontífices no tráfico de escravizados
Monde
G125.05.2026Monde5 dk okumaBrazil

Papa Leão XIV pede perdão por papel de pontífices no tráfico de escravizados

L'essentiel

  • O Papa Leão XIV, primeiro pontífice americano, pediu perdão em sua encíclica "Magnifica Humanitas" pelo papel de papas anteriores em autorizar a escravização de "infiéis".
  • O documento relaciona o tráfico transatlântico a novas formas de exploração digital e responde a pedidos de católicos negros.

Résumé généré par IA

Pourquoi c'est important

Previous papal statements had apologized for Christian involvement in the transatlantic slave trade, but none had explicitly acknowledged or apologized for the role of past pontiffs in authorizing European rulers to subjugate and enslave "infidels."

Taille de police

Papados anteriores já haviam pedido desculpas pelo envolvimento de cristãos no tráfico transatlântico de escravizados. Mas nenhum papa havia reconhecido publicamente — nem pedido perdão — pelo papel de antigos pontífices em autorizar explicitamente soberanos europeus a subjugar e escravizar “infiéis”.

Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão XIV, cuja história familiar inclui tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos, fez o pedido de desculpas em sua primeira encíclica, “Magnifica Humanitas” (“Humanidade Magnífica”), divulgada nesta segunda.

O documento trata dos desafios para proteger a humanidade em uma era de crescente dependência da inteligência artificial. Ao abordar o tema, o papa relacionou o tráfico transatlântico de escravizados a novas formas de escravidão e colonialismo impulsionadas pela revolução digital, como o trabalho não regulamentado usado na extração de minerais raros necessários para chips de IA.

Com isso, Leão XIV respondeu a décadas de pedidos de católicos negros dos Estados Unidos, ativistas e estudiosos para que a Santa Sé reconhecesse e reparasse seu próprio papel no comércio colonial de seres humanos.

“É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e humilhação suportados por tantos, em contraste com sua dignidade incomensurável como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor”, escreveu o papa. “Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.”

O Vaticano sustenta que sempre defendeu a dignidade de todos os seres humanos como filhos de Deus. No entanto, uma série de decretos do século XV autorizou soberanos portugueses a conquistar territórios na África e nas Américas e escravizar não cristãos.

Em 1452, por exemplo, o papa Nicolau V publicou a bula papal Dum Diversas, que concedia ao rei de Portugal e seus sucessores o direito de “invadir, conquistar, combater e subjugar” “sarracenos, pagãos e outros infiéis”.

Essa bula e outro documento emitido três anos depois, o Romanus Pontifex, serviram de base para a chamada Doutrina da Descoberta, teoria usada para legitimar a tomada colonial de terras na África e nas Américas.

Em 2023, o Vaticano repudiou formalmente a Doutrina da Descoberta, mas nunca anulou oficialmente as bulas papais em si. A Santa Sé afirma que um documento posterior, o Sublimis Deus, de 1537, reafirmou que povos indígenas não deveriam ser privados de liberdade, propriedades ou escravizados.

Na encíclica, Leão XIV lembrou que seu antecessor de nome, o papa Leão XIII, foi o primeiro a condenar explicitamente a escravidão, em 1888 — quando vários países já haviam abolido a prática.

“Já no início da era moderna, a Sé Apostólica de Roma, respondendo a pedidos de soberanos, interveio diversas vezes para regular e legitimar formas de subjugação e, em certos casos, inclusive a escravização de ‘infiéis’.”

O papa afirmou que não é possível julgar decisões do passado apenas pelos padrões atuais, mas disse que isso não diminui a demora da sociedade e da Igreja em denunciar a escravidão.

Leão XIV também afirmou que a Igreja precisa condenar com firmeza todas as formas de exploração ligadas à revolução tecnológica digital “se quisermos evitar a necessidade de pedir perdão novamente no futuro”.

Durante visita a Camarões, em 1985, o papa João Paulo II pediu perdão aos africanos pelo tráfico de escravizados praticado por cristãos, mas sem mencionar o papel direto dos papas.

Em 1992, durante visita à Ilha de Gorée, no Senegal — um dos maiores centros do tráfico de escravizados da África Ocidental — João Paulo II chamou a escravidão de “tragédia de uma civilização que se dizia cristã”.

Segundo pesquisa genealógica publicada por Henry Louis Gates Jr., 17 ancestrais americanos de Leão XIV eram negros e aparecem em registros oficiais como mulatos, negros, crioulos ou pessoas livres de cor. A árvore genealógica do papa inclui tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos.

No mês passado, durante visita a Angola, Leão XIV rezou em um santuário católico localizado em uma área que foi um importante centro do tráfico de africanos escravizados durante o domínio colonial português. Na ocasião, ele mencionou o “sofrimento e a grande dor” vividos pelos angolanos ao longo dos séculos, mas sem citar diretamente a escravidão.

À surveiller

Perspective IA — des possibilités, pas des certitudes

  • The Vatican will face increased pressure to formally annul the papal bulls Dum Diversas and Romanus Pontifex.

    Probable · En quelques mois

  • Further discussions and actions regarding reparations for descendants of enslaved people will emerge.

    Possible · En quelques années

  • The Church will increase its focus on condemning modern forms of exploitation, particularly those linked to digital technology.

    Très probable · Immédiat

Questions ouvertes

  • Will the apology lead to concrete actions or reparations?
  • How will this impact the relationship between the Vatican and descendant communities?
  • What is the Vatican's stance on the ongoing use of 'discovery' doctrines in international law?
  • How will the Church address the continued exploitation linked to digital technology?

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This article was originally published by G1.

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