Ramiro Valdés, herói da Revolução Cubana e figura próxima a Fidel Castro, morre aos 94 anos
L'essentiel
- Ramiro Valdés, herói da Revolução Cubana e figura chave do governo por décadas, morreu aos 94 anos.
- Próximo a Fidel Castro, Valdés participou de momentos cruciais da revolta e ocupou diversos cargos importantes, incluindo vice-presidente e ministro do Interior.
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Ramiro Valdés foi uma figura central na Revolução Cubana, lutando ao lado de Fidel Castro e ocupando posições de poder por décadas. Sua morte encerra uma era para o país.
Ramiro Valdés, comandante da Revolução Cubana e ex-vice-presidente de Cuba. Foto de setembro de 2024. — Foto: REUTERS/Norlys Perez/File Photo
Ramiro Valdés, tido como um herói da Revolução Cubana e figura próxima a Fidel Castro, morreu neste domingo (21) aos 94 anos, informou o presidente Miguel Díaz-Canel.
Em uma publicação na rede social X, Díaz-Canel disse que a morte de Valdés "dói profundamente, como a de um pai". "Até a vitória, sempre, comandante!", acrescentou o presidente cubano. O presidente cubano não informou a causa da morte do revolucionário.
Figura importante do governo por décadas após a chegada ao poder dos rebeldes de Castro em 1959, Valdés recebeu os títulos honorários de "Herói da República" e "Comandante da Revolução" e fez parte do poderoso Bureau Político do Partido Comunista de Cuba até 2019.
Nascido em 28 de abril de 1932, Valdés tinha apenas 21 anos quando lutou ao lado de Fidel Castro no ataque ao quartel de Moncada, que deu início à revolta de 1953 contra o governo de Fulgencio Batista.
Exilado com Castro no México, ele foi um dos 82 homens que navegaram no iate Granma até Cuba em 1956 para reiniciar a insurreição —e um dos apenas 12 sobreviventes.
Entre os sobreviventes estavam Castro, que morreu em 2016, seu irmão mais novo e futuro presidente Raúl Castro, e Ernesto “Che” Guevara, o revolucionário argentino que foi morto na Bolívia em 1967 enquanto tentava iniciar uma insurreição lá.
Valdés juntou-se aos irmãos Castro nas montanhas da Sierra Maestra, no leste de Cuba, atuando como vice-comandante de Guevara. Ele lutou ao lado de Guevara na decisiva Batalha de Santa Clara nos dias finais antes de Batista fugir do país em 1º de janeiro de 1959. Depois, passou a chefiar a agência de segurança criada após a chegada de Fidel Castro ao poder.
Valdés compartilhava parte do carisma de Castro e Guevara e, como eles, usava uniforme verde-oliva nos corredores do poder. Até o fim, manteve o cavanhaque no estilo Leon Trótski que usava desde o início da revolução. Entusiasta do condicionamento físico, manteve uma rotina de exercícios até os 80 anos.
Entre os cargos que ocupou ao longo dos anos estão ministro do Interior, vice-ministro da Defesa, ministro da Informação e Comunicações e vice-presidente.
Mesmo quando Raúl Castro tentou supervisionar a transição de poder da chamada “geração histórica” para líderes mais jovens, transferindo a presidência que herdou do irmão para Díaz-Canel, de 60 anos, em 2018, Valdés permaneceu em cargos-chave do governo, mais recentemente como vice-primeiro-ministro, com foco na crise energética da ilha.
Ainda ativamente envolvido nos detalhes das frequentes faltas de eletricidade no país, ele aparecia regularmente em uniforme militar ao lado de Díaz-Canel, incentivando os cubanos a apagarem as luzes, reduzirem o consumo e manterem o fervor “revolucionário”.
Valdés permaneceu sempre leal à revolução, a seus líderes e ao sistema de partido único, inclusive durante os períodos mais difíceis do país.
“Não podemos esquecer que chegamos até aqui graças à unidade do povo e à confiança na revolução”, disse Valdés na celebração do 61º aniversário do ataque ao Moncada em 2014. “Devemos preservar essa unidade acima de tudo, porque sabemos que essa luta ainda não terminou.”
Questions ouvertes
- Qual a causa exata da morte?
- Como sua ausência afetará a política cubana?






