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Sobrevivente de queda de balão em SC relata falhas e omissão do poder público
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G121.06.2026Monde6 dk okumaBrazil

Sobrevivente de queda de balão em SC relata falhas e omissão do poder público

L'essentiel

  • Luana da Rocha, sobrevivente de acidente com balão em Praia Grande (SC) que vitimou seus pais, denuncia falhas operacionais, omissão e falta de fiscalização.
  • O caso, que deixou 8 mortos, segue em segredo de justiça e familiares buscam por respostas.

Résumé généré par IA

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Um balão de passeio pegou fogo e caiu em Praia Grande (SC) em 21 de junho, resultando na morte de oito pessoas. A filha de duas das vítimas, Luana da Rocha, relata falhas e omissão do poder público.

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O desastre vitimou, entre os passageiros, o casal de Joinville Everaldo da Rocha e Janaina Moreira Soares da Rocha. A filha deles, Luana da Rocha, sobrevivente do acidente, falou pela primeira vez à NSC e apontou uma série de falhas operacionais, omissão do poder público e falta de fiscalização.

A queda aconteceu na região conhecida como a "Capadócia brasileira" — apelido ganho por lembrar o famoso destino da Turquia, repleto de formações rochosas peculiares e voos de balão de ar quente. Antes do acidente, Praia Grande realizava cerca de 600 voos mensais.

Imagens compartilhadas nas redes sociais na época mostram o balão em chamas no alto e o desespero das pessoas pulando da estrutura. Entre os passageiros, estavam Luana e os pais, Everaldo da Rocha e Janaina Moreira Soares da Rocha.

No total, 21 pessoas estavam no balão que pegou fogo no ar:

Após a estrutura se aproximar do chão, 13 pessoas conseguiram sair ou caíram no chão.

Dos mortos, quatro ficaram carbonizados no cesto e outros quatro morreram por conta da queda.

Everaldo da Rocha e Janaina Moreira Soares da Rocha, de Joinville, estavam entre as vítimas da queda de balão em Praia Grande (SC) — Foto: Redes sociais/Reprodução

Local de decolagem alterado e nenhuma instrução de emergência

Luana contou que a família decidiu fazer a viagem de última hora. No dia do voo, a agência alterou o local da decolagem sem dar explicações, o que atrasou a subida.

Segundo a jovem, o balão saiu do chão com bastante dificuldade, sendo necessário que os funcionários puxassem os cabos para dar impulso. Nenhuma instrução de emergência foi passada aos passageiros.

“Entramos no balão e os outros dois balões do voo dessa agência conseguiram decolar normalmente. O nosso ficou e a gente começou a achar estranha a demora. Um dos instrutores falou ‘fiquem tranquilos porque esse é o procedimento. É normal do balão’. Uma coisa que me marcou muito foi que enquanto eu estava no balão, eu olhava pro céu e já não tinha mais nenhum balão [voando]”.

Quando finalmente decolou, tudo aconteceu muito rápido. Luana conta que não percebeu, de início, que a estrutura estava pegando fogo.

Outros passageiros notaram que havia algo errado e questionaram a equipe. Em dado momento, o instrutor informou que faria um pouso de emergência.

“A partir do momento que ele falou isso, eu automaticamente pulei porque ele falou ‘quando eu abaixar todos pulem’. Eu acabei pulando e depois disso o balão ainda passou por cima de mim. Eu senti o calor do fogo. A partir desse momento, eu entendi que era fogo e eu não vi mais nada”.

A jovem ressalta, no entanto, que os passageiros nunca foram alertados sobre o incêndio ou avisados de que deveriam evacuar com urgência máxima.

“Em nenhum momento a gente entendeu que o pouso teria que ser feito com urgência e que todo mundo teria que sair do balão a hora que ele pousasse. Ninguém entendeu dessa forma. Isso não foi explicado”.

Cronologia da tragédia, segundo a Polícia Civil

O balão subiu por volta das 7h de 21 de junho com 21 pessoas a bordo e, logo no início do passeio, começou a pegar fogo;

O extintor que estava dentro do cesto do balão não funcionou;

O balão começou a descer e, quando estava perto do solo, os sobreviventes pularam; entre eles, o piloto;

Mais leve, a estrutura voltou a subir. Quatro das vítimas pularam de uma altura de cerca de 45 metros e morreram;

As chamas aumentaram e o cesto, com outras quatro vítimas, despencou. Elas morreram carbonizadas.

Local da queda de balão que deixou oito mortos em Praia Grande (SC) — Foto: Mateus Castro/NSC TV

Impunidade e a busca por Justiça

O andamento jurídico do caso é marcado por reviravoltas e indignação. O primeiro inquérito policial foi encerrado em outubro sem nenhum indiciado, mesmo após a polícia ouvir mais de 20 testemunhas, incluindo Luana e outros familiares das vítimas.

Conforme a apuração da época, o conjunto de provas "não encontrou a existência de conduta humana dolosa ou culposa que tenha dado causa ao incêndio em voo".

Após fortes protestos das famílias e uma reunião direta com o Ministério Público, o caso foi reaberto em novembro para novas perícias. O delegado de Santa Rosa do Sul, responsável pelo caso até então, foi exonerado. Com a mudança, o delegado André Coltro assumiu a comarca e passou a comandar a nova fase das investigações.

Atualmente, o processo corre em segredo de Justiça, e os familiares enfrentam barreiras para obter atualizações das autoridades.

“Não temos nenhum retorno do Ministério Público, do delegado ou do Tribunal de Justiça. Nada. Nunca mais fomos ouvidos e precisamos marcar reuniões por conta própria”, desabafa Luana.

Ela conta que a única assistência financeira recebida da empresa responsável pelo balão foi o custeio do funeral dos pais e um amparo psicológico restrito ao dia da tragédia. Desde então, as despesas médicas ficaram por conta da própria família.

“Não tivemos mais nenhum tipo de retorno, seja por WhatsApp, Instagram ou e-mail. Tentei conversar de várias formas com as autoridades de Praia Grande, com o prefeito e com a empresa. Todos os remédios e tratamentos que fiz foram custeados pela minha família. Em nenhum momento eles nos ajudaram com mais nada.”

Em busca de respostas, os parentes das oito vítimas se uniram em um grupo de mensagens para organizar manifestações e compartilhar atualizações sobre o processo.

“Eu espero que a justiça seja feita. A gente vai fazer o possível para que a justiça seja feita. Isso não vai trazer meus pais de volta. Isso não vai preencher o vazio que eu sinto. Mas eu acredito que a gente precisa que a justiça aconteça, que a justiça flua, porque não tem responsável. Aparentemente é isso que eles mostram pra gente todo dia que passa que não tem responsável”.

Local da queda de balão que deixou oito mortos em Praia Grande (SC) — Foto: Patrick Rodrigues/NSC

Quem são as vítimas

Leandro Luzzi, de 33 anos: Era patinador artístico e dava aulas em Brusque, no Vale do Itajaí.

Leane Elizabeth Herrmann, de 70 anos: Moradora de Blumenau, estava no passeio de balão com a filha Leise Herrmann Parizotto.

Leise Herrmann Parizotto: Médica e servidora pública de Blumenau, no Vale do Itajaí. Estava no passeio com a mãe Leane Elizabeth Herrmann.

Janaina Moreira Soares da Rocha (46 anos) e Everaldo da Rocha (53 anos): Casal de Joinville, no Norte do estado, que estava a passeio na cidade.

Fabio Luiz Izycki (42 anos) e Juliane Jacinta Sawicki (36 anos): Fabio era primo de 2º grau do prefeito de Barão de Cotegipe (RS) e trabalhava em uma agência do Banco do Brasil. Juliane era engenheira agrônoma e sócia de uma empresa de assessoria rural.

Andrei Gabriel de Melo: Era oftalmologista e atuava em Fraiburgo, no Meio-Oeste catarinense.

Raio-X do balão que pegou fogo com 21 pessoas em Praia Grande (SC) — Foto: g1

Questions ouvertes

  • Quem são os reais responsáveis pelo acidente?
  • Por que o inquérito inicial foi encerrado sem indiciados?
  • Quais serão os próximos passos da investigação em segredo de justiça?

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This article was originally published by G1.

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