Barra do Garças: Onde o Misticismo Encontra o Turismo Ufológico
A cidade mato-grossense abriga o primeiro discoporto do mundo, atraindo entusiastas de OVNIs e alimentando lendas sobre civilizações perdidas e fenômenos inexplicáveis.
Em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá, está construído o primeiro discoporto do mundo, inaugurado em 1995 como um aeroporto simbólico para possíveis naves alienígenas. A estrutura surgiu em meio às frequentes histórias de moradores sobre luzes misteriosas e fenômenos considerados incomuns na região.
Todos os anos, moradores e entusiastas da ufologia se reúnem no local para fazer uma vigília na expectativa de presenciar aparições no céu, o que ainda não aconteceu.
No local, também acontece o Congresso Mato-grossense de Ufologia e Parapsicologia, realizado pela Associação Mato-grossense de Pesquisas Ufológicas e Parapsicológicas (AMPUP). No evento, os participantes acompanham palestras e relatos sobre fenômenos considerados inexplicáveis.
A construção se tornou um dos principais pontos turísticos do município e um símbolo da cultura ufológica local. Apesar de nunca ter recebido uma nave extraterrestre — ao menos oficialmente —, o espaço reforça a fama de Barra do Garças como uma das cidades brasileiras mais associadas a relatos sobre OVNIs.
🛸A construção do aeroporto de disco voador
Discoporto — Foto: Cedida.
O 'aeroporto de OVNIs' foi construído pela própria Prefeitura de Barra do Garças. A estrutura foi idealizada pelo então vereador Valdon Varjão para valorizar o misticismo da região e atrair visitantes. Os primeiros painéis e a réplica de uma nave em formato de disco voador foram instalados em 1997.
O atrativo turístico ficou fechado por seis anos, mas foi reaberto em 2022 após passar por obras de revitalização e ampliação, com investimento superior a R$ 40 mil. A estrutura recebeu melhorias na iluminação, paisagismo temático e no acesso ao parque.
De acordo com a prefeitura, as intervenções têm como objetivo fortalecer o turismo, um dos principais setores da economia de Barra do Garças.
Luzes estranhas, civilização perdida... — Foto: Arte g1
Moradores relatam há décadas o aparecimento de luzes brilhantes no céu e outros fenômenos que atribuem à presença de extraterrestres. Histórias sobre tremores de terra na Serra do Roncador também ajudam a alimentar as lendas que cercam o município.
O psicólogo e ufólogo Ataíde Ferreira da Silva Neto contou ao g1, no ano passado, que essas histórias começaram nos anos 1920, quando o arqueólogo britânico Percy Fawcett viajou à região em busca de uma cidade lendária, o El Dorado. Fawcett é frequentemente comparado ao personagem de Harrison Ford, Indiana Jones, e vice-versa.
Fawcett desapareceu em 1925, um ano após a fundação de Barra do Garças. O corpo dele nunca foi achado, e o sumiço virou mais uma das lendas da cidade. O sumiço de Fawcett na Serra do Roncador rendeu várias "teorias". Uma delas diz que ele entrou em um portal para outra dimensão, ligado a uma antiga civilização escondida na floresta.
A própria Serra do Roncador é alvo de lendas ancestrais que se entrelaçam com a realidade, tecendo um véu de mistério que intriga pesquisadores e visitantes há décadas. Entre os relatos mais impressionantes, figuram os relatos de aparições de espíritos obsessores, entidades que, segundo a crença popular, vagam pela região aprisionadas em um plano espiritual inferior.
As histórias sobre esses espíritos variam em detalhes, mas convergem em um ponto central: a presença de uma energia negativa que se manifesta em diferentes formas, desde aparições fantasmagóricas até eventos inexplicáveis e sensações de profundo desconforto. Alguns relatos mencionam a presença de vultos à noite, enquanto outros falam de vozes fantasmagóricas e objetos que se movem sozinhos.
💭Relatos
Cachoeria da Água Limpa, placa inspirada em ETs e o discoporto, no Parque Estadual da Serra Azul, em Barra dos Garça — Foto: Reprodução
O jornalista Konrad Felipe Hencke, que vive na cidade desde 1994, é um dos moradores que afirma já ter vivido uma experiência ufológica quando ainda adolescente. Ele relata que, na época, viu luzes misteriosas no céu enquanto estava na fazenda da avó.
“Minha mãe estava na porteira tentando usar o celular quando viu uma luz muito forte no horizonte. Ela me chamou e, quando fui olhar, vi aquela luz grande cercada por outras quatro ou cinco luzes menores. Elas se moviam em ondas e apagavam e acendiam. Foi muito fora do comum”, lembra Konrad.
Apesar de se considerar ateu e cético em relação a fenômenos sobrenaturais, Konrad afirma que o episódio o marcou profundamente.
"Fiquei muito nervoso, nem queria olhar para aquilo. Foi uma sensação muito forte. Eu era novo, tinha uns 12 anos, e foi uma sensação muito intensa. Não sou uma pessoa com muita crença nisso, sou meio ateu mesmo, mas isso foi uma experiência que vivi”, afirmou.
A fama mística da cidade também inspirou moradores. Um deles é Osmar Cláudio da Silva, conhecido como “ET da Barra”. Morador desde 1982, ele se fantasia de alienígena em desfiles e eventos há mais de 30 anos.
Com bom humor, Osmar virou símbolo do turismo ufológico da cidade. Em 2015, foi homenageado pela Câmara com a criação do dia do ET, comemorado no segundo domingo de julho.
“Quando criaram o discoporto, veio a ideia da fantasia. Um arquiteto da cidade sugeriu para a esposa dele: ‘Vamos fazer uma fantasia para o Osmar, ele é o único que tem coragem de representar os ETs aqui da Barra’. E foi assim que tudo começou”, contou o morador, em entrevista ao g1.
Apesar de nunca ter presenciado pessoalmente nenhuma aparição alienígena, Osmar diz que conhece muitas pessoas que juram ter visto luzes e naves misteriosas no céu da cidade. “Eu mesmo nunca vi, mas conheço gente que viu e fala com tanta convicção que a gente até acredita”.
Osmar Cláudio da Silva, conhecido como 'ET da Barra' — Foto: Reprodução
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