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GeriCrime groups and militias are financing candidates, affecting election security
Crime groups and militias are financing candidates, affecting election security
Acil
G103.06.2026Siyaset4 dk okumaBrazil

Crime groups and militias are financing candidates, affecting election security

Hızlı Bakış

  • Organized crime groups like PCC, Comando Vermelho, and militias are increasingly financing candidates, impacting election security and voter choice.
  • In Rio de Janeiro, 53 polling stations were relocated in 2024 to protect voters from threats and coercion, with more planned for 2026.
  • Cases in Rio and Santa Catarina reveal vote-buying schemes involving cash and drugs, linked to candidates and state agents.

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Sadi Vieira se elegeu vereador em Timbé do Sul (SC) e foi condenado por corrupção eleitoral apenas no último mês de seu mandato, em 2024. — Foto: Reprodução/GloboNews

O que antes era uma prática de corrupção isolada, agora afeta a liberdade de escolha do cidadão e a própria segurança do pleito, com grupos como o PCC, Comando Vermelho e milícias financiando candidatos com dinheiro oriundo de tráfico e roubos.

“Esse fenômeno já acontecia e agora está saltando aos olhos”, diz Nathalia Mariel, procuradora da Procuradoria-Geral Eleitoral. “Ele afeta não só para fins de corrupção, a compra de votos em si, mas na escolha de candidatos, na possibilidade de as pessoas exercerem o seu direito de votar efetivamente de maneira livre.”

Coação e mudança de locais de votação no Rio

Em territórios controlados pelo crime organizado, o eleitor que vende o voto transforma-se em refém.

No Rio de Janeiro, a gravidade da situação levou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) a tomar medidas drásticas: nas últimas eleições de 2024, o endereço de 53 locais de votação foi alterado para proteger eleitores de ameaças e coações.

Eleitores votam nas seções eleitorais da Rocinha, no Rio de Janeiro — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Para 2026, o tribunal já identificou ao menos 20 zonas eleitorais que precisarão mudar de lugar para evitar a influência criminosa.

O desembargador Claudio de Mello Tavares, presidente do TRE-RJ, enfatiza que o sistema eletrônico de votação é seguro e o voto é secreto. Ainda assim, o crime foca em constranger fisicamente os eleitores.

"Já tivemos casos em que o traficante ou o candidato apoiado pela milícia estava adentrando no local de votação, ameaçando o eleitor", afirma o magistrado.

Arte - Diálogo de Dinho Resenha, condenado por corrupção eleitoral em Belford Roxo (RJ), — Foto: Arte/GloboNews

Casos como o do policial militar Michel Maia e do candidato Dinho Resenha, ambos condenados por corrupção eleitoral em Belford Roxo (RJ), ilustram essa conexão entre agentes do Estado, candidatos e o "poder paralelo".

Dinho é suspeito de ligação com a milícia. Michel era cabo eleitoral de Dinho e foi flagrado em escutas ameaçando eleitores e relatando pagar de R$ 50 a R$ 100 por votos no candidato.

Arte - Diálogo do PM Michel Maia identificado em investigação sobre compra de votos. — Foto: Arte/GloboNews

Drogas em troca de votos em Santa Catarina

Arte - Celular apreendido do traficante Claudiomir da Silva detalhou a negociação para compra de voto. — Foto: Arte/GloboNews

A infiltração do crime nas eleições não se restringe aos grandes centros. No interior do Paraná e em Santa Catarina, as autoridades enfrentam desafios crescentes.

Em Timbé do Sul (SC), uma investigação de tráfico de drogas revelou um esquema de compra de votos utilizando cocaína como pagamento.

“Foi a primeira vez, em 15 anos como delegado de polícia, que nós conseguimos verificar uma compra de voto com cocaína, com droga”, afirma o delegado da Polícia Civil Lucas Fernandes da Rosa.

O celular apreendido do traficante Claudiomir da Silva detalhou a negociação: fotos do título de eleitor eram trocadas pelo equivalente a R$ 50 pagos em "moeda branca" — gíria para a droga.

Um eleitor confessou à polícia ter enviado a foto do documento e recebido a "mercadoria" em troca.

O candidato beneficiado, Sadi Vieira, se elegeu vereador e chegou a presidir a Câmara Municipal, sendo condenado por corrupção eleitoral apenas no último mês de seu mandato, em 2024.

A defesa do policial militar Michel Maia ressaltou que aguarda julgamento de recurso e que, por isso, a condenação por corrupção eleitoral ainda não é definitiva.

A defesa do então candidato Dinho Resenha disse que as acusações não são verídicas e que não há provas suficientes. Também destacou que o processo ainda está em andamento.// E que, após esgotamento de todos os recursos cabíveis, a inocência será comprovada.

Desafios na investigação

Promotores explicam que investigar esses crimes é complexo por serem delitos "herméticos", que ocorrem em círculos fechados ou familiares, onde o medo impede testemunhos.

"É um círculo muito próximo. Você imagina como é que essas pessoas vão eventualmente testemunhar com segurança?", diz a procuradora Nathalia Mariel.

Além das consequências jurídicas, a corrupção eleitoral causa um ciclo de degradação dos serviços públicos. O promotor Guilherme Franchi alerta que o voto vendido hoje reflete na falta de remédios, professores e merenda escolar amanhã.

Para especialistas, a conscientização do eleitor é fundamental para que o voto seja um instrumento de melhoria da qualidade de vida.

Para aqueles que aceitaram a troca, o sentimento que resta é o arrependimento. "Arrependimento até hoje é grande. No fim eu peguei, me incomodei e tô me incomodando por causa disso", relatou um eleitor condenado em Santa Catarina.

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Bu haber ilk olarak şurada yayınlandı: G1.

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