Deputada britânica processa empresa de IA de Elon Musk por invasão de privacidade
Uma deputada britânica afirmou nesta quinta-feira (4) que está processando a empresa de inteligência artificial de Elon Musk por invasão de privacidade. Segundo ela, imagens falsas suas foram criadas pelo chatbot Grok.
Jess Asato, parlamentar do Partido Trabalhista, que governa o Reino Unido, diz que uma pessoa usou o Grok para gerar imagens dela de biquíni sem consentimento em janeiro, após ela criticar a disseminação de pornografia criada por inteligência artificial na internet.
A deputada apresentou uma ação na quarta-feira (3) à Alta Corte de Londres, alegando uso indevido de informações privadas com base na Lei de Proteção de Dados do Reino Unido.
Ela pede indenização e afirma que pretende criar um precedente para que empresas possam ser responsabilizadas pelo desenho e funcionamento de seus sistemas de inteligência artificial.
"Ninguém poderia simplesmente se aproximar de mim na rua, tirar minhas roupas e me colocar de biquíni. Não vejo por que alguém deveria poder fazer isso comigo online, porque a sensação, embora não seja exatamente a mesma, é muito parecida", disse. "É como se alguém tivesse me despido digitalmente sem o meu consentimento."
Asato afirmou esperar que outras pessoas se juntem ao processo.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou apoiar a ação judicial da deputada "100%".
"Jess Asato está absolutamente certa na medida que está tomando", disse Starmer a jornalistas. "Imagens repugnantes foram criadas no caso dela pelo Grok."
Após uma reação internacional contra a pornografia produzida com deepfakes, a empresa de Musk anunciou em janeiro que não permitiria mais que usuários do Grok editassem imagens de pessoas reais para remover suas roupas.
Uma lei aprovada no ano passado no Reino Unido tornou ilegal criar ou solicitar imagens deepfake de adultos sem consentimento. No entanto, Asato argumenta que a xAI deve ser responsabilizada pelos danos já causados.
"Depois que o dano é feito, ele já foi feito", afirmou. "Se pensarmos em qualquer outro produto, como um carro fabricado com defeito, não importa se ele é posteriormente recolhido e o problema corrigido."
Em janeiro, a escritora americana Ashley St. Clair, mãe de um dos filhos de Elon Musk, entrou com uma ação judicial contra a empresa em Nova York. Ela alega que o chatbot Grok gerou imagens explícitas suas, incluindo uma em que aparecia menor de idade.
A xAI não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito nesta quinta-feira.






