Violência contra mulheres: Agressões físicas focam no rosto para causar dano permanente
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- Estudos indicam que 70-90% das agressões físicas contra mulheres visam o rosto, buscando desfiguração e dano permanente à autoestima.
- A subnotificação é alta, com apenas 3,8% de vítimas registrando violência em prontuários.
- Iniciativas como o Instituto Novo Olhar oferecem reconstrução facial e apoio psicológico.
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Estudos indicam que a maioria das agressões físicas contra mulheres tem o rosto como alvo, buscando causar danos permanentes à aparência e autoestima. A subnotificação desses casos é um problema significativo.
Estudos das áreas de odontologia e medicina apontam que entre 70% e 90% das agressões físicas contra mulheres têm o rosto como alvo. O dado foi apresentado pela promotora de Justiça Fabíola Sucasas e ajuda a explicar um padrão observado em casos de violência de gênero: a tentativa de causar danos permanentes à aparência das vítimas.
A promotora também chama atenção para a subnotificação desses casos. Um estudo realizado com 3.193 usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) na Grande São Paulo mostrou que 76% delas haviam sofrido algum tipo de violência. Apesar disso, apenas 3,8% tinham registros dessas agressões nos prontuários médicos.
Estudos das áreas de odontologia e medicina apontam que entre 70% e 90% das agressões físicas contra mulheres têm o rosto como alvo. — Foto: Fantástico
A pesquisadora Valeska Martins de Oliveira Brasil afirma que os agressores buscam atingir a autoestima das vítimas.
"É uma violência que tem uma pedagogia. O homem, quando atinge a face, está não só dando uma lição nessa mulher, mas tornando ela, vamos colocar assim, ‘estragada’. 'Você não é minha, mas também ninguém mais vai te desejar'", disse.
Segundo Fabíola Sucasas, os ataques que provocam desfiguração exigem acompanhamento especializado. “A ideia é agredir e matar com crueldade. Essa desfiguração vai exigir do serviço de saúde determinadas providências. Hoje nós temos uma legislação que obriga o SUS a reparar o dano estético, a reparar o dano, inclusive, psicológico, que essas lesões podem acarretar”, explica.
Em São Paulo, iniciativas como o Instituto Novo Olhar oferecem reconstrução facial, atendimento psiquiátrico e psicológico, orientação jurídica e assistência social a mulheres vítimas de violência. A fundadora da instituição, a médica Carla Góes, afirma já ter atendido 435 mulheres.
"É tudo. Dá para ela dignidade. Dá para ela uma nova chance", afirmou sobre a recuperação do rosto das pacientes.
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