Estudo da UFPI identifica 115 espécies de aves em Teresina e alerta sobre urbanização
Gavião-carrapateiro Milvago chimachima. — Foto: Cláudia Renata Madella-Auricchio/ UFPI
Um estudo da Universidade Federal do Piauí (UFPI) identificou 115 espécies de aves em Teresina e apontou que áreas verdes são essenciais para a preservação desses animais. A pesquisa também indica que o avanço da urbanização tem reduzido a diversidade de aves na capital.
O levantamento é inédito e analisou quais espécies vivem na cidade, onde estão concentradas e o que influencia a sobrevivência delas. O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da UFPI.
Segundo o estudo, a maior diversidade de aves está em áreas com vegetação, como o Parque da Cidade, o Bioparque Zoobotânico e regiões próximas aos rios Parnaíba e Poty. Nesses locais, as aves encontram alimento, abrigo e condições para reprodução, principalmente as espécies mais sensíveis ao ambiente urbano.
“Os dados demonstram que as áreas verdes fornecem alimento, abrigo e locais de reprodução para espécies nativas mais sensíveis ao processo de urbanização”, explicam os pesquisadores.
Entre as aves que dependem dessas áreas estão o marreco, a garça-branca, o socózinho e o gavião-caramujeiro, comuns em regiões com água. Já espécies como o gavião-pega-macaco e o capitão-de-saíra-amarelo precisam de árvores de maior porte para sobreviver.
Urbanização ameaça diversidade
Apesar das 115 espécies registradas, o número é menor do que o encontrado em regiões mais preservadas do estado, como o Parque Nacional de Sete Cidades e o Parque Nacional da Serra da Capivara.
Segundo os pesquisadores, o crescimento urbano está entre os principais fatores para essa redução. A expansão de áreas construídas, o asfaltamento, a poluição e o acúmulo de lixo comprometem o habitat das aves.
A diminuição das áreas verdes e o aumento do barulho também dificultam a permanência de espécies que antes eram comuns na cidade.
O estudo também destaca a importância do uso de plantas nativas na arborização urbana.
“Um exemplo é o buriti (Mauritia flexuosa), uma palmeira essencial para a nidificação do andorinhão-do-buriti (Tachornis squamata), espécie que mantém uma relação ecológica estreita com essa planta”, afirmam.
A pesquisa aponta ainda que a observação de aves pode contribuir para a preservação ambiental ao aproximar a população da natureza.
“A observação de aves sensibiliza as pessoas para a importância da biodiversidade urbana e pode mobilizar a sociedade em ações voltadas à proteção das espécies”, destacam.
Os pesquisadores defendem a manutenção dos parques urbanos e o uso de árvores nativas como medidas essenciais para evitar a redução das aves em Teresina.
*Gabriely Corrêa, estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros.
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