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Família de Ryan, 4, indignada com arquivamento de inquérito sobre morte do menino
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Família de Ryan, 4, indignada com arquivamento de inquérito sobre morte do menino

نظرة سريعة

  • A família de Ryan da Silva Andrade Santos, 4 anos, morto após ser atingido por um disparo durante operação policial no Morro São Bento, em Santos (SP), manifestou indignação com o arquivamento do inquérito.
  • O MP-SP e a Polícia Civil concluíram que os policiais agiram em legítima defesa, mas a defesa da família alega que há confronto entre a versão policial e testemunhas, e que a ausência de câmeras corporais facilitou manipulação.

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Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, morreu após ser atingido por um disparo durante uma operação policial no Morro São Bento, em Santos (SP). A família e moradores argumentaram que os policiais "chegaram atirando" contra os suspeitos, mas as provas reunidas indicam uma troca de tiros.

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Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, morreu após ser atingido por um disparo durante uma operação no Morro São Bento, em Santos (SP) — Foto: Arquivo Pessoal

Ryan levou um tiro no abdômen enquanto brincava na rua durante uma operação no Morro São Bento. Segundo a PM, os agentes trocaram tiros com cerca de dez suspeitos após perseguirem dois adolescentes em uma moto. Gregory Ribeiro Vasconcelos morreu, e o outro menor ficou ferido.

O relatório final da Polícia Civil, feito pela Delegacia de Homicídios, concluiu que o disparo ocorreu em legítima defesa da arma do PM. À época, o delegado Thiago Bonametti afirmou ao g1 que não havia como atribuir culpa ou imprudência aos agentes na ocasião.

No começo de junho, a Justiça arquivou definitivamente o inquérito policial, após o MP-SP não oferecer denúncia contra os policiais. No entanto, o órgão já havia aberto um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para colher novas provas.

O procedimento, porém, foi arquivado na última terça-feira (9). Para o promotor Fábio Perez Fernandes, não foi possível constatar a prática de crime atribuível aos policiais militares. Segundo a promotoria, eles agiram em legítima defesa.

A família e moradores argumentaram que os policiais “chegaram atirando” contra os suspeitos. No entanto, segundo ele, as provas reunidas revelam uma troca de tiros. “A despeito disso, a evidência dos autos parece favorecer a versão dos policiais”, disse.

As provas indicam que a morte de Ryan ocorreu a cerca de 70 metros do confronto, após o projétil ricochetear. Em relação aos outros menores, o MP pontuou que eles estavam envolvidos na troca de tiros e que os ferimentos foram provocados em legítima defesa.

“Os policiais militares agiram escudados pela excludente de ilicitude representada pela legítima defesa real, sem indícios de excesso, doloso ou culposo, e muito menos de tentativa de execução sumária dos suspeitos”, disse.

Na promoção do arquivamento, o promotor reconheceu que a morte de Ryan não deveria ter ocorrido, mas destacou que não há como atribuir culpa aos agentes. “Nenhum policial veste sua farda, empunha sua arma e atira para matar uma criança indefesa”, diz.

O MP-SP ressaltou que Ryan não estava na linha de tiro e que a morte dele era absolutamente imprevisível pelos policiais, que atiravam contra os suspeitos, o que levou ao reconhecimento da exclusão do nexo causal.

“A tragédia é completa e inaceitável! Ryan não merecia e não podia ter passado por isso. Seus familiares e amigos não devem ser levados a crer que essa catástrofe é normal, pois não é. É necessário, porém, distinguir as coisas”, disse o promotor.

Caso ocorreu no Morro São Bento, em Santos (SP). Ryan, de 4 anos, estava brincando na rua quando foi atingido. — Foto: Redes sociais e Arquivo Pessoal

Defesa

Procurada pelo g1, a advogada Andrea dos Santos Lemos, que representa a família de Ryan, disse que a defesa “manifesta profunda indignação diante do pedido de arquivamento”.

“Embora o órgão ministerial sustente a tese de legítima defesa e "erro na execução" (aberratio ictus), a defesa ressalta que há um confronto inconciliável entre a versão policial e os depoimentos de testemunhas presenciais e do sobrevivente”, diz.

Segundo ela, enquanto os agentes alegam revide, as vítimas e familiares afirmam que os jovens estavam desarmados e que os disparos partiram exclusivamente da polícia em uma área residencial. Ela classificou a operação como “despreparada e desastrosa”

“A defesa também sustenta que a ausência de câmeras corporais nos policiais facilitou a manipulação da cena do crime e a suposta forja de armamentos para justificar a ação letal. A falta de transparência não pode ser utilizada como escudo para a impunidade”, diz.

A advogada entrou com recurso e pediu para que os PMs sejam julgados pelo Júri. Ela ainda pediu uma ação cível de mais de R$ 1 milhão em indenizações, “em razão da perda irreparável da vida de uma criança e da responsabilidade objetiva do Estado pela ação ou omissão de seus agentes”.

“A busca por justiça continuará até que as responsabilidades criminais e civis sejam devidamente apuradas e punidas”, conclui

Legítima defesa

O laudo da Polícia Técnico-Científica de São Paulo havia confirmado que o tiro partiu da arma do cabo da PM Clovis Damasceno de Carvalho Junior. As investigações apontaram que o menino foi atingido a vários metros de distância do local do confronto.

De acordo com o relatório, o projétil que atingiu Ryan apresentava abaulamento (uma deformidade) e chegou com energia final reduzida, constatando que a hipótese mais provável é de que o menino tenha sido atingido após o projétil ricochetear.

A Polícia Civil concluiu que essas evidências revelam a impossibilidade de que a morte de Ryan fosse previsível aos militares que disparavam em legítima defesa.

Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, morreu após ser baleado no Morro São Bento, em Santos (SP) — Foto: Arquivo Pessoal

Suspeitos

Ainda no relatório, a corporação destacou que o exame pericial do local apontou que houve confronto entre os policiais e os dois adolescentes. Os elementos trouxeram credibilidade à versão dos PMs. Veja algumas das evidências abaixo:

➡️Armas de fogo foram encontradas ao lado dos suspeitos;

➡️O exame de comparação balística apontou que também foram feitos disparos das armas que não eram dos policiais;

➡️ Vídeos publicados por Gregory nas redes sociais mostram o jovem portando armas de fogo e provocando a atuação policial, segundo a polícia;

➡️O suspeito sobrevivente confessou que atuava no tráfico de drogas com o comparsa morto. De acordo com ele, a dupla abastecia os pontos de venda de drogas.

Relembre o caso

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  • A família de Ryan continuará a busca por justiça criminal e civil.

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  • O caso pode gerar debates sobre o uso de câmeras corporais pela polícia.

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أسئلة مفتوحة

  • Haverá responsabilização criminal ou civil para os policiais?
  • Serão instaladas câmeras corporais nos policiais em operações futuras?
  • Qual a real dinâmica do confronto que levou à morte de Ryan?

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This article was originally published by G1.

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