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Feira de Santana: Corpus Christi tradition unites faith, sustainability, and generations
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G104.06.2026Culture4 dk okumaBrazil

Feira de Santana: Corpus Christi tradition unites faith, sustainability, and generations

نظرة سريعة

  • In Feira de Santana, Bahia, the Corpus Christi tradition transforms avenues into collective works of faith, uniting hundreds of volunteers.
  • The celebration, over 60 years old, incorporates sustainable materials like coffee grounds and tire scraps, and this year, AI-assisted molds for intricate designs, while passing heritage to younger generations.

ملخص مُنشأ بالذكاء الاصطناعي

لماذا يهم

The Corpus Christi tradition in Feira de Santana involves volunteers creating elaborate street tapets using various materials. This year's event highlighted a blend of faith, sustainability, and technology, with AI-assisted molds being used for the first time.

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O sol ainda não tinha aparecido, e a Avenida Senhor dos Passos, em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, já estava tomada por voluntários carregando sacos de pó de serra, baldes de tinta e moldes feitos com auxilio de Inteligência Artificial que, horas depois, dariam forma aos tradicionais tapetes de Corpus Christi.

A celebração, que acontece há mais de 60 anos, mobiliza centenas de pessoas todos os anos e transforma as principais avenidas da cidade em uma grande obra coletiva de fé.

Em meio aos desenhos religiosos e mensagens de devoção, a tradição também carrega outras marcas: a preocupação com a sustentabilidade e a participação de famílias que ajudam a manter viva uma herança passada de geração em geração.

Tapetes de Corpus Christi unem fé, sustentabilidade e gerações em Feira de Santana — Foto: Redes Sociais

Na Igreja Católica, Corpus Christi celebra o sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, representados simbolicamente pelo pão e pelo vinho. Uma das tradições mais conhecidas da data é justamente a confecção dos tapetes coloridos que recebem a procissão.

A prática teve origem em Portugal e chegou ao Brasil durante a colonização. Para os católicos, os tapetes simbolizam a acolhida a Jesus em Jerusalém, quando a população cobriu as ruas com mantos e ramos para a passagem do Messias.

Fé, sustentabilidade e tecnologia

Se antigamente os tapetes utilizavam com frequência alimentos e outros materiais de consumo, hoje o cenário é diferente.

Itens como borra de café, raspas de pneus, tampinhas plásticas, retalhos de tecido, diferentes tipos de serragem e até cartões de crédito estão entre os materiais mais utilizados pelos grupos responsáveis pela decoração da avenida.

Borra de café, raspas de pneus, tampinhas plásticas, retalhos de tecido, diferentes tipos de serragem e até cartões de crédito estão entre os materiais mais utilizados pelos grupos responsáveis pela decoração da avenida.

Integrante do movimento "Momento de Vida", Mário Leal acompanha a tradição há mais de quatro décadas e viu essa transformação acontecer ao longo dos anos.

“Antigamente a gente usava muito mais alimentos. Hoje existe uma preocupação maior com a sustentabilidade. A borra de café, por exemplo, é muito utilizada, assim como outros materiais reaproveitados”, explicou.

Mário Leal participou de confecção de tapetes com itens sustentáveis — Foto: Maylla Nunes | g1

Segundo ele, o trabalho começa muito antes da madrugada de Corpus Christi. Os materiais precisam ser recolhidos, preparados e organizados para que tudo esteja pronto no dia da celebração.

“O pessoal utiliza tecido, folhas, pó de serra, pó de pneu, garrafas PET, borra de café. Você vê a criatividade de cada grupo. Antes de tudo isso, ainda tem o trabalho de pintar os materiais e deixar secar”, contou.

Mário lembra que, além das técnicas tradicionais, a tecnologia também passou a fazer parte do processo. Neste ano, diversos grupos utilizaram moldes produzidos com auxílio de ferramentas de inteligência artificial para facilitar a criação dos desenhos.

Trabalho começa semanas antes

A coordenadora do grupo "Caminhada Catedral De Sant’Ana", Celiane Ferreira, afirma que a preparação não se resume ao dia da procissão.

Segundo ela, o planejamento começa logo nos primeiros meses do ano e se intensifica nas semanas que antecedem a celebração.

“Quando vira o ano, a gente já coloca Corpus Christi na agenda. É uma data especial para nós. Depois começamos a organizar os materiais, pintar o pó de serra, preparar o sal e providenciar tudo que será utilizado”, disse.

O processo exige paciência. O pó de serra precisa ser tingido e colocado para secar. O mesmo acontece com o sal colorido, que demanda alguns dias de preparação antes de ser aplicado nos desenhos.

A criatividade também aparece nos detalhes.

“Tem algumas coisinhas que a gente reutiliza e fazem muita diferença. Cartões de crédito que as pessoas não usam mais servem para fazer os contornos dos desenhos. Muita gente guarda durante o ano para trazer nessa época”, explicou.

Para Celiane, o maior desafio não é a montagem dos tapetes, mas a expectativa para que tudo saia conforme o planejado.

“A gente fica ansioso para que dê certo porque é para Jesus. Queremos sempre fazer o melhor.”

Tradição que atravessa gerações

Samila e Mel participaram pela primeira vez da confacção dos tapetes de Corpus Christi em Feira de Santana — Foto: Maylla Nunes | g1

Ao longo da manhã, pessoas de todas as idades trabalharam lado a lado na avenida.

A psicóloga Samila Costa participou pela primeira vez da confecção dos tapetes e levou a filha, Mel, de 6 anos, para acompanhar a celebração. Convertida ao catolicismo após ter sido evangélica por anos, ela descreveu a experiência como um momento marcante de sua caminhada de fé.

Mãe e filha chegerak ainda de madrugada para a confecção dos tapetes — Foto: Maylla Nunes | g1

“Participar da construção do tapete para que o Santíssimo Sacramento possa passar pelas ruas e nos lembrar que Ele é o centro das nossas vidas é a maior emoção da minha vida”, afirmou.

A presença da filha ao seu lado também teve um significado especial. Mesmo diante das dificuldades de sair cedo de casa, Samila decidiu manter a promessa feita à menina.

“Eu poderia vir sem ela, mas tinha feito um combinado. E o combinado era importante para ela. Eu sei que é importante para mim e era importante para ela com Cristo também”, disse.

Para a psicóloga, envolver Mel na celebração é uma forma de transmitir a fé e garantir que a tradição continue viva nas próximas gerações.

“Enquanto o Senhor me der vida, eu preciso devolver a Ele tudo o que tenho. E passar isso adiante. Quero que ela cresça vivendo isso também”, afirmou.

No grupo Caminhada, um dos mais tradicionais da Catedral Metropolitana, a participação dos jovens é considerada fundamental para garantir a continuidade da celebração.

Coordenador do movimento, Ítalo Dias, de 32 anos, afirmou que o grupo reúne cerca de 455 integrantes e mobilizou dezenas deles logo nas primeiras horas da manhã.

“A gente acorda por volta de 2h40 para estar aqui antes das 4h da manhã. Mesmo com chuva, o que fortalece a gente é a fé”, afirmou.

Ítalo Dias e Celiane Ferreira, coordenadores do Grupo Caminhada — Foto: Maylla Nunes | g1

Tapetes são tradição que unem fé e história em Feira de Santana — Foto: Maylla Nunes | g1

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أسئلة مفتوحة

  • What specific AI tools were used to create the molds?
  • What is the exact environmental impact of using recycled materials in the tapets?
  • How has the participation of younger generations evolved over the past decade?
  • What are the specific religious messages conveyed by the tapets this year?

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This article was originally published by G1.

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