Filme retrata a história de Honestino Guimarães, símbolo da luta estudantil na ditadura
Longa dirigido por Aurélio Michiles estreia nos cinemas do país e relembra a trajetória, a clandestinidade e o desaparecimento do estudante.
نظرة سريعة
Um novo longa-metragem dirigido por Aurélio Michiles estreia nos cinemas brasileiros para contar a história de Honestino Monteiro Guimarães, estudante desaparecido durante a ditadura militar e ícone do movimento estudantil.
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Honestino Monteiro Guimarães foi um líder estudantil desaparecido em 1973 durante a ditadura militar brasileira. Seu desaparecimento foi reconhecido como crime político.
O longa dirigido por Aurélio Michiles conta a história do estudante Honestino Monteiro Guimarães, que desapareceu aos 26 anos em 1973, nos anos de chumbo da ditadura militar – e se tornou um símbolo da luta estudantil contra o regime.
Passado mais de meio século, Honestino teve seu desaparecimento reconhecido como crime político, recebeu diplomas póstumos e recebeu homenagens em diversos espaços públicos de Brasília.
Natural de Itaberaí (GO), Honestino se mudou para a nova capital do país no ano na inauguração, em 1960, com a família. Estudou no Centro de Ensino Médio Elefante Branco da Asa Sul e, por breves anos, na Universidade de Brasília (UnB).
Desde o ensino médio, Honestino era engajado nos movimentos estudantis. Estudou no Colégio Elefante Branco – apelidado pelos militares como "elefante vermelho" à época, pelo histórico de resistência. O grêmio estudantil da escola, hoje, leva o nome de Honestino.
Em 1964, transferiu-se para o Centro Integrado de Ensino Médio (CIEM), onde concluiu o ensino básico. Na época, entrou para a organização clandestina Ação Popular (AP).
Pouco depois, aos 18 anos, passou em primeiro lugar para cursar geologia na UnB. Entre os estudos e a luta política, foi preso quatro vezes em ações grevistas e manifestações. Tornou-se, ainda, presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (Feub).
Em 1968, foi preso na mais violenta invasão à UnB, em 1968 – episódio que ficou conhecido como a "invasão à Feub".
No mesmo ano, foi desligado da universidade. Com a edição do Ato Institucional nº 5, que suspendia a garantia de habeas corpus nos casos de crimes políticos, passou a viver clandestinamente em São Paulo e, depois, no Rio de Janeiro.
Em 1997, a UnB rebatizou o Teatro de Arena construído em 1974, que passou a se chamar Teatro de Arena Honestino Guimarães.
Uma placa reconhecendo a história de luta do estudante foi instalada próximo ao Restaurante Universitário do campus Plano Piloto.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, principal instância de deliberação dos alunos, também é nomeado DCE Honestino Guimarães.
Em 2024, a UnB anulou a decisão que desligou Honestino e realizou cerimônia de outorga post mortem, concedendo o título de geólogo.
No Rio de Janeiro, foi eleito em 1971 presidente da União Nacional do Estudantes (UNE). Mesmo vivendo na clandestinidade, Honestino manteve atividades na UNE e na Ação Popular Marxista-Leninista.
Após cinco anos disfarçado, foi preso pelo Centro de Informações da Marinha (Cenimar).
O desaparecimento foi registrado em 10 de outubro de 1973 – data que, hoje, consta no atestado de óbito do estudante.
O corpo de Honestino Guimarães nunca foi encontrado. A morte foi reconhecida em 1996, quando a declaração de óbito foi emitida na esteira da Lei dos Desaparecidos Políticos (1995).
As homenagens a Honestino ultrapassam os registros históricos e os marcos e placas na Universidade de Brasília.
O Museu Nacional de Brasília, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado no Eixo Monumental de Brasília em 2006, também leva o nome de Honestino Guimarães.
Em 2015, o nome do estudante se tornou o centro de uma polêmica: a Câmara Legislativa do DF aprovou a troca do nome da ponte General Costa e Silva – segundo presidente da ditadura militar – pelo nome de Honestino.
A lei foi contestada por moradores e derrubada pela Justiça do DF. O argumento: o tema não tinha passado por audiência pública.
Em 2021, a Câmara do DF aprovou uma nova lei com o mesmo espírito e realizando a audiência pública. Então governador, Ibaneis Rocha (MDB) vetou a troca do nome.
O tema só foi pacificado em dezembro 2022, quando a Câmara do DF derrubou o veto de Ibaneis e promulgou a lei. Desde então, a ponte se chama Honestino Guimarães de modo definitivo.
Um minidocumentário produzido pelo Circuito Universitário de Cultura e Arte (CUCA) e dirigido por Paula Damasceno foi lançado pela União Nacional dos Estudantes em 2013 e pode ser encontrado na internet.
Na literatura, pela Editora UnB, a escritora Betty Almeida documentou a “Paixão de Honestino”. O livro narra a trajetória de Honestino Guimarães em 27 capítulos, do estudante militante ao símbolo contra a repressão.
O filme de Aurélio Michiles, que estreia nesta quinta em todo o país, retrata a história de Honestino em uma mistura de ficção e documentário. O longa tem roteiro de Aurélio Michiles e André Finotti, e produção de Nilson Rodrigues.







