Hospital Colônia de Barbacena fecha as portas após 120 anos de história
نظرة سريعة
- O Hospital Colônia de Barbacena, símbolo de violações de direitos humanos, foi oficialmente fechado.
- Pacientes idosos foram transferidos para residência terapêutica.
ملخص مُنشأ بالذكاء الاصطناعي
لماذا يهم
O Hospital Colônia de Barbacena, criado em 1903, tornou-se um símbolo de exclusão, violência e negligência, com cerca de 60 mil mortes registradas e graves violações de direitos humanos. A instituição recebia não apenas pessoas com transtornos mentais, mas também indivíduos considerados indesejados pela sociedade.
A cerimônia contou com a presença de autoridades do Governo de Minas e representantes da Prefeitura de Barbacena. O encerramento marca o fim das atividades de um dos locais mais associados a violações de direitos humanos no país. Entenda mais abaixo.
Os pacientes — todos idosos, sendo o mais velho com 91 anos — foram levados para uma residência terapêutica em Barbacena, onde receberão acompanhamento especializado. Segundo o Governo de Minas, nenhum deles tem vínculo com familiares, e a maioria apresenta quadro de saúde debilitado.
A transferência foi anunciada no fim de abril e iniciada na semana passada, marcando também o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio.
Solenidade marcou o fim das atividades do Hospital Colônia de Barbacena — Foto: Luiza Sudré/g1
Durante a solenidade, um cadeado foi colocado na porta da instituição para simbolizar o fechamento do espaço.
"É um momento de reparação histórica, de passar um cadeado definitivo nesta história de dor e também relembrar que este é um passado que jamais deve se repetir", disse Bento, um dos pacientes remanescentes.
O Museu da Loucura continuará funcionando no espaço, que também abriga o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB). As exposições reúnem textos, fotografias, documentos, objetos, equipamentos e instrumentação cirúrgica, relatando a história do tratamento de pessoas que passaram pelo hospital.
Hospital Colônia de Barbacena foi definitivamente fechado — Foto: Luiza Sudré/g1
O que foi o Hospital Colônia
Criado em 1903, o espaço nasceu como uma instituição destinada ao tratamento de pessoas com transtornos mentais. No entanto, ao longo das décadas, se transformou em um símbolo de exclusão, violência e negligência.
Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais. — Foto: Centro Cultural do Ministério da Saúde
Durante as décadas de funcionamento, cerca de 60 mil pacientes morreram no local. Pelo menos 1.800 desses corpos foram vendidos e usados no ensino de anatomia nos cursos de saúde de universidades.
Recentemente, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) publicaram pedido público de desculpas pela prática que violou os cadáveres e a dignidade das pessoas.
Um ‘depósito’ de pessoas
Durante décadas, o Hospital Colônia recebeu milhares de pacientes muitas vezes sem diagnóstico médico adequado.
Na prática, isso significava que não apenas pessoas com doenças mentais eram enviadas para lá, mas também aquelas consideradas indesejadas pela sociedade da época, como homossexuais, militantes políticos, grávidas, pessoas com deficiências, transtornos ou distúrbios, além de mulheres rejeitadas pelos maridos ou que haviam perdido a virgindade antes do casamento.
Com isso, o hospital acabou se consolidando como um local de isolamento social, para onde eram enviados aqueles que não se enquadravam nos padrões, em um modelo de internação compulsória e pouco fiscalizado.
Violações e maus-tratos
A instituição ficou marcada por graves violações de direitos humanos ao longo do século 20 devido também ao tratamento desumano dado aos internos, inclusive com uso de eletrochoque como forma de punição por comportamentos indesejados, como chorar, tentar fugir ou não seguir ordens.
As descargas eram aplicadas sem anestesia por funcionários não qualificados, causando dores extremas e até mesmo queimaduras nos pacientes.
Imagem de arquivo mostra pacientes do Hospital Colônia de Barbacena — Foto: Divulgação
Os ambientes eram extremamente precários, e os pacientes dormiam em um modelo conhecido como 'leito único', que consistia em deitar diretamente no chão frio, coberto somente por capim seco.
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Ops!
أسئلة مفتوحة
- Quais serão os custos de manutenção da residência terapêutica?
- Haverá algum tipo de reparação financeira para os pacientes remanescentes ou seus familiares?
- Como o Museu da Loucura pretende expandir suas exposições e alcance?
- Qual o plano de longo prazo para o cuidado de saúde mental no estado de Minas Gerais após este fechamento?






