Investigação aponta fraudes em creches ligadas a vereadora Gigi Castilho
En resumen
- Investigação policial apura suspeitas de fraude em creches comunitárias no Rio de Janeiro, ligadas à vereadora Gigi Castilho.
- Dinheiro público teria sido desviado para empresas de parentes e listas de presença manipuladas.
Resumen generado por IA
Por qué importa
Investigação apura suspeitas de desvio de verbas em creches comunitárias do Rio de Janeiro, ligadas à vereadora Gigi Castilho. Convênios foram suspensos após denúncias de que empresas de parentes receberam R$ 1,7 milhão.
Em junho do ano passado, o RJ2 mostrou que as unidades das creches ligadas à Gigi Castilho e o marido usaram cerca de R$ 1,7 milhão para contratar empresas — como padarias, hortifrutis e confecções de roubas — que pertenciam a parentes ou pessoas próximas a eles. Muitas dessas empresas sequer existiam nos endereços informados à Receita Federal.
No mês seguinte, a Prefeitura do Rio suspendeu os convênios com as creches comunitárias. Desde 2019, as instituições de ensino receberam R$ 72 milhões dos cofres públicos para atender alunos da rede municipal.
Um dos pontos centrais da investigação da Delegacia de Defraudações envolve a Unidade 7 da Creche Deus é Fiel, em Guaratiba, na Zona Oeste da cidade. Somente entre 2022 e 2023, a prestação de contas enviada pela própria creche à Secretaria Municipal de Educação registrou gastos de R$ 223 mil com o aluguel do imóvel.
No entanto, a suposta locadora que aparece no contrato, Vanessa de Oliveira Monteiro, disse à polícia que nunca foi dona do imóvel nem recebeu dinheiro algum. Vanessa, que trabalhou como assistente administrativa na creche, disse que assinava pilhas de documentos sem ler.
Ela suspeita que a assinatura tenha sido falsificada ou colhida em documentos com data futura por Anderson de Oliveira Nascimento, atual representante legal das creches Deus é Fiel. Nas prestações de contas da creche, somente um recibo de aluguel foi encontrado, e ele foi assinado por uma terceira pessoa, e não por Vanessa.
Ex-funcionários ouvidos pela Delegacia de Defraudações revelaram que havia uma orientação sistemática para fraudar a lista de presença. Nomes de crianças que já não estudavam mais nas unidades continuavam nas listas oficiais para garantir o repasse de verbas da prefeitura. Professores eram instruídos a trocar identidades nos diários de classe para encobrir as ausências.
A vereadora Gigi Castilho negou, em depoimento à polícia, qualquer conhecimento sobre fraudes ou irregularidades nos contratos de aluguel. E que a função dela nas creches era estritamente pedagógica. Sobre as denúncias de coação, a parlamentar declarou que o apoio político dos funcionários era voluntário e negou qualquer tipo de pressão.
O marido da vereadora, Luciano Castilho, fundador das instituições, não compareceu para depor quando intimado. Anderson de Oliveira Nascimento, atual representante legal das creches, permaneceu em silêncio.
Sem os contratos com a prefeitura desde o fim do ano passado, atualmente a creche em Guaratiba teve a fachada pintada e as placas de identificação foram removidas.
Em nota, o advogado Marcio Delambert, que defende Gigi Castilho e o marido dela, Luciano Castilho, declarou que " vereadora não tinha qualquer relação administrativa ou de gestão das creches, em especial sobre registros de alunos ou contratos de pessoas e fornecedores. Gigi Castilho nunca participou ou pediu para realizar eventos eleitorais, seja com funcionários ou pais de alunos".
A nota diz ainda que "a sra. Vanessa é investigada e nos autos se destaca a existência de depoimentos fantasiosos. O segredo de justiça foi decretado justamente para impedir a exploração política indevida do caso".
Preguntas abiertas
- Qual a extensão total das fraudes?
- Quem mais está envolvido no esquema?
- Haverá ressarcimento dos valores desviados?





