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Novo Desenrola Brasil busca reduzir inadimplência antes das eleições
En développement
Politique·22.05.2026Résumé IA

Novo Desenrola Brasil busca reduzir inadimplência antes das eleições

O Novo Desenrola Brasil (Desenrola 2.0) é relançado em maio de 2026, visando reduzir a inadimplência antes das eleições presidenciais. O programa busca auxiliar famílias de menor renda, com foco em dívidas de até R$ 100 e renegociações com descontos médios de 85%. Especialistas apontam a necessidade de educação financeira e mudanças estruturais para um impacto duradouro.

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G1
ACTU
11.05.2026

Entenda como funciona investir no Tesouro Reserva

Aposta do governo para atrair pequenos investidores e estimular a poupança, o Tesouro Reserva, lançado nesta segunda-feira (11), tem como alvo quem busca guardar dinheiro com segurança, liquidez e simplicidade.  A aplicação começa com valor mínimo de R$ 1, rende diariamente conforme a Taxa Selic (juros básicos da economia) e poderá ser movimentada 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana e feriados. Notícias relacionadas:Tesouro Nacional lança título com aplicação a partir de R$ 1 .Vendas do Tesouro Direto batem recorde histórico em março.Como declaro poupança, renda fixa e variável no Imposto de Renda?.A nova modalidade surge como uma tentativa do governo de ampliar o acesso aos investimentos públicos e competir diretamente com produtos populares dos bancos e fintechs, como poupança, Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e as chamadas “caixinhas” digitais. Neste primeiro momento, o Tesouro Reserva estará disponível apenas para os cerca de 80 milhões de correntistas do Banco do Brasil. O Tesouro Nacional informou que negocia a entrada de outras instituições financeiras na nova plataforma. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp O que é O Tesouro Reserva é um título público federal. Na prática, quem investe está emprestando dinheiro ao governo em troca de remuneração. O rendimento acompanha a taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano. Como os juros básicos estão elevados, o novo título tende a render bem mais do que a poupança. A proposta do Tesouro Nacional é que o produto funcione como uma opção simples para reserva de emergência, ou seja, dinheiro guardado para despesas inesperadas, como problemas de saúde, desemprego ou consertos. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, a ideia é aproximar o investimento público da experiência já oferecida pelos aplicativos bancários. Como funciona O Tesouro Reserva terá rendimento diário e poderá ser resgatado a qualquer momento. Diferentemente de outros títulos públicos, ele não terá a chamada “marcação a mercado”, mecanismo que faz o valor dos investimentos oscilar diariamente conforme as condições econômicas. Na prática, isso significa que o investidor não verá o saldo cair temporariamente no extrato, algo comum em outros papéis do Tesouro Direto. Nos títulos tradicionais, o preço varia de acordo com juros, inflação e percepção de risco do mercado. Assim, quem resgata antes do vencimento pode ganhar mais ou menos do que imaginava. No Tesouro Reserva, o cálculo seguirá a chamada “marcação na curva”, em que os juros são contabilizados dia após dia, reduzindo oscilações visíveis para o investidor. Rendimento  Com a Selic em 14,5% ao ano, o Tesouro Reserva deve superar com folga a rentabilidade da poupança. Hoje, a caderneta rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) quando os juros básicos estão acima de 8,5% ao ano. Nos últimos 12 meses, a poupança rendeu 7,53%. Segundo simulações do próprio Tesouro Nacional, uma aplicação de R$ 1 mil poderia atingir:    R$ 1.051,23 em seis meses: R$ 20,85 a mais que a poupança;    R$ 1.101,82 em um ano: R$ 40,14 a mais que a poupança;    R$ 1.207,12 em dois anos: R$ 79,96 a mais que a poupança. Aplicação mínima Outro diferencial é o baixo valor de entrada. Enquanto outros títulos do Tesouro exigem aportes maiores, o Tesouro Reserva permitirá aplicações a partir de R$ 1. O limite máximo será de R$ 500 mil por pessoa. Segundo o governo, a medida busca atrair pessoas que ainda não investem ou mantêm dinheiro parado na conta corrente. Negociação 24 horas O Tesouro Reserva é o primeiro título público brasileiro com negociação contínua. Isso significa que aplicações e resgates poderão ser feitos 24 horas por dia, sete dias por semana, sem depender do horário tradicional do mercado financeiro. Hoje, o Tesouro Direto opera apenas em horários específicos dos dias úteis. Em operações de resgate, o dinheiro leva de um a dois dias úteis para cair na conta do investidor. A nova plataforma também permitirá movimentações via Pix. Impostos e taxas O investimento terá cobrança de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos, seguindo a tabela regressiva da renda fixa:     22,5% para aplicações de até 180 dias;     20% entre 181 e 360 dias;     17,5% entre um e dois anos;     15% acima de dois anos. A tabela é a mesma que incide sobre os demais investimentos em renda fixa. O IR incide sobre os rendimentos, não sobre o total aplicado. Como nos demais títulos do Tesouro Nacional, também haverá cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para resgates realizados nos primeiros 30 dias. Até R$ 10 mil investidos, não haverá taxa de custódia da B3. Acima desse valor, será cobrada taxa de 0,20% ao ano. Poupança Apesar de funcionar como concorrente da poupança, o Tesouro Reserva tem diferenças importantes. A principal está na rentabilidade. Com juros altos, o novo título tende a entregar retorno maior. Além disso, o rendimento será diário, enquanto a poupança só rende no chamado “aniversário” mensal da aplicação. A poupança continua isenta de Imposto de Renda, algo que não ocorre no Tesouro Reserva. Concorrência O novo produto também vai disputar espaço com CDB, Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito ao Agronegócio (LCA) oferecidos por bancos e corretoras. Em muitos casos, esses investimentos privados podem oferecer rentabilidade maior, com mais de 100% do CDI, especialmente em períodos de juros elevados. Os títulos públicos vinculados à Selic rendem 100% do CDI. A diferença é que alguns investimentos privados exigem prazos maiores para resgate ou têm regras mais rígidas de liquidez. Enquanto os produtos bancários contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), os títulos públicos têm garantia do próprio governo federal. Meta O Tesouro Nacional quer ampliar significativamente o número de investidores pessoa física. Hoje, os títulos públicos somam cerca de 3,4 milhões de investidores. A expectativa oficial é superar 10 milhões de aplicadores nos próximos anos com a nova plataforma. O governo aposta principalmente na facilidade de acesso, no baixo valor de entrada e na possibilidade de movimentação instantânea para atrair novos usuários.

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Agência Brasil Economia
ACTU
11.05.2026

Desenrola 2.0 renegocia quase R$ 1 bilhão em dívidas, diz Durigan

O programa Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal para renegociação de dívidas bancárias, está perto de atingir R$ 1 bilhão em débitos renegociados, disse nesta segunda-feira (11) o ministro da Fazenda, Dario Durigan. De acordo com o ministro, cerca de 200 mil pedidos de renegociação foram enviados aos bancos participantes do programa. Desse total, aproximadamente 100 mil operações estão praticamente concluídas. Notícias relacionadas:Entenda o novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal.Novo Desenrola: juros altos pressionam endividamento das famílias.Governo prepara Desenrola para trabalhadores informais e adimplentes.O programa é voltado para pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente hoje a R$ 8.105. Durigan informou que o governo também prepara a ampliação do programa para estudantes inadimplentes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Segundo o ministro, a modalidade deve estar “totalmente operativa” ainda nesta semana. Prêmio a adimplentes O ministro também afirmou que o governo prepara uma versão do programa voltada para consumidores que mantiveram suas contas em dia. Segundo Durigan, a ideia é criar uma espécie de estímulo ou “prêmio” para os adimplentes, mas a medida será anunciada em um segundo momento. De acordo com ele, neste primeiro momento o foco está nos consumidores inadimplentes, que enfrentam maiores dificuldades financeiras. Como funciona O Desenrola 2.0 permite que consumidores renegociem dívidas atrasadas com bancos em condições mais favoráveis. Podem entrar no programa dívidas: Contratadas até 31 de janeiro de 2026; Atrasadas entre 90 dias e dois anos; Ligadas a cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. A proposta do governo é que os bancos concedam um novo empréstimo para quitar a dívida antiga, com desconto e juros menores. Condições oferecidas As renegociações podem incluir: Descontos entre 30% e 90% Juros máximos de 1,99% ao mês Prazo de até 48 meses para pagamento Primeira parcela em até 35 dias Limite de R$ 15 mil renegociados por pessoa em cada banco Desconto varia conforme o tipo da dívida e o tempo de atraso Uso do FGTS O programa também permite que trabalhadores utilizem parte do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para pagar dívidas. Será possível usar até 20% do saldo do FGTS ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor. A medida busca reduzir o endividamento das famílias e evitar que consumidores recorram a linhas de crédito mais caras. Quatro frentes O Novo Desenrola Brasil foi dividido em quatro modalidades: Desenrola Famílias; Desenrola Fies; Desenrola Empresas; Desenrola Rural. O governo pretende realizar uma mobilização nacional de 90 dias para estimular renegociações e reduzir a inadimplência no país. Fies liberado Em relação ao Fies, as condições variam conforme o perfil do estudante e o tempo de atraso da dívida. Para débitos vencidos há mais de 360 dias: estudantes fora do CadÚnico poderão ter desconto de até 77%; estudantes inscritos no CadÚnico poderão obter abatimento de até 99% da dívida. Em alguns casos, haverá possibilidade de parcelamento em até 150 vezes. O governo estima beneficiar mais de 1 milhão de estudantes com a renegociação. Cenário econômico O lançamento do programa ocorre em meio ao elevado endividamento das famílias brasileiras. Dados do Banco Central mostram que boa parte da renda dos consumidores segue comprometida com dívidas, especialmente em modalidades com juros altos, como cartão de crédito e cheque especial. Segundo o Ministério da Fazenda, a expectativa é renegociar até R$ 42 bilhões em dívidas ao longo do programa.

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Agência Brasil Economia
ACTU
11.05.2026

Pequena indústria tem pior resultado desde a pandemia, revela CNI

O desempenho das pequenas indústrias brasileiras atingiu o pior nível desde a pandemia de Covid-19, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (11) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento mostra piora na produção, nas condições financeiras e na confiança dos empresários ao longo do primeiro trimestre de 2026. De acordo com a pesquisa Panorama da Pequena Indústria, juros elevados, dificuldade de acesso ao crédito e aumento no custo das matérias-primas têm afetado diretamente as empresas de pequeno porte. Notícias relacionadas:Faturamento da indústria tem recuperação e sobe 3,8% em março.Confiança da indústria atinge menor nível desde 2020.O índice que mede o desempenho das pequenas indústrias caiu para 43,7 pontos no primeiro trimestre deste ano. Foi o menor resultado desde o segundo trimestre de 2020, período mais crítico da pandemia, quando o indicador chegou a 34,1 pontos. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp O levantamento considera três fatores principais: Volume de produção; Uso da capacidade das fábricas; Número de empregados. Na prática, o resultado indica que pequenas empresas estão produzindo menos, utilizando menos sua estrutura e contratando menos trabalhadores. Caixa pressionado A situação financeira das pequenas indústrias também piorou. O índice que mede as condições financeiras caiu 2,5 pontos e chegou a 39 pontos, pior marca dos últimos cinco anos. Esse indicador avalia: Acesso ao crédito; Margem de lucro; Satisfação dos empresários com a situação financeira. Em nota, a analista da CNI Julia Dias afirma que os juros altos dificultam ainda mais o financiamento para pequenas empresas, consideradas de maior risco pelos bancos. Segundo ela, o aumento no preço de insumos e matérias-primas, influenciado pela guerra no Oriente Médio, também reduziu a margem de lucro das indústrias. Matéria-prima preocupa A pesquisa mostra que o custo das matérias-primas se tornou uma das maiores preocupações do setor. Nas pequenas indústrias de transformação, o problema saltou da sexta para a segunda posição entre os principais entraves. O percentual de empresários que citaram a dificuldade passou de 20% para 34,1% em apenas um trimestre. Entre as pequenas empresas da construção civil, a preocupação com falta ou alto custo de insumos avançou de 4,1% para 18,1%. Com isso, o tema saiu da 13ª para a 5ª posição entre os principais problemas do setor. Juros elevados A elevada carga tributária segue como principal dificuldade apontada pelas pequenas indústrias, apesar de ter perdido um pouco de força na comparação com o fim de 2025. No setor da construção, os juros altos aparecem como o segundo maior problema enfrentado pelas empresas. A preocupação com as taxas de juros subiu de 30,9% para 37,1% entre os empresários do segmento. Segundo a CNI, os juros encarecem financiamentos, reduzem investimentos e dificultam o crescimento das pequenas empresas. Confiança baixa A confiança dos empresários também continua em queda. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) das pequenas empresas ficou em 44,6 pontos em abril, menor nível desde junho de 2020. O indicador está abaixo da linha de 50 pontos há 17 meses consecutivos, o que demonstra predominância de pessimismo no setor. Expectativas moderadas As expectativas para os próximos meses seguem cautelosas. O índice de perspectivas da pequena indústria marcou 47,4 pontos, indicando visão moderada dos empresários sobre demanda, produção, contratações e investimentos. O resultado mostra que, apesar da piora recente, parte das empresas ainda espera alguma recuperação gradual ao longo do ano.

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Agência Brasil Economia
ACTU
09.05.2026

Novo Desenrola: juros altos pressionam endividamento das famílias

Economistas indicam que a elevada taxa básica de juros – a taxa Selic – praticada no Brasil, somada aos altos spreads bancários aplicados pelas instituições financeira,s têm contribuído para o aumento do endividamento das famílias, o que levou o governo a lançar nesta semana o Novo Desenrola.  O spread bancário é a diferença entre os juros que os bancos pagam e os que emprestam aos consumidores. No Brasil, o spread bancário foi de 34,6 pontos percentuais (p.p.) em março contra 29,7 p.p. registrados no mesmo mês de 2025. Notícias relacionadas:Morre o economista Chico Lopes, ex-Banco Central e criador do Copom.Entenda o novo Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal.Poupança tem retirada líquida de R$ 476,4 milhões em abril.Para se ter uma ideia, o Banco Mundial calcula um spread bancário médio no mundo em torno dos 6 p.p. A professora de economia da Universidade de Brasília (UnB), Maria Lourdes Mollo, explicou que, quanto maior a taxa Selic definida pelo Banco Central (BC), maior são os juros praticados pelos bancos sobre as famílias.  “Os juros dos empréstimos estão muito altos. Isso tem uma relação direta, sem dúvida nenhuma, com o endividamento das pessoas, o que tem dificultado muito a economia a funcionar”, disse Maria de Lourdes. A professora da UnB citou ainda, como agravante para as famílias, a precarização dos empregos no Brasil, motivada, segundo ela, pela reforma trabalhista do governo de Michel Temer. “Grande parte das pessoas está se endividando para completar o orçamento, para pagar despesas com saúde e do cotidiano. Esse Novo Desenrola pode liberar um pouco o orçamento das pessoas e, eventualmente, até dar um estímulo à economia”, completou Maria Lourdes. O Brasil tem a segunda maior taxa básica de juros reais do mundo, descontada a inflação, com 9,3%. Ficamos atrás apenas da Rússia, país em guerra, com 9,6%. Em terceiro colocado, vem o México, com uma taxa de 5,0%. Os dados são do site especializado Moneyou.  Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), a taxa Selic foi reduzida em 0,25 p.p., chegando a 14,5%, considerada ainda elevada. O BC sustenta que a taxa de juros é necessária para controlar a inflação. O patamar da Selic, por outro lado, é questionado por críticos como excessivamente elevado.  Endividamento das famílias Pelo quarto mês consecutivo, o total de famílias com dívidas cresceu no Brasil e alcançou 80% em abril, “nova máxima histórica”, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O total de famílias inadimplentes, com contas em atraso, ficou em 29,7%, em relativa estabilidade. “As famílias que ganham até três salários mínimos registram o maior nível de endividamento (83,6%) e o maior índice de contas em atraso (38,2%)”, destaca a CNC.  Líder mundial no spread bancário A professora de economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Juliane Furno, avalia que o endividamento das famílias brasileiras pode ser explicado pelas “altíssimas” taxas do spread bancário.   “O Brasil tem um dos maiores spreads bancários do mundo, em algumas comparações recentes, aparece no topo do ranking. O spread é elevado, segundo os bancos, porque a inadimplência é muito alta. Ou seja, esse valor justificaria o risco. Só que posso também dizer que a inadimplência é alta porque os juros (spread) são altos”, diz Juliana. O ranking da World Open Data, com dados de 2024, coloca o Brasil como o país com as maiores taxas de spread do planeta, seguido por República Tcheca, Sudão do Sul, Serra Leoa, Moçambique, Angola, Ucrânia e Timor Leste.  Dados do BC de março mostram que os bancos cobram das pessoas físicas, as famílias, uma taxa de juros média de 61% ao ano. Para as empresas, a taxa média foi de 24%. A professora de economia política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Maria Mello de Malta pondera que, como a taxa básica do Brasil é a segunda mais alta do mundo, ela faz os bancos elevarem as taxas para população. “Quando a taxa Selic está alta, todas as outras estão sempre mais altas. Quando o trabalhador vai pagar o empréstimo dele, e passa do limite e não consegue pagar o cartão de crédito, os juros serão mais altos que a Selic”, afirmou Maria à Agência Brasil. Malta acrescenta que essa situação gera uma “bola de neve” com as famílias trabalhadoras buscando “outra fonte para poder pagar a primeira dívida e vai se endividando progressivamente”. Os juros mais altos praticados no Brasil são do rotativo do cartão de crédito, que pode chegar a mais de 400% ao ano.  Novo Desenrola O governo federal lançou o Novo Desenrola Brasil, programa que busca ajudar famílias, estudantes e pequenos empreendedores a renegociar dívidas, limpar o nome e recuperar o acesso ao crédito.  A nova fase da iniciativa terá duração de 90 dias e prevê descontos de até 90%, juros reduzidos e a possibilidade de uso do FGTS para abatimento de débitos.

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Agência Brasil Economia
ACTU
08.05.2026

Faturamento da indústria tem recuperação e sobe 3,8% em março

O faturamento da indústria de transformação brasileira cresceu em março, indicando uma recuperação parcial da atividade industrial. Segundo a pesquisa Indicadores Industriais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira (8), o setor ainda acumula perdas na comparação com o ano passado, apesar da melhora mensal, reflexo dos juros elevados e da desaceleração da demanda. O faturamento industrial avançou em março na comparação com fevereiro, mas continua abaixo do desempenho registrado no ano passado. Notícias relacionadas:Indústria nacional varia 0,1% em março e acumula alta de 3,1% em 2026.Lula defende indústria brasileira de carros na América Latina e África.Principais números: •    Alta de 3,8% do faturamento em março em relação a fevereiro; •    Nível ficou 9,8% acima de dezembro de 2025; •    Queda acumulada de 4,8% na comparação com o primeiro trimestre de 2025. Em nota, o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, afirma que os juros elevados continuam afetando o setor. “De lá para cá [desde o primeiro trimestre do ano passado], a demanda por bens industriais começou a perder força por causa da elevação da taxa de juros, que teve início no fim de 2024 e persistiu em 2025, contribuindo para a queda do faturamento na comparação interanual”, explicou. Ele ressalta que juros altos encarecem o crédito e reduzem o consumo e os investimentos, diminuindo as encomendas para as fábricas. Produção avança As horas trabalhadas na produção cresceram pelo terceiro mês seguido, sinalizando aumento gradual do ritmo de atividade nas fábricas. •    Alta de 1,4% em março; •    Queda acumulada de 1,5% no trimestre frente a 2025. O indicador mede o tempo efetivamente dedicado à produção industrial. Quando sobe, costuma indicar aumento da atividade nas linhas de produção. Ociosidade persiste A indústria também aumentou levemente o uso de sua capacidade produtiva, mas ainda opera abaixo do nível observado no ano passado. •    Utilização da Capacidade Instalada (UCI) passou de 77,5% para 77,8%; •    Alta de 0,3 ponto percentual entre fevereiro e março. O indicador mede quanto do parque industrial está efetivamente em uso. Segundo Marcelo Azevedo, o dado mostra que ainda existe espaço para elevar a produção sem necessidade de grandes investimentos. “Há maquinário e pessoal, mas a indústria vem produzindo menos do que pode por causa de uma demanda mais fraca”, afirmou. Emprego cai O mercado de trabalho industrial segue pressionado, com redução nas contratações. •    Emprego industrial caiu 0,3% em março; •    Quinta queda em sete meses; •    Recuo acumulado de 0,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O resultado mostra que as empresas continuam cautelosas diante do cenário econômico mais fraco. Salários recuam Os salários pagos aos trabalhadores da indústria caíram em março, embora os indicadores ainda permaneçam acima dos níveis do ano passado. •    Massa salarial caiu 2,4% em março; •    Rendimento médio real recuou 1,8%; •    Massa salarial acumula alta de 0,8% no trimestre; •    Rendimento médio sobe 1,5% ante primeiro trimestre de 2025. A massa salarial representa o total pago pelas empresas aos trabalhadores do setor. O rendimento médio real considera os salários descontada a inflação.

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Corte de 0,25 ponto na Selic é considerado insuficiente por indústria, comércio e centrais sindicais
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Business·29.04.2026Résumé IA

Corte de 0,25 ponto na Selic é considerado insuficiente por indústria, comércio e centrais sindicais

O Copom reduziu a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, mas indústria, comércio e centrais sindicais consideraram o corte insuficiente. CNI, APAS, Contraf-CUT e Força Sindical apontaram que o nível ainda elevado dos juros mantém custo do crédito proibitivo, compromete investimentos, pressiona endividamento de empresas e famílias e freia a geração de empregos e renda.

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Agência Brasil Economia
Vendas do Tesouro Direto batem recorde histórico em março
ACTU
27.04.2026

Vendas do Tesouro Direto batem recorde histórico em março

As vendas de títulos públicos a pessoas físicas pela internet bateram recorde histórico em março, divulgou o Tesouro Nacional nesta segunda-feira (27). No mês passado, o Tesouro Direto vendeu R$ 14,79 bilhões em papéis, o maior volume para todos os meses desde a criação do programa, em 2002. Notícias relacionadas:Boletim Focus: mercado prevê inflação de 4,86% em 2026.Juros elevados mantêm pressão sobre endividamento das famílias.Emendas parlamentares e juros da dívida apertam investimentos públicos.O valor é 79,2% maior que em fevereiro, quando as vendas do Tesouro Direto somaram R$ 8,2 bilhões. Na comparação com março do ano passado, é 26,5% maior. O principal fator para o recorde foi o vencimento de R$ 7,07 bilhões em títulos corrigidos pela Selic, a taxa de juros básicos da economia. Os investidores trocaram os papéis pelo mesmo tipo de títulos. O recorde mensal anterior do Tesouro Direto tinha ocorrido em janeiro deste ano, motivado pela troca de títulos prefixados que venceram por outros papéis. >> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp Tesouro Selic Os títulos mais procurados pelos investidores em março foram os vinculados aos juros básicos, cuja participação nas vendas somou 52,7%. Os papéis corrigidos pela inflação (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA) corresponderam a 24% do total, enquanto os prefixados, com juros definidos no momento da emissão, totalizaram 15,1%. Destinados ao financiamento de aposentadorias, o Tesouro Renda+, lançado no início de 2023, respondeu por 6,5% das vendas. Criado em agosto de 2023, o novo título Tesouro Educa+, proposto para financiar uma poupança para o ensino superior, atraiu apenas 1,6% das vendas. O interesse por papéis vinculados aos juros básicos é justificado pelo alto nível da Taxa Selic. A taxa, que estava em 10,5% ao ano até setembro de 2024, está em 14,75% ao ano. Com os juros altos, os papéis continuam atrativos. Os títulos vinculados à inflação também têm atraído os investidores por causa da expectativa de alta da inflação oficial nos próximos meses. O estoque total do Tesouro Direto alcançou R$ 234,42 bilhões no fim de março, alta de 3,29% em relação ao mês anterior (R$ 226,93 bilhões) e de 41,99% em relação a março do ano passado (R$ 165,09 bilhões). Esse aumento ocorreu por causa da correção pelos juros e porque as vendas superaram os resgates em R$ 3,78 bilhões no último mês. Investidores Em relação ao número de investidores, 288.041 participantes passaram a fazer parte do programa no mês passado. O número total de investidores atingiu 35.097.988. Nos últimos 12 meses, o número de investidores acumula alta de 9,78%. O total de investidores ativos (com operações em aberto) chegou a 3.418.225, aumento de 15,97% em 12 meses. A utilização do Tesouro Direto por pequenos investidores pode ser observada pelo considerável número de vendas de até R$ 5 mil, que correspondeu a 73% do total de 1.224.134 operações de vendas ocorridas em março. Só as aplicações de até R$ 1 mil representaram 45,6%. O valor médio por operação atingiu R$ 12.083,06. Os investidores estão preferindo papéis de curto prazo. As vendas de títulos de até cinco anos representam 58,2% do total. As operações com prazo entre cinco e dez anos correspondem a 20,9% do total. E os papéis de mais de dez anos de prazo foram 20,9% das vendas. >> Confira o balanço completo do Tesouro Direto na página do Tesouro Transparente. Captação de recursos O Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002 para popularizar esse tipo de aplicação e permitir que pessoas físicas pudessem adquirir títulos públicos diretamente do Tesouro Nacional, via internet, sem intermediação de agentes financeiros. O aplicador só precisa pagar uma taxa para a B3, a bolsa de valores brasileira, descontada nas movimentações dos títulos. Mais informações podem ser obtidas no site do Tesouro Direto. A venda de títulos é uma das formas que o governo tem de captar recursos para pagar dívidas e honrar compromissos. Em troca, o Tesouro Nacional se compromete a devolver o valor com um adicional que pode variar de acordo com a Selic, índices de inflação, câmbio ou uma taxa definida antecipadamente no caso dos papéis prefixados.

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Agência Brasil Economia