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BackArgentina e Áustria: Duas Abordagens Opostas na Proteção de Geleiras
Argentina e Áustria: Duas Abordagens Opostas na Proteção de Geleiras
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G16/22/2026World4 min readBrazil

Argentina e Áustria: Duas Abordagens Opostas na Proteção de Geleiras

Quick Look

  • Argentina flexibiliza lei de proteção a geleiras para impulsionar mineração, enquanto Áustria mantém proteção "absoluta", apesar de pressões do turismo de esqui.
  • Ambos os países enfrentam o derretimento do gelo devido às mudanças climáticas.

AI-generated summary

Why It Matters

A Argentina flexibilizou sua lei de proteção a geleiras, exigindo que sua contribuição para o abastecimento de água seja comprovada para que sejam protegidas. A Áustria, por outro lado, mantém uma proteção "absoluta" às suas geleiras.

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Nesta segunda-feira (22) Argentina e Áustria entram em campo em Arlington, no Texas (EUA), pela segunda rodada do Grupo J da Copa do Mundo de 2026.

São dois países de forte tradição montanhosa — e, fora dos estádios, essa característica geográfica vem alimentando outro tipo de disputa, que tem como protagonistas os glaciares que cobrem suas cordilheiras.

🧊 ENTENDA: Glaciares, também chamados de geleiras, são enormes massas de gelo formadas ao longo de milhares de anos, a partir da neve que se acumula, endurece e se transforma em gelo compacto.

"As geleiras atuam como armazenadores de água, liberando ao longo de todo o ano, inclusive períodos de seca", explica Jefferson Cardia Simões, professor de Glaciologia e Geografia Polar da UFRGS, onde fundou o Centro Polar e Climático (CPC) da instituição.

Mesmo parecendo paradas, elas se deslocam lentamente pela força da gravidade, como se fossem rios de gelo. Por causa disso, essas formações estão entre as maiores reservas de água doce do planeta.

Contudo, hoje os dois países seguem direções praticamente opostas quando o assunto é a proteção dessas reservas de gelo.

Em 2010, a Argentina sancionou a primeira lei do mundo voltada especificamente à preservação de glaciares e do chamado ambiente periglacial — uma faixa de terreno ao redor do gelo visível que também guarda água congelada no subsolo e funciona como uma espécie de reservatório natural, importante para o abastecimento de rios em períodos de seca.

Glacial Perito Moreno, a 90 km de El Calafate, na Argentina — Foto: Leonardo Spencer/Viajo Logo Existo/Divulgação

A lógica da norma era simples: protegia-se automaticamente toda essa área, por precaução, sem necessidade de provar caso a caso sua importância.

Neste ano, no entanto, o governo argentino promoveu uma reforma que muda esse princípio.

Pela nova regra, para que um glaciar ou uma área periglacial sejam protegidos, é necessário demonstrar que eles contribuem de forma significativa para o abastecimento de água de uma bacia hidrográfica.

Além disso, a decisão sobre o que será preservado deixa de seguir um critério único para todo o país e passa a depender de cada província.

"Com o aumento do derretimento das geleiras, estamos perdendo a regularidade do aporte de água a várias regiões, junto tem aumentado o número de desastres ambientais (principalmente por deslizamentos de terrenos pertos dessas geleiras)", acrescenta Simões.

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A mudança tem relação direta com a mineração. A província de San Juan, que concentra a maior parte dos glaciares argentinos, é também uma das regiões mais cobiçadas para a exploração de cobre e ouro — minérios cada vez mais valorizados no mundo, inclusive por serem usados em equipamentos ligados à energia limpa, como painéis solares, turbinas eólicas e baterias.

Com a nova regra, projetos de mineração que antes enfrentavam barreiras automáticas por estarem próximos a glaciares passam a ter caminho mais livre para avançar, desde que demonstrem que o impacto sobre a água não é significativo.

A reforma dividiu opiniões dentro do próprio país. Setores ligados à mineração defendem que a regra anterior era imprecisa demais e travava investimentos importantes para economias locais.

Já cientistas, ambientalistas e parte da oposição argumentam que a mudança fragiliza a proteção justamente das áreas que funcionam como reserva de água para os Andes — numa região onde o próprio aquecimento global já vem reduzindo o volume de neve e gelo disponível.

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Já a Áustria caminha em direção oposta. No país, a legislação de proteção da natureza do estado do Tirol estabelece o que é descrito como uma proteção "absoluta" das geleiras: em regra, é proibida a construção de teleféricos, estradas e outras estruturas sobre o gelo ou em suas bordas imediatas.

Existem ainda as chamadas "zonas de silêncio", áreas criadas há décadas onde novas obras de infraestrutura são, em princípio, vetadas.

Essa proteção, porém, não está livre de pressões. O turismo de esqui é uma atividade econômica relevante para diversas regiões de montanha austríacas, e há anos surgem projetos para ampliar áreas esquiáveis sobre geleiras, especialmente diante da retração da neve em altitudes mais baixas.

Ovelhas caminham em frente ao glaciar Hochjochferner na região de TIrol, na Áustria. — Foto: Lisi Nisner/Reuters

O caso mais conhecido envolvia a fusão de duas grandes áreas de esqui sobre o gelo, criando o que seria a maior região de esqui em geleiras da Europa.

O projeto foi rejeitado depois de forte mobilização popular, que incluiu um referendo local contrário à proposta e uma petição assinada por mais de 160 mil pessoas.

Atualmente, outra proposta de expansão sobre um glaciar diferente está em processo de avaliação de impacto ambiental.

Apesar disso, mesmo com essa legislação protetiva, a Áustria não escapa dos efeitos das mudanças climáticas sobre seu gelo.

Levantamentos recentes mostram que praticamente todas as geleiras monitoradas no país estão em processo de retração, algumas perdendo mais de 100 metros de extensão em poucos anos.

Para tentar amenizar esse processo em áreas usadas pelo turismo, algumas estações de esqui chegam a cobrir trechos de geleiras com mantas especiais durante o verão, na tentativa de reduzir o derretimento causado pelo calor e pela exposição direta ao sol.

Ops!

What to Watch

AI outlook — possibilities, not facts

  • Argentina enfrentará disputas legais e protestos ambientais contra a nova lei de geleiras.

    Likely · Within months

  • Projetos de expansão de esqui sobre geleiras na Áustria continuarão a enfrentar forte resistência popular.

    Likely · Within months

Open Questions

  • Qual o impacto a longo prazo da nova lei argentina na disponibilidade de água?
  • Até que ponto a Áustria conseguirá resistir às pressões do turismo?
  • Como as mudanças climáticas afetarão as decisões futuras sobre geleiras?

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This article was originally published by G1.

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