Artesã suspeita de envenenar aluna com mercúrio no Recife
Quick Look
- Artesã suspeita de envenenar aluna com mercúrio no Recife.
- Vítima sentiu dores e dificuldades para andar e urinar.
- Suspeita frequentava aulas de artesanato no hospital onde vítima trabalhava.
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Why It Matters
Uma artesã suspeita ter sido envenenada com mercúrio por uma aluna em Recife. A vítima sentiu dores abdominais, rigidez muscular e dificuldade para andar e urinar, sintomas que podem ter sido causados pela substância ao longo de meses.
Antes disso, a artesã conta que já havia desconfiado do comportamento da aluna. "Um dia, eu indo lavar as mãos, avistei ela mexendo na minha garrafa. Achei estranho. Ela disfarçou, como se estivesse tirando a garrafa de um lugar para outro", disse.
A artesã trabalhou por mais de dez anos em um projeto chamado Arte na Medicina. A iniciativa oferece aulas de artesanato para pacientes e seus parentes em um anexo do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), no bairro de Santo Amaro, no centro do Recife.
Há cerca de três anos, a aluna denunciada, identificada como Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, começou a frequentar as aulas, enquanto acompanhava o filho, que fazia tratamento no hospital. O g1 não conseguiu localizar a defesa dela.
Desde o segundo semestre de 2024, a professora vinha sentindo sintomas como dores abdominais, músculos enrijecidos e dificuldade para andar e urinar. No início, ela achava que tinha fibromialgia e chegou a ficar um tempo afastada do projeto social.
Depois de ter descoberto as "bolinhas" na água, a artesã decidiu filmar a aluna. Ela passou a deixar o celular com a câmera ligada quando saia da sala. Da primeira vez que ela flagrou a aluna colocando algo na garrafa, procurou a Delegacia da Boa Vista e fez exames no IML (Instituto de Medicina Legal).
"Fui à loja e comprei uma garrafa idêntica, do mesmo modelo. Cheguei lá bebendo água e botei a garrafa em cima da mesa. No momento em que saí, botei a câmera para filmar de novo. Quando vi que ela tinha botado de novo, não toquei mais na garrafa e liguei para o 190", contou a professora.
A artesã disse que, neste dia, a Polícia Militar foi ao hospital e levou as duas mulheres para a Central de Plantões da Capital, no bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife. O boletim de ocorrência registrado no local mostra que a suspeita negou que tivesse envenenado a bebida, mas os policiais encontraram resíduos de um pó no fundo da bolsa dela.
A artesã afirma que um exame toxicológico apontou uma concentração de 21 microgramas de mercúrio por mililitro de sangue no corpo da vítima. O g1 teve acesso ao laudo da perícia feita na garrafa, que também detectou a presença do metal na água.
Pela quantidade de substância encontrada, o laudo toxicológico estipulou que a vítima ingeriu mercúrio ao longo de um período que pode ter sido de oito meses a um ano. "Ela botava um pingo, era uma gota. E eu bebia muita água assim com tudo. Infelizmente, não tem gosto", falou a professora.
A artesã contou que até hoje sente dores no abdômen, tem movimentos reduzidos, uma compressão na medula e uma neuropatia. Ela faz uma série de tratamentos médicos e fisioterapia.
Segundo ela, a polícia pediu um parecer de um neurocirurgião para atestar que a paciente teve complicações neurológicas por causa do mercúrio. Mas a artesã ainda não conseguiu marcar uma consulta com um especialista no Sistema Único de Saúde (SUS).
No dia 9 de junho, a artesã ajuizou uma ação na Vara da Fazenda Pública de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, para obrigar o estado a garantir o atendimento com urgência, mas, até o momento, nenhuma decisão sobre o pedido foi publicada.
O g1 entrou em contato com a Polícia Civil e perguntou o porquê da demora para conclusão do inquérto e por qual crime Maria Aparecida Rodrigues de Araújo é investigada. A corporação não respondeu, e disse apenas que o caso segue sob investigação por meio da Delegacia da Boa Vista e que "mais detalhes não podem ser divulgados para preservar o andamento das diligências".
Open Questions
- Qual o motivo do envenenamento?
- Por que a investigação policial está demorando?
- O estado garantirá o atendimento médico urgente?





