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Ator indígena Yumo Apurinã apresenta peça inspirada em Ailton Krenak em Belém
Culture
G16/11/2026Culture3 min readBrazil

Ator indígena Yumo Apurinã apresenta peça inspirada em Ailton Krenak em Belém

Quick Look

  • O ator indígena Yumo Apurinã apresenta a peça "Ideias para adiar o fim do mundo", inspirada em Ailton Krenak, em Belém.
  • O espetáculo aborda a crise de imaginação diante do colapso climático e as realidades amazônicas.

AI-generated summary

Why It Matters

O ator indígena Yumo Apurinã apresenta a peça "Ideias para adiar o fim do mundo", inspirada na obra de Ailton Krenak, em Belém. A montagem convida o público a imaginar outros futuros possíveis diante da crise climática, utilizando experiências pessoais e reflexões sobre humanidade, natureza e colonização.

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Ator indígena Yumo Apurinã apresenta peça inspirada em Ailton Krenak em Belém — Foto: Dalton Valério

Enquanto o debate climático costuma ser dominado por previsões de colapso e destruição, o ator indígena Yumo Apurinã faz um convite diferente ao público: imaginar outros futuros possíveis. A reflexão está no espetáculo "Ideias para adiar o fim do mundo", inspirado na obra de Ailton Krenak, que será apresentado entre os dias 17 e 21 de junho na CAIXA Cultural Belém. Em entrevista exclusiva ao g1, o artista falou sobre a montagem e sobre os diálogos que ela estabelece com a Amazônia.

Em cena, Yumo interpreta a si mesmo: um homem do povo Apurinã que, após ser evangelizado na infância, busca reconstruir sua relação com a ancestralidade. A partir de experiências pessoais e das reflexões de Krenak sobre humanidade, natureza e colonização, a peça convida o público a questionar formas de vida muitas vezes naturalizadas no cotidiano.

"Talvez a crise climática seja também uma crise de imaginação. A gente está cercado por discursos sobre destruição e esgotamento, mas pouco se fala sobre a nossa dificuldade de inventar outras formas de existir, outros discursos, outras formas de nos relacionarmos com a terra e com o próprio conceito de humanidade", disse.

Ator indígena Yumo Apurinã — Foto: Dalton Valério

Segundo o ator, apresentar o espetáculo em Belém tem um significado especial porque muitas das questões abordadas pela montagem fazem parte da realidade amazônica.

"Belém não representa para a gente apenas um cenário amazônico. É um território vivo, onde muitos dos impasses discutidos pela peça estão em curso. Questões como mineração, evangelização, disputa territorial e apagamento de saberes não aparecem para esse público como metáforas ou notícias distantes. São experiências presentes", afirmou.

A montagem foi idealizada pelo diretor e dramaturgo João Bernardo Caldeira. O projeto ganhou novas camadas quando a trajetória pessoal de Yumo passou a integrar a dramaturgia, incorporando memórias da infância, histórias familiares e experiências de racismo.

"Sou constantemente colocado à prova. Meu corpo não corresponde ao 'índio' do imaginário da cidade, mas também não cabe em outras classificações. Ainda assim, sei quem sou: um Pupỹkary Apurinã. O pertencimento é o que me orienta. Sei de onde vim, onde estou e penso meu futuro a partir disso", disse o ator.

Para Caldeira, a peça parte da ideia de que diferentes saberes e formas de existência foram historicamente silenciados na construção da narrativa dominante sobre o Brasil.

"A peça sugere que talvez seja impossível imaginar futuros diferentes sem antes reelaborar as histórias que contamos sobre nós mesmos. Ao colocar em diálogo perspectivas historicamente marginalizadas pela colonização, ela amplia os imaginários a partir dos quais compreendemos o Brasil", afirmou.

Além das apresentações, a programação inclui a atividade gratuita "Histórias para adiar o fim", que reunirá Yumo Apurinã e a escritora, poeta e ativista indígena Márcia Kambeba no dia 20 de junho, às 16h. O encontro vai abordar temas como arte, literatura, ancestralidade e produção de conhecimento indígena.

Serviço:

Ideias para adiar o fim do mundo

Quando: 17, 18, 20 e 21 de junho

Horários: 19h

Sessão extra: 21 de junho, às 16h

Ingressos à venda online

Local: CAIXA Cultural Belém, Avenida Marechal Hermes, s/n, Armazém 6A, Reduto, Porto Futuro II

Programação paralela:

Histórias para adiar o fim - Encontro entre Yumo Apurinã e Márcia Kambeba

Data: 20 de junho

Horário: 16h

Entrada gratuita

Open Questions

  • What are the specific challenges faced by the Apurinã people regarding their ancestrality and evangelization?
  • How does the play visually represent the dialogue between indigenous knowledge and contemporary environmental issues?
  • What is the audience's reception to the play's invitation to imagine alternative futures?

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This article was originally published by G1.

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