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BackAutenticidade e vídeos de confronto viralizam; propostas não rendem engajamento
Autenticidade e vídeos de confronto viralizam; propostas não rendem engajamento
Politics
Folha Poder17 minutes agoPolitics7 min readBrazil

Autenticidade e vídeos de confronto viralizam; propostas não rendem engajamento

Entrevista com político sobre estratégias de redes sociais, engajamento e regulação da internet.

Quick Look

Em entrevista, político destaca que vídeos de confronto e autenticidade viralizam mais nas redes sociais do que propostas de mandato, critica tentativas de regulação da internet e aponta estratégias de comunicação da direita.

AI-generated summary

Why It Matters

Entrevista publicada pelo podcast A Máquina da Folha aborda a atuação de políticos nas redes sociais durante o período eleitoral.

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Autenticidade e vídeos de confronto viralizam; propostas e projetos não rendem engajamento nas redes sociais. A dica é de o, 28, o terceiro político com maior engajamento na internet segundo vários rankings –ele só perde para o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e para a candidata ao Senado Michelle Bolsonaro.

"Eu não tenho como forçar uma entrega de emenda a viralizar tanto quanto eu debatendo com uma figura de esquerda", diz Pavanato, que foi o vereador mais votado da cidade de São Paulo em 2024 e agora é candidato a deputado federal pelo PL.

Ele critica as tentativas de regulação de redes sociais no Brasil. "Existe um incômodo do centro e da esquerda porque eles não sabem usar as redes sociais como a gente, e querem sufocar essa concorrência para manter o monopólio de comunicação deles", disse o político, que tem 5,1 milhões de seguidores no Instagram, em entrevista ao podcast "A Máquina", série da Folha publicada pelo Café da Manhã durante o período eleitoral.

Em vários rankings, o senhor é o terceiro político com maior engajamento nas redes, só perde para o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e para a candidata ao Senado Michelle Bolsonaro. Quais estratégias funcionam?

Sempre procurei fazer diversos tipos de conteúdo. No meu perfil, tem humor, comentário de política, debate, entrevista na rua, experimento social. Vou entregando alternadamente, então não fica monótono.

O senhor produz conteúdos diferentes para cada rede?

O foco do conteúdo que eu faço é o Instagram, replicável em todas as outras plataformas. No YouTube, tem vídeos longos, que eu não faço tanto. Ainda não consegui encontrar um modelo de vídeos mais recorrentes de opinião longos no YouTube.

Quem faz bem esses vídeos?

Tem um youtuber que comenta notícias, bem famoso na direita, o Gustavo Lázaro. Tem o Daniel Alvarenga. O (deputado federal) Gustavo Gayer é muito bom em conteúdos longos.

O senhor falou de formatos, mas e linguagem?

O público procura autenticidade. A mídia tradicional é protocolar, tem cautela no uso das palavras. Na rede social, o público procura o oposto. Tento ser o mais autêntico possível nos meus vídeos, não poupo opiniões, os advogados ficam de cabelo em pé comigo, mas eu tento ser o mais sincero possível. E consegui adotar mais ironia na forma de comunicar, funciona bastante.

Tem poucas figuras da esquerda que conseguem esse engajamento…

As poucas figuras da esquerda que conseguem engajamento têm uma estratégia de militância para fazer o conteúdo engajar. Eles se dão bem em lives do YouTube, porque pegam vários canais de apoiadores, reagem às lives e mobilizam o público para ficar naquele trabalho de formiguinha compartilhando. Eu não tenho essa organização. Não estou criticando quem tem. Acho que é uma estratégia válida, mas o que eu tenho de compartilhamento é orgânico.

A esquerda falha porque muitas vezes está desconectada do que as pessoas pensam. Enquanto eu ataco uma opinião que não é ortodoxa em relação à família, como ideologia de gênero, eles ridicularizam minha opinião. Só que eles não percebem que quando eles ridicularizam minha opinião, eles tão ridicularizando a opinião de 50% do Brasil que concorda comigo e é quem faz com que eu tenha engajamento.

Em que o senhor acha que o youtuber de esquerda (candidato a deputado) Jones Manoel acerta na estratégia de comunicação?

Para quem tem as grandes marcas, para quem tem o governo do lado, acaba sendo mais fácil. O Jones Manoel até tem habilidade retórica. A (deputada) Erika Hilton, nem isso. Quando ela foi para um enfrentamento, para um debate? No caso da Erika, tenho certeza que é a militância engajada, mas não acho que seja porque ela tem um conteúdo diferenciado. No caso do Jonas, ele vai bem em debates.

O senhor ganhou notoriedade indo para universidade para confrontar e filmar estudantes que considera serem de esquerda. Por que acha importante esse tipo de confronto?

O confronto é importante, principalmente no ambiente universitário, para expor a hegemonia de pensamento que existe nesses ambientes. Recentemente, um jovem de esquerda foi confundido com um neofascista e espancado pelos alunos na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esse radicalismo permeia as faculdades. Então, acho que é uma denúncia importante que eu faço.

Eles argumentam que o senhor chega lá hostilizando…

É só assistir aos meus vídeos inteiros. Eu não distorci nada: eu sentei numa barraquinha. Onde isso é agressivo?

O avanço do candidato Augusto Cury nas pesquisas surpreendeu. O discurso dele não bate de frente nem com a esquerda nem com a direita. Existe espaço para essa postura mais moderada?

O crescimento do Cury foi artificial. Diversos influenciadores falaram dele ao mesmo tempo, houve um crescimento no Instagram que não é de seguidores orgânicos. E parecer que cresceu faz com que você cresça, com que as pessoas falem de você. Foi uma estratégia de marketing bem elaborada. Em relação a se posicionar mais moderadamente, sem confrontos, em termos do Executivo isso é necessário. O Flávio (Bolsonaro) tenta ter um discurso ameno, porque para você ganhar o Executivo, precisa de 50 mais um. Para eu ganhar uma eleição legislativa, preciso falar com o meu nicho, não preciso furar a bolha.

Mas o ex-presidente Jair Bolsonaro não se moderou na eleição de 2018 e, mesmo depois, continuou falando para a base mais radical.

Durante o processo eleitoral, acho que ele foi se moderando aos poucos. Menosprezar a capacidade de furar a bolha talvez tenha atrapalhado no segundo turno da última eleição. É esse erro que a gente está tentando corrigir.

Existe há alguns anos a chamada bancada do selfie, que são influenciadores, como o senhor, que fazem um uso eficiente de redes sociais, mas que boa parte da atuação no Congresso é para gerar corte, gerar vídeo. Como não ter um mandato que seja só uma extensão da sua atuação como influenciador?

Como vereador, se eu faço divulgações de projeto, elas não viralizam, porque as pessoas não se interessam. O que desperta o interesse do público é confronto, são os discursos mais enfáticos. Na rede social, a divulgação de mandato não é facilmente comunicável. Eu não tenho como forçar uma entrega de emenda a viralizar tanto quanto eu debatendo com uma figura de esquerda. Isso foge do meu alcance.

É do jogo as pessoas tentarem distorcer os fatos para dizer que eu só estou fazendo isso. Sou um dos vereadores mais atuantes. Consegui barrar diversos projetos aqui na cidade de São Paulo, pró-aborto, de esquerda, mais socialistas em termos econômicos. É para isso que o meu eleitor me colocou no mandato.

O senhor acha que as big tech privilegiam conteúdos de direita?

Na última eleição, por pedidos do próprio TSE, houve limitações de conteúdos de direita. Agora nessa eleição está equânime. Nós de direita continuamos engajando mais. Acho que é uma desculpa de quem não consegue ser competitivo em termos de comunicação. No passado, as lideranças relevantes eram aquelas impulsionadas pela mídia tradicional. A minha opinião, fora do status quo, não seria bem aceita e as pessoas não a conheceriam. Hoje, as redes sociais me possibilitam comunicar minhas ideias de uma forma que antes era impossível. Isso é liberdade de expressão.

Ao mesmo tempo, as big tech não são neutras, o dono do X, o Elon Musk, regula o algoritmo para influenciar que conteúdo viraliza. Dá para falar de liberdade de expressão?

Se essa limitação for parcial, ela é mais (restritiva do) nosso lado, porque todas as vezes que eu faço um conteúdo divergindo de uma ideia de esquerda e não uso as palavras certinhas, vou ter esse conteúdo limitado. No TikTok, que é uma rede chinesa, praticamente tudo que eu falo é limitado, meus vídeos caem o tempo todo. Mas, sim, talvez fosse necessária uma transparência maior.

Agora, eu não confio no governo federal para fazer essa regulamentação. Lá atrás, antes de existir essa profusão de redes sociais, o governo Dilma já tentava limitar os veículos de imprensa. Na proposta do governo Lula para regulamentar as redes sociais tinha um comitê que ia julgar o tipo de conteúdo. Eu não confio. Quem vigia o vigilante?

Existe um incômodo do centro e da esquerda porque eles não sabem usar as redes sociais como a gente, e querem sufocar essa concorrência para manter o monopólio de comunicação deles.

Por que não deveria existir no Brasil regulamentação de redes que decida sobre conteúdo?

O que seria uma regulamentação válida? Exigir o CPF no perfil pode ser uma forma da gente regulamentar. Exigir que conteúdos sexualmente explícitos sejam limitados para menores de idade. Tem diversas formas de fazer limitações e de trazer transparência para os critérios de limitação. Criar uma forma de uma pessoa recorrer quando ela tem algum conteúdo limitado ou o perfil cai. São regulamentações que melhorariam o funcionamento das redes sociais.

O senhor também se opõe ao ECA digital, de proteção de crianças online, aprovada no ano passado?

Eu conheci o pai de um menino que fala de futebol. He não consegue fazer contrato com empresas esportivas, não é bet, é empresa comum, por conta dessas novas medidas da Lei Felca. São leis feitas a toque de caixa, malfeitas, que causam consequências adversas que não eram necessárias.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) apoiou a lei ...

A Damares, por mais que ela seja uma querida, tem diversas ideias mais para a esquerda do que para a direita. Ela tem proximidade com grupos com ideias mais socialmente de esquerda.

Algumas das críticas que o senhor recebe têm fundamento?

No passado, eu já errei por querer comentar tudo o tempo todo. Então às vezes você comete algum comentário errado. Hoje comento mais quando eu tenho certeza, tomo mais cuidado.

Quem são figuras da direita que o senhor admira?

No Brasil, o jornalista Carlos Lacerda (1914-77) é uma figura que admiro muito. No passado não tinha rede social, então o mais próximo que tinha de alguém como eu era um cara que tinha um jornal e expressava as próprias opiniões.

Open Questions

  • Quais serão os impactos reais das propostas de regulação das redes sociais?

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This article was originally published by Folha Poder.

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