
Iniciativa do Inatel em Santa Rita do Sapucaí utiliza redes 5G e inteligência artificial para permitir controle remoto imersivo de robôs quadrúpedes.
AI-generated summary
O xGMobile, centro de competência em redes 5G e 6G do Inatel, iniciou o projeto do cachorro-robô em 2025 com previsão de conclusão para 2027.
Um cachorro-robô que sobe escadas, supera obstáculos e pode ser comandado por meio de uma rede 5G está sendo desenvolvido em Santa Rita do Sapucaí, cidade conhecida como Vale da Eletrônica, no Sul de Minas Gerais. A tecnologia, apresentada durante o HackTown, permite que o operador controle o equipamento em tempo real, mesmo estando longe do local onde o robô está.
O projeto é desenvolvido pelo xGMobile, centro de competência em redes 5G e 6G do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em parceria com outros centros de competência brasileiros. O desenvolvimento começou em 2025 e tem previsão de conclusão para 2027.
A ideia é fazer com que o operador tenha a sensação de estar no próprio robô. Com um óculos de realidade virtual, ele recebe as imagens captadas pelo equipamento e, por meio de um controle, determina os movimentos.
"É como se estivesse jogando um videogame da vida real", explicou Henry Rodrigues, gerente executivo do xGMobile.
Uma das aplicações estudadas é a busca por pessoas. O robô pode utilizar inteligência artificial para reconhecer rostos. Segundo Rodrigues, o sistema permite anexar a imagem de uma pessoa procurada e analisar se alguém que foi encontrado corresponde ao que foi cadastrado.
"São diversos casos de uso. O robô, à medida que ele vai se deslocando, busca em todos os rostos que ele encontra para ver se é ou não a pessoa que está sendo procurada. E aí você pode utilizar isso para procurar uma criança perdida no shopping, uma criança que se perdeu em uma praia lotada", explica.
Outra possibilidade é o emprego em operações policiais. Nesse caso, o robô poderia atuar como uma espécie de “batedor”, entrando primeiro em determinado ambiente enquanto o operador permanece em uma posição segura.
O mesmo conceito pode ser utilizado no agronegócio, com drones equipados com inteligência artificial para identificar pragas e avaliar a qualidade de plantações.
"Ao invés do robô, você pode empregar um drone e usar a IA para fazer detecção de pragas, avaliar a qualidade da lavoura, etc. E diversos outros casos de uso, na parte de avaliar eventuais problemas em linhas de transmissão de energia elétrica, fazer rondas com esses robôs, utilizar em mineradoras e, eventualmente, até entrega de encomendas".
"É como se fosse um motorista de Uber de home office, digamos assim. É o carteiro de home office, ele vai pilotar o drone de casa e soltar a encomenda lá, na casa certa", completa.
O grande diferencial do projeto é justamente a utilização da rede 5G — uma tecnologia que já faz parte da trajetória do próprio Inatel. Em 2017, pesquisadores do instituto desenvolveram uma tecnologia 100% nacional para transmissão em 5G, usada na primeira transmissão da tecnologia no Brasil.
Agora, esse conhecimento é aplicado à robótica. Como o equipamento não depende exclusivamente de um controle remoto convencional, ele pode se deslocar por áreas maiores enquanto mantém a comunicação por meio da rede.
Durante o percurso, a conexão pode passar de uma antena para outra — processo conhecido como handover — sem interromper a comunicação.
"Ele tem uma autonomia de duas a quatro horas de bateria. E aí, pelo fato dele ser controlado pela rede 5G, ele não fica limitado ao alcance do controle remoto", afirma.
A velocidade da conexão, no entanto, ainda é um desafio. Para que o controle funcione, não basta transmitir a imagem. É necessária que ela chegue ao operador praticamente em tempo real e que o comando feito pelo operador retorne rapidamente ao robô. Esse intervalo é chamado de latência.
“Essa latência total tem que ser tão baixa quanto possível, porque senão a operação fica inviável. O operador dá um comando e fica esperando a ação acontecer”, explica Rodrigues.
O projeto utiliza tecnologias como inteligência artificial, 5G, Open Gateway, robótica e telepresença imersiva para tentar garantir essa comunicação.
Até agora, os testes estão sendo realizados dentro do campus do Inatel, em Santa Rita do Sapucaí. A próxima etapa é colocar o equipamento em ambientes com maior concentração de pessoas e, consequentemente, maior demanda sobre a rede móvel.
Um dos testes planejados é levar o robô para a Avenida Paulista, em São Paulo, em um domingo em que o local fica fechado para veículos. A proposta é que o equipamento esteja na avenida enquanto o operador permaneça no campus do Inatel, em Santa Rita do Sapucaí.
Nesse cenário, a equipe pretende testar uma tecnologia chamada Quality on Demand, que permite priorizar determinados requisitos de conectividade para manter a qualidade do vídeo e reduzir a latência, mesmo em uma rede bastante utilizada.
Um dos maiores desafios, ainda apenas no papel, é fazer o sistema funcionar entre continentes. A ideia é testar, por exemplo, um operador na Europa controlando um robô localizado no Brasil.
A distância superior a 8 mil quilômetros representa um obstáculo justamente por causa da latência. Quanto maior a distância percorrida pelos dados, maior tende a ser o tempo necessário para o comando chegar ao robô e a imagem retornar ao operador.
A equipe estuda alternativas como cabos de fibra óptica submarinos e redes de satélites de baixa órbita para tentar viabilizar a comunicação em tempo real.
Se funcionar, o cachorro-robô desenvolvido em Santa Rita do Sapucaí poderá ser controlado não apenas de outra cidade ou estado, mas de outro lado do mundo.
A 10ª edição do HackTown acontece até segunda-feira (7), em Santa Rita do Sapucaí, cidade de cerca de 40 mil habitantes. Segundo a organização, mais de 15 mil pessoas devem passar pelo evento nos cinco dias, número equivalente a mais de um terço da população da cidade.
Em 2026, o festival sul-mineiro, inspirado no SXSW, completa dez anos. Entre os destaques da programação estão debates sobre inteligência artificial, ética, governança, futuro do trabalho e os impactos da tecnologia nos negócios e na sociedade.
AI outlook — possibilities, not facts
Realização de testes com o robô na Avenida Paulista, em São Paulo.
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