Cirurgias de vesícula na região de Campinas batem recorde em 2024
Quick Look
- Região de Campinas registra 5.250 cirurgias de vesícula em 2024, superando recordes anteriores.
- Especialistas apontam demanda reprimida pós-pandemia e fatores de risco como obesidade e emagrecimento rápido.
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Why It Matters
A região de Campinas registrou um aumento significativo nas cirurgias de vesícula, atingindo um recorde em 2024. O procedimento, chamado colecistectomia, é indicado para casos de cálculos biliares, pólipos ou inflamação.
IMAGEM DE ARQUIVO: Paciente passa por cirurgia na região do abdômen — Foto: Divulgação
O balanço da Secretaria de Estado da Saúde considera dados do Departamento Regional de Saúde VII (DRS-7), que tem sede na metrópole e abrange 42 cidades. Em 2024, a região bateu recorde com 5.250. Naquele ano, segundo dados do Ministério da Saúde, a retirada de vesícula foi o terceiro procedimento mais realizado pelo SUS em todo o Brasil.
Para o médico gastroenterologista e professor de cirurgia da PUC Campinas, Luiz Carlos Nascimento Bertoncello, o aumento no número de cirurgias pode estar relacionado à demanda reprimida durante a pandemia da Covid-19, período em que os procedimentos eletivos, que não são urgentes, deixaram de ser realizados e acabaram sendo adiados.
🩺 A cirurgia de vesícula, chamada de colecistectomia, é o procedimento para retirar a vesícula biliar, órgão localizado abaixo do fígado que armazena a bile, substância que ajuda na digestão de gorduras. Ela é indicada principalmente para pacientes com cálculos (pedras na vesícula) que causam dor ou pólipos, inflamação ou outras complicações.
Cirurgias eletivas de vesícula na região de Campinas
Fonte: Secretaria do Estado da Saúde
Recuperação da oferta de cirurgias
Os dados mostram uma mudança no volume de cirurgias eletivas ao longo da última década. Entre 2016 e 2019, a região de Campinas realizou entre 3 mil e 3,4 mil procedimentos por ano. Com a suspensão de parte das cirurgias programadas durante a pandemia de Covid-19, esse número caiu para 1.804 em 2020 e atingiu o menor patamar da série em 2021, com 1.469 operações.
A partir de 2022, porém, houve uma recuperação acelerada. O total saltou para 4.353 cirurgias naquele ano, chegou a 4.425 em 2023 e bateu recorde histórico em 2024, com 5.250 procedimentos. Em 2025, apesar da leve redução em relação ao ano anterior, o volume permaneceu elevado, com 4.661 operações (veja a evolução no gráfico acima).
Urgências voltam a cair
Enquanto as cirurgias eletivas cresceram nos últimos anos, os procedimentos realizados em caráter de urgência seguiram o caminho oposto. Em 2025, foram registradas 1.054 cirurgias de urgência, o menor número da série histórica iniciada em 2016.
Durante a pandemia, quando muitas cirurgias programadas foram adiadas, as urgências chegaram a representar quase metade dos procedimentos realizados na região.
Em 2021, por exemplo, houve 1.469 cirurgias eletivas e 1.396 de urgência. Nos anos seguintes, com a retomada da oferta de operações agendadas, essa diferença voltou a aumentar, e as eletivas passaram novamente a representar a maior parte das cirurgias de vesícula realizadas pelo SUS.
Principais causas e sintomas
Entre os fatores de risco, Bertoncello destaca a obesidade, que altera o metabolismo do colesterol e da insulina, o que favorece a formação de pedras na vesícula. Por outro lado, o médico alerta que o emagrecimento muito rápido também pode causar o problema. Por isso, recomenda que a perda de peso ocorra de forma natural e sem mudanças bruscas.
Sobre os sintomas, o especialista explica que existem dois perfis principais de pacientes:
o primeiro é formado por pessoas assintomáticas, que descobrem o problema durante exames de rotina, muitas vezes sem nunca terem apresentado qualquer desconforto;
o segundo grupo apresenta sintomas, principalmente após comer frituras, salgados e gema de ovo. Os sinais incluem enjoo, vômito, má digestão e dor em forma de cólica no lado direito do abdômen, que pode irradiar para as costas.
Segundo o médico, esses sinais aparecem porque as pedras impedem a vesícula de liberar a bile, um líquido essencial para a digestão das gorduras.
Principais riscos de adiar a cirurgia
Bertoncello afirma que, após o diagnóstico, o ideal é programar a cirurgia (modo eletivo), com todos os exames pré-operatórios concluídos.
Nessas condições, a operação é feita por videolaparoscopia (com pequenos furos) ou robótica. É um procedimento rápido, seguro e com baixo risco.
O perigo está em adiar a operação. A espera pode causar complicações graves, como:
colecistite: inflamação da vesícula que exige cirurgia de urgência, o que aumenta o risco de infecções e o tempo de internação;
pancreatite biliar: uma pedra migra e inflama o pâncreas e, em casos graves, pode levar à morte;
obstrução da via biliar (icterícia): a pedra bloqueia a bile, deixando a pele do paciente amarelada, podendo evoluir para quadros graves.
Em quanto tempo um caso eletivo pode se tornar uma urgência?
Bertoncello afirma que não existe um prazo definido. Segundo ele, a evolução varia de paciente para paciente e não há uma regra capaz de prever quando uma pedra irá causar complicações. Por isso, a recomendação é operar assim que houver indicação.
Descoberta durante exame de rotina
A aposentada Marli Nunes Santos Freitas descobriu os primeiros cálculos na vesícula em um ultrassom de rotina. Sem sintomas na época, ela apenas levou o resultado ao médico. Com o tempo, passou a sentir refluxo e desconforto após consumir certos alimentos. A situação piorou quando ela acordou de madrugada com uma dor intensa no estômago e no peito.
“Acordei de madrugada com uma dor terrível. Uma dor que parecia que eu tinha falta de ar, parecia um infarto”, conta. Inicialmente, acreditou que fosse um problema gástrico e tentou aliviar a dor com um analgésico. Como a dor continuou, entrou em contato com o médico pela manhã.
Orientada a ir ao pronto-socorro, Marli foi ao Hospital da PUC-Campinas, onde realizou novos exames de imagem que confirmaram a presença de pedras na vesícula. A cirurgia aconteceu no mesmo dia. Marli contou que estava apreensiva, principalmente pela rapidez com que tudo aconteceu.
“Como foi tão rápido, eu fui processando assim, gente, o que eu faço? Aí já liguei para os meus filhos, falei pra eles o que estava acontecendo, meu marido, né? E fiquei tensa”, lembra.
Planejada inicialmente por videolaparoscopia, a operação precisou ser convertida em cirurgia aberta (com corte tradicional). Segundo a aposentada, durante o procedimento a vesícula rompeu e as pedras começaram a migrar para os canais biliares, o que exigiu uma intervenção de emergência.
Apesar do susto, o procedimento e a recuperação foram bem-sucedidos. “A recuperação em si foi rápida, a cicatrização, tudo. Eu ainda sentia dor, mas por conta daquele trauma”, resume.
*Estagiária sob supervisão de Yasmin Castro.
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- Qual o impacto a longo prazo do aumento de cirurgias eletivas no sistema de saúde?
- Existem outras regiões do Brasil com tendência semelhante?






