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Clínica é suspeita de irregularidades em atendimentos de crianças com autismo, diz operadora
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G16/11/2026Crime5 min readBrazil

Clínica é suspeita de irregularidades em atendimentos de crianças com autismo, diz operadora

Quick Look

  • Unimed Goiânia denunciou clínica por irregularidades e faturamento indevido no atendimento de crianças com autismo.
  • A Polícia Civil investiga o caso por estelionato, após auditorias da operadora identificarem divergências nos locais de atendimento.

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Why It Matters

A Unimed Goiânia denunciou uma clínica por supostas irregularidades e faturamento indevido no atendimento de crianças com autismo. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Goiás após auditorias da operadora identificarem divergências entre os registros e os locais reais dos atendimentos.

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Clínica é suspeita de irregularidades em atendimentos de crianças com autismo, diz operadora

Unimed Goiânia afirma que as irregularidades estão na execução dos atendimentos e no faturamento dos serviços prestados, não na forma que os pacientes foram atendidos. Defesa da clínica nega.

Por Yanca Cristina, g1 Goiás

A Unimed Goiânia denunciou uma clínica por irregularidades e faturamento indevido no atendimento de crianças com autismo. O caso é investigado pela Polícia Civil de Goiás.

Auditorias da operadora identificaram divergências entre os registros e os locais reais dos atendimentos. A clínica alegava realizar serviços em Santo Antônio de Goiás.

A Polícia Civil registrou o boletim de ocorrência por estelionato em 3 de junho. A defesa da clínica nega as acusações e promete esclarecer os fatos.

O diretor da Unimed garantiu que nenhuma família ficará sem assistência. A cooperativa iniciou o processo para descontinuar os atendimentos na clínica denunciada.

Espaço de atendimento da clínica — Foto: Reprodução/Google Maps

No boletim de ocorrência registrado no dia 3 de junho ao qual o g1 teve acesso, a empresa descreveu que “auditorias realizadas identificaram divergências entre os registros lançados nos sistemas, listas de frequência e o local real dos atendimentos, havendo registros audiovisuais, documentos, lançamentos sistêmicos e demais elementos que, em tese, indicariam a fraude”.

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Em nota ao g1, a defesa da clínica negou qualquer irregularidade. "A empresa tem conhecimento da notícia-crime apresentada, porém registra que o documento contém informações desconexas, incompletas e incorretas, as quais serão devidamente esclarecidas no momento oportuno perante as autoridades competentes", destacou o advogado Alldmur Carneiro (leia na íntegra ao final do texto).

A Polícia Civil informou que o boletim de ocorrência por estelionato foi registrado na 4º Delegacia Distrital de Polícia Civil do Estado de Goiás, que está dando andamento no caso.

Como as irregularidades foram identificadas?

Em entrevista ao g1, o diretor de provimento da Unimed Goiânia, Francisco Rebouças, afirmou que as supostas irregularidades foram identificadas durante auditorias e levantamentos técnicos realizados pela própria cooperativa, dentro dos processos rotineiros de monitoramento.

Segundo ele, foram identificadas inconsistências relacionadas ao local de execução dos atendimentos e aos registros vinculados à prestação dos serviços. Outro ponto que chamou a atenção da auditoria foi a estrutura física da clínica em Santo Antônio de Goiás, que conta com cinco consultórios.

“Os levantamentos realizados pela auditoria identificaram aproximadamente 80 beneficiários vinculados àquela unidade e, no dia, foram apresentados indícios de somente 12 beneficiários em atendimento”, disse.

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A incompatibilidade entre a estrutura disponível e o volume de atendimentos registrados foi um dos elementos que motivaram o aprofundamento da apuração, destacou o diretor.

Do ponto de vista assistencial, o médico afirmou que a principal preocupação da cooperativa é que situações como essa podem comprometer a rastreabilidade dos atendimentos e a capacidade de fiscalização da rede prestadora.

“Quando um atendimento é realizado em local diverso daquele autorizado e credenciado, a operadora perde mecanismos importantes de controle e acompanhamento”, explicou.

Francisco ressaltou que isso impede verificar se os atendimentos estão sendo realizados pelos profissionais efetivamente cadastrados e habilitados para aquela função, se a equipe informada corresponde à que está prestando o serviço e se todos os requisitos técnicos e assistenciais exigidos para o atendimento de crianças autistas estão sendo cumpridos.

“O objetivo desse controle não é burocrático. Ele existe para garantir que as crianças recebam atendimento qualificado, realizado por profissionais capacitados, dentro das condições aprovadas e supervisionadas pela operadora”, afirmou.

O médico pontuou ainda que o principal prejudicado por situações como essa não é a operadora, mas a própria criança com TEA e sua família.

Como fica o atendimento das famílias?

O diretor garantiu que nenhuma família que era atendida pela clínica ficará sem assistência. Segundo ele, a cooperativa conta atualmente com uma estrutura própria especializada no atendimento de pacientes com TEA, além de uma rede credenciada qualificada, o que permite garantir a continuidade dos tratamentos com equipes capacitadas, supervisão técnica e acompanhamento assistencial adequado.

“As famílias serão acolhidas e orientadas individualmente quanto às alternativas assistenciais disponíveis, sempre buscando preservar a continuidade terapêutica e minimizar impactos na rotina dos pacientes”, afirmou.

Quais as medidas adotadas?

Após a descoberta a do caso, a Unimed disse ter reforçado os mecanismos de fiscalização e monitoramento dos serviços terapêuticos, com o objetivo de garantir que os atendimentos ocorram nas condições autorizadas, com rastreabilidade e segurança assistencial.

Além disso, foram iniciados os trâmites administrativos cabíveis, incluindo o processo de descontinuidade dos atendimentos por parte da clínica - o que não ocorre de forma imediata. “Assim que concluídas as etapas administrativas previstas, os atendimentos na clínica deixarão de receber direcionamento por parte da operadora”, destacou o diretor de provimento da Unimed.

Nota da defesa da clínica

A Clínica, por meio de sua assessoria jurídica, esclarece que nega o cometimento dos supostos crimes que lhe são imputados. A instituição se coloca integralmente à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e colaborar com qualquer procedimento de apuração.

A Clínica ressalta que, ao longo de sua atuação, sempre se empenhou em oferecer atendimento humanizado, ético e responsável aos seus pacientes e familiares, observando as normas legais, regulatórias e as diretrizes estabelecidas pelas operadoras de planos de saúde.

Em relação aos fatos mencionados, a empresa tem conhecimento da notícia-crime apresentada, porém registra que o documento contém informações desconexas, incompletas e incorretas, as quais serão devidamente esclarecidas no momento oportuno perante as autoridades competentes.

A Clínica confia na correta apuração dos fatos e reafirma seu compromisso com a transparência, a boa-fé e a legalidade de suas atividades. Ressalta, ainda, que eventual irregularidade de natureza meramente administrativa, caso efetivamente constatada após a devida análise pelos órgãos competentes, será imediatamente regularizada pelos meios cabíveis.

Por fim, a instituição destaca que as alegações apresentadas ainda dependem de apuração e esclarecimento, razão pela qual devem ser observados os princípios do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da presunção de inocência.

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Open Questions

  • Quais serão as consequências legais para a clínica caso as irregularidades sejam comprovadas?
  • Quantos pacientes foram efetivamente prejudicados pelas supostas fraudes?
  • Qual o valor total do faturamento indevido alegado pela Unimed Goiânia?
  • Haverá alguma sanção administrativa ou penal para os responsáveis pela clínica?

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This article was originally published by G1.

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